O Nhoque Nhoque foi um fracasso editorial quase total. Uma sucessão de erros, do início ao fim. Não por falta de qualidade de conteúdo - na minha modesta opinião, um dos melhores materiais que já circularam pela UFMA - mas por pura irresponsabilidade estratégica de seus editores.
O Nhoque Nhoque também foi uma sucessão de coincidências. A primeira: cinco alunos politicamente de direita ingressarem no mesmo semestre, no mesmo curso e na mesma sala, na Universidade Federal do Maranhão. A segunda: todos eles gostarem de Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. A terceira: todos eles detestarem a agenda política do movimento estudantil e o pensamento corrente na universidade, em especial, no curso de Comunicação. O cadavérico curso de Comunicação do anti-mirantismo, anti-capitalismo, anti-imperialismo, e todos os “anti” que se puder imaginar, além das pautas de democratização da comunicação, mídia pública e do “politicamente correto” que lá se impôs por muito tempo. Isso tudo está morto e enterrado, pelo menos em Comunicação. E o Nhoque Nhoque teve o orgulho de jogar um punhado de terra nesse caixão.
Acumulamos nesse tempo muitas críticas - algumas anônimas – antipatias e várias inimizades. Nenhuma que tenha valido a pena. Mas maiores foram as grandes amizades que fizemos e os inúmeros elogios que recebemos. Um dos melhores foi: vocês têm culhão. Pois é. Continuamos tendo. Outro bom elogio foi: vocês são debochados, insolentes, arrogantes... continuamos sendo.
Apesar de tudo, fomos irresponsáveis. Por isso ele morre triste, velho, na sarjeta, completamente esquecido. Debochado, arrogante e insolente ele se vai. E já vai tarde!.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Cidadãos sem caráter
Se tem uma coisa que me deixa irritado no trânsito é a buzina. Aquele barulho infernal foi cientificamente produzido para irritar as pessoas. E, na mão de sádicos, ela vira uma arma de destruição de paciência.
Ontem aconteceu a segunda etapa do vestibular da UEMA. Um primo meu, que ia fazer a prova no Campus, me pediu que eu lhe desse uma carona, e eu fui lá dar essa força para ele. Deixei-o no prédio de Engenharia, onde ia fazer a prova, fiquei um tempinho conversando com uns amigos que encontrei lá, desejei-os boa sorte e parti. Na volta, parei num sinal nas proximidades da rodoviária. Fiquei meio distraído com a música. O sinal abriu e eu demorei uns três segundos para acelerar o carro. Três segundos. Tempo necessário paro o cérebro do que do idiota do carro de trás emitir a seguinte mensagem para seus músculos: buzine. O energúmeno buzinou.
Quando fico irritado no trânsito, eu faço exatamente aquilo que se pede para não fazer. Eu corro. Cheguei ao limite de velocidade rapidamente. Cortava os carros um por um, quando vi uma viatura da polícia militar na minha frente, o que me alertou que não podia mais aumentar a velocidade.
Passei um tempo atrás do carro da polícia, até que um dos sinais do caminho fechou. Foi quando parei do lado da viatura. Uma S-10. Tinha dois homens à paisana. Percebi que não estavam trabalhando, mas mesmo assim continuei atrás do carro. Foi quando, já proximo do elevado Alcione Nazaré, o sinal fechou. E antes dos carros parados no retorno começarem a passar, a viatura da Polícia Cidadã fura o sinal e quase bate numa vã, que tinha a preferência.
Quando se fala em corrupção policial, trata-se logo de se referir aos baixos salários, às péssimas condições, os conflitos sociais etc. como causadores. A falta de pudor tem motivos sociais. Furar um sinal irresponsavelmente, colocando em risco a vida de pessoas, é indiscutivelmente algo reprovável, e não é o salário baixo que leva alguém a fazer isso. É uma questão de caráter. E a mesma falta de caráter que faz alguém cometer delitos simples é a que o leva a cometer outros ainda piores.
Ontem aconteceu a segunda etapa do vestibular da UEMA. Um primo meu, que ia fazer a prova no Campus, me pediu que eu lhe desse uma carona, e eu fui lá dar essa força para ele. Deixei-o no prédio de Engenharia, onde ia fazer a prova, fiquei um tempinho conversando com uns amigos que encontrei lá, desejei-os boa sorte e parti. Na volta, parei num sinal nas proximidades da rodoviária. Fiquei meio distraído com a música. O sinal abriu e eu demorei uns três segundos para acelerar o carro. Três segundos. Tempo necessário paro o cérebro do que do idiota do carro de trás emitir a seguinte mensagem para seus músculos: buzine. O energúmeno buzinou.
Quando fico irritado no trânsito, eu faço exatamente aquilo que se pede para não fazer. Eu corro. Cheguei ao limite de velocidade rapidamente. Cortava os carros um por um, quando vi uma viatura da polícia militar na minha frente, o que me alertou que não podia mais aumentar a velocidade.
Passei um tempo atrás do carro da polícia, até que um dos sinais do caminho fechou. Foi quando parei do lado da viatura. Uma S-10. Tinha dois homens à paisana. Percebi que não estavam trabalhando, mas mesmo assim continuei atrás do carro. Foi quando, já proximo do elevado Alcione Nazaré, o sinal fechou. E antes dos carros parados no retorno começarem a passar, a viatura da Polícia Cidadã fura o sinal e quase bate numa vã, que tinha a preferência.
Quando se fala em corrupção policial, trata-se logo de se referir aos baixos salários, às péssimas condições, os conflitos sociais etc. como causadores. A falta de pudor tem motivos sociais. Furar um sinal irresponsavelmente, colocando em risco a vida de pessoas, é indiscutivelmente algo reprovável, e não é o salário baixo que leva alguém a fazer isso. É uma questão de caráter. E a mesma falta de caráter que faz alguém cometer delitos simples é a que o leva a cometer outros ainda piores.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Head of State
Há seis meses ninguém previa a chegada de um negro a Casa Branca. Errado. Cris Rock já sabia de tudo. Há muito tempo. Em 2003, o comediante escreveu, dirigiu e protagonizou o filme Um Pobretão na Casa Branca (Head of State), que conta uma história muito parecida com a que se sucedeu nesses últimos meses nos EUA.No filme, um carismático vereador de Washington, Mays Gilliam, sem nenhuma chance evidente de ganhar uma corrida presidencial, é escolhido como candidato à presindência, como estratégia do partido para atrair o voto das minorias, e dar, nas próximas eleições de 2008, a vitória para um figurão do partido, o senador Bill Arnot. Porém, ao contrário das expectativas do senador, o pobre vereador ganha uma popularidade nunca antes vista e é eleito presidente dos Estados Unidos da América.
Tudo muito parecido. De um lado, um fenômeno eleitoral. De outro, velhos figurões do partido democrata, no caso, os Clinton, numa torcida mesquinha para seu fracasso, na esperança de uma vitória futura, em 2012.
Contudo, há muito mais diferenças do que semelhanças entre o personagem de Cris Rock e o senador Barack Obama. Mays Gilliam era pobre e sem educação. Nunca teve oportunidade nenhuma na vida e sempre falava com sinceridade o que realmente pensava sobre os temas nos debates. Obama nasceu em uma boa família, teve sempre a melhor educação, é formado em Direito em Havard e nunca fala o que pensa, muda de discurso de acordo com a platéia.
Mays Gilliam tinha orgulho de ser um negro americano e defendia sua raça caricaturalmente. Obama, por sua vez, não pertence a essa ela. Não é um autêntico afro-americano. Sempre fugiu do assunto da raça, mas teve, durante toda a campanha, ela como salvaguarda para todas as acusações. Seus detratores eram automaticamente acusados de racismo, no exato momento em que levantassem o dedo contra ele.
Mas isso não interessa mais, a maior e mais importante diferença entre eles é: Mays Gilliam era engraçado, Obama não tem graça nenhuma.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Milagres da fé obâmica
Olavo de Carvalho
Mídia Sem Máscara, 1 de novembro de 2008
Nunca se viu coisa semelhante na história da humanidade.
Em guerra contra o Islam revolucionário, o país já quase vencedor prepara-se para nomear comandante-em-chefe um político apoiado entusiasticamente pela Al-Qaeda, pelo Hamas, pela Organização de Libertação Palestina, pelo presidente iraniano Ahmadinejad, por Muammar Khadafi, por Fidel Castro, por Hugo Chávez e por todas as forças anti-americanas, pró-comunistas e pró-terroristas do mundo, sem nenhuma exceção visível.
É exatamente como se, em plena guerra do Vietnã, se colocasse na Casa Branca um queridinho de Ho-Chi-Minh.
No entanto, se você sugerir, mesmo suavemente, que tantos inimigos dos EUA estão a favor de Obama porque ele deve estar pelo menos um pouquinho a favor deles, metade do eleitorado americano dirá que você é um maldito racista e uma boa parcela da outra metade o chamará de desequilibrado, de paranóico, de teórico da conspiração.
Está proibido aplicar a Obama a velha regra de bom senso: “O amigo do meu inimigo é meu inimigo”. Para provar sanidade, o cidadão americano tem de acreditar piamente que Obama não fará nada, absolutamente nada em favor dos comunistas e islamofascistas que o amam, mas fará tudo para defender a nação que ele mesmo chama de nazista e a Constituição que, segundo ele, é causa de males horríveis.
Se você acha que a aposta na fé obâmica é alta demais e que seria mais prudente investigar um pouco a vida do sujeito, saiba que isso se tornou praticamente inviável: ele mandou bloquear, nos EUA e no Quênia, o acesso a todos os seus documentos, mesmo sobre a sua vida pública, desde a sua certidão de nascimento até a lista dos pequenos doadores da sua campanha, passando pelo seu histórico escolar em Harvard e Columbia, que é alegado ao mesmo tempo como prova definitiva dos altos dons intelectuais da criatura, só negados, evidentemente, por racistas contumazes. A mídia considera um insulto e uma presunção doentia qualquer tentativa de examinar esses papéis, e três tribunais, da Pensilvânia, de Washington e de Ohio, já sentenciaram que o cidadão comum não tem nenhum direito de averiguar sequer a nacionalidade de Barack Hussein Obama. É preciso acreditar nele sob palavra, ou cair fora da sociedade decente.
Mas a palavra dele também não esclarece nada. Ele já inventou tantas lorotas sobre sua vida (que foi membro da Comissão de Bancos do Senado, que seu tio libertou Auschwitz, que seu pai foi pastor de cabras), já omitiu tantos dados essenciais (que foi membro de um partido socialista, que é primo do genocida Raila Odinga, que fez campanha para ele no Quênia, que seu irmão está à míngua numa favela em Mombasa, que sua tia é imigrante ilegal nos EUA), e já camuflou de tal modo suas ligações com a Acorn, com o terrorista William Ayers, com o agitador islâmico Louis Farrakhan, com o vigarista Tony Resko, etc., que tentar descobrir a verdadeira biografia dele é quase missão impossível. Seu próprio livro de memórias, que lhe rendeu a fama de escritor, é de autoria duvidosa: exames realizados com métodos computadorizados de investigação autoral concluíram que não foi escrito por Obama, mas sim por William Ayers.
Resta a hipótese de tentar descobrir alguma coisa através de testemunhas. O que elas contam é interessante. A avó diz que ele nasceu no Quênia e não no Havaí como ele afirma, seus irmãos quenianos dizem que ele é muçulmano e não cristão como afirma, sua irmã diz que ele nasceu num hospital quando ele afirma que nasceu em outro, o patrocinador de seus estudos em Harvard diz que o dinheiro para isso foi fornecido por um notório agitador pró-terrorista, velhos conhecidos contam que ele sempre estava ao lado de Frank Marshall Davis quando este vendia cocaína. Até agora, o único testemunho seriamente desmentido foi o de um maluco de Minnesota que disse ter tido relações sexuais com o então senador Barack Obama – o que, se fosse verdade, não comportaria um milionésimo do risco para a segurança nacional contido nos outros depoimentos.
A essa altura, você pode perguntar: Mas por que os eleitores hão de confiar sob palavra num sujeito que não tem palavra nenhuma, que não se sabe com certeza nem onde nasceu, que esconde dois terços da sua vida e mente sobre o terceiro terço, que é amado por todos os que odeiam o país e mal consegue disfarçar suas afeições pelos amigos deles? Você, aí no Brasil, pode perguntar isso, mas, se estiver nos EUA, pergunte em voz baixa. Se você expuser suspeitas de maneira muito audível, o governo investigará seus antecedentes em busca de crimes hediondos como dívidas de imposto e multas de trânsitos não pagas, como fez com Joe Encanador, ou então o levará para a cadeia como fez com com Brent Garner, de Lawrence, Estado do Kansas (v. www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=79513). Você corre também o risco de ter sua garagem vandalizada ou levar uns sopapos, como aconteceu com vários militantes republicanos.
A resposta à pergunta sobre os motivos de uma confiança tão despropositada constitui-se de quatro elementos:
1. A grande mídia, quase toda pertencente a adeptos e patrocinadores de Obama, não publica nada do que se sabe de grave contra ele, mas faz um alarde dos diabos em torno das menores insignificâncias que possam sujar a imagem dos seus adversários. A duplicidade de tratamento, que começou nos jornais e na TV, acabou por se impregnar na sociedade inteira como um hábito normal. Exemplo I: O boneco enforcado de Sarah Palin foi saudado pela própria polícia como uma inocente tirada de bom-humor. No dia seguinte dois moleques fizeram um boneco enforcado de Obama – e foram presos. Exemplo II: A jovem militante republicana Ashley Todd, após dizer-se assaltada, surrada e marcada a canivete com um “B” na face direita tão logo o assaltante percebera seu distintivo da campanha McCain, sofreu um bombardeio de insultos na mídia e rapidinho mudou de idéia, jurando que inventara a história toda. Ashley não explicou se foi apenas assaltada e surrada, tendo feito ela própria o corte no rosto, se houve apenas uma surra sem assalto nem corte ou se não houve coisa nenhuma e ela mesma se esmurrou até ficar de olho roxo e, não contente com semelhante desatino, em seguida escavou o “B” na própria face. Embora o desmentido sumário e cheio de lacunas soasse muito mais inverossímil do que a história originária, foi instantaneamente aceito como verdade final pela mídia inteira, sem mais perguntas, ficando portanto provado que esses republicanos são malvados o bastante para desfigurar o próprio rosto só para poder lançar a culpa num negro e, por tabela, no santíssimo Barack Obama. Exemplo III: Faltavam sinais de violência contra a militância obamista, mas logo foram providenciados. Dois jovens skinheads que pensavam em dar uns tiros em Obama, sem ter tomado ainda a menor providência nesse sentido, foram denunciados pela própria mãe. Embora seja virtualmente impossível encontrar algum skinhead nas assembléias evangélicas, nas missas católicas, nas convenções republicanas, no Hudson Institute ou na Heritage Foundation, o fato é o seguinte: se você quer ser considerado um Homo sapiens em vez de um Pithecanthropus erectus, tem de jurar que o plano dos dois idiotas traz a prova cabal de que o conservadorismo americano é racista, nazista e assassino por natureza. A Folha de S. Paulo garante.
2. A sociedade americana acredita na grande mídia porque não é capaz de imaginar uma empulhação geral e sistemática como a que aconteceu no Brasil quando todos os jornais e canais de TV ocultaram propositadamente por dezesseis anos a existência do Foro de São Paulo, a maior organização de delinqüência política que já existiu na América Latina. Tal como no título do famoso romance de Sinclair Lewis, todo mundo acredita que it couldn’t happen here, “isso não poderia acontecer aqui”. Bem, aconteceu.
3. O que quer que se diga contra Obama tem resposta automática: É racismo. A chantagem racial é tão violenta, geral e sistemática, que o simples fato de você dizer que está havendo chantagem racial prova que você é racista. O monopólio da violência verbal fica portanto com os democratas, enquanto os críticos de Obama se resguardam atrás de rodeios e circunlóquios autocastradores.
4. Obama não diz coisa com coisa. Seus discursos, quando não são totalmente vazios de conteúdo, se contradizem uns aos outros com a maior sem-cerimônia – e funcionam exatamente por isso. O conteúdo deles não tem a mínima importância; só serve de excipiente para a substância ativa, constituída de apelos mágicos e mensagens hipnóticas, de modo que após alguns minutos todo mundo está com a inteligência entorpecida ao ponto de aceitar, sem a menor reação crítica, afirmações como esta: “Vocês sentirão uma luz vindo do alto, experimentarão uma epifania e uma voz de dentro lhes dirá: Eu tenho de votar em Barack Obama”. Se o sujeito proclamasse isso por fé espontânea, diriam que é louco. Como o diz no melhor estilo da programação neurolingüística ericksoniana, votam nele para presidente da nação mais poderosa do mundo.
Os efeitos conjugados desses quatro fatores são quase milagres da fé, de um surrealismo atroz: as pesquisas mostram que três entre cada quatro americanos residentes em Israel preferem John McCain, mas três entre cada quatro judeus residentes nos EUA, longe das bombas palestinas e perto de uma TV ligada na CNN, preferem Obama.
Mídia Sem Máscara, 1 de novembro de 2008
Nunca se viu coisa semelhante na história da humanidade.
Em guerra contra o Islam revolucionário, o país já quase vencedor prepara-se para nomear comandante-em-chefe um político apoiado entusiasticamente pela Al-Qaeda, pelo Hamas, pela Organização de Libertação Palestina, pelo presidente iraniano Ahmadinejad, por Muammar Khadafi, por Fidel Castro, por Hugo Chávez e por todas as forças anti-americanas, pró-comunistas e pró-terroristas do mundo, sem nenhuma exceção visível.
É exatamente como se, em plena guerra do Vietnã, se colocasse na Casa Branca um queridinho de Ho-Chi-Minh.
No entanto, se você sugerir, mesmo suavemente, que tantos inimigos dos EUA estão a favor de Obama porque ele deve estar pelo menos um pouquinho a favor deles, metade do eleitorado americano dirá que você é um maldito racista e uma boa parcela da outra metade o chamará de desequilibrado, de paranóico, de teórico da conspiração.
Está proibido aplicar a Obama a velha regra de bom senso: “O amigo do meu inimigo é meu inimigo”. Para provar sanidade, o cidadão americano tem de acreditar piamente que Obama não fará nada, absolutamente nada em favor dos comunistas e islamofascistas que o amam, mas fará tudo para defender a nação que ele mesmo chama de nazista e a Constituição que, segundo ele, é causa de males horríveis.
Se você acha que a aposta na fé obâmica é alta demais e que seria mais prudente investigar um pouco a vida do sujeito, saiba que isso se tornou praticamente inviável: ele mandou bloquear, nos EUA e no Quênia, o acesso a todos os seus documentos, mesmo sobre a sua vida pública, desde a sua certidão de nascimento até a lista dos pequenos doadores da sua campanha, passando pelo seu histórico escolar em Harvard e Columbia, que é alegado ao mesmo tempo como prova definitiva dos altos dons intelectuais da criatura, só negados, evidentemente, por racistas contumazes. A mídia considera um insulto e uma presunção doentia qualquer tentativa de examinar esses papéis, e três tribunais, da Pensilvânia, de Washington e de Ohio, já sentenciaram que o cidadão comum não tem nenhum direito de averiguar sequer a nacionalidade de Barack Hussein Obama. É preciso acreditar nele sob palavra, ou cair fora da sociedade decente.
Mas a palavra dele também não esclarece nada. Ele já inventou tantas lorotas sobre sua vida (que foi membro da Comissão de Bancos do Senado, que seu tio libertou Auschwitz, que seu pai foi pastor de cabras), já omitiu tantos dados essenciais (que foi membro de um partido socialista, que é primo do genocida Raila Odinga, que fez campanha para ele no Quênia, que seu irmão está à míngua numa favela em Mombasa, que sua tia é imigrante ilegal nos EUA), e já camuflou de tal modo suas ligações com a Acorn, com o terrorista William Ayers, com o agitador islâmico Louis Farrakhan, com o vigarista Tony Resko, etc., que tentar descobrir a verdadeira biografia dele é quase missão impossível. Seu próprio livro de memórias, que lhe rendeu a fama de escritor, é de autoria duvidosa: exames realizados com métodos computadorizados de investigação autoral concluíram que não foi escrito por Obama, mas sim por William Ayers.
Resta a hipótese de tentar descobrir alguma coisa através de testemunhas. O que elas contam é interessante. A avó diz que ele nasceu no Quênia e não no Havaí como ele afirma, seus irmãos quenianos dizem que ele é muçulmano e não cristão como afirma, sua irmã diz que ele nasceu num hospital quando ele afirma que nasceu em outro, o patrocinador de seus estudos em Harvard diz que o dinheiro para isso foi fornecido por um notório agitador pró-terrorista, velhos conhecidos contam que ele sempre estava ao lado de Frank Marshall Davis quando este vendia cocaína. Até agora, o único testemunho seriamente desmentido foi o de um maluco de Minnesota que disse ter tido relações sexuais com o então senador Barack Obama – o que, se fosse verdade, não comportaria um milionésimo do risco para a segurança nacional contido nos outros depoimentos.
A essa altura, você pode perguntar: Mas por que os eleitores hão de confiar sob palavra num sujeito que não tem palavra nenhuma, que não se sabe com certeza nem onde nasceu, que esconde dois terços da sua vida e mente sobre o terceiro terço, que é amado por todos os que odeiam o país e mal consegue disfarçar suas afeições pelos amigos deles? Você, aí no Brasil, pode perguntar isso, mas, se estiver nos EUA, pergunte em voz baixa. Se você expuser suspeitas de maneira muito audível, o governo investigará seus antecedentes em busca de crimes hediondos como dívidas de imposto e multas de trânsitos não pagas, como fez com Joe Encanador, ou então o levará para a cadeia como fez com com Brent Garner, de Lawrence, Estado do Kansas (v. www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=79513). Você corre também o risco de ter sua garagem vandalizada ou levar uns sopapos, como aconteceu com vários militantes republicanos.
A resposta à pergunta sobre os motivos de uma confiança tão despropositada constitui-se de quatro elementos:
1. A grande mídia, quase toda pertencente a adeptos e patrocinadores de Obama, não publica nada do que se sabe de grave contra ele, mas faz um alarde dos diabos em torno das menores insignificâncias que possam sujar a imagem dos seus adversários. A duplicidade de tratamento, que começou nos jornais e na TV, acabou por se impregnar na sociedade inteira como um hábito normal. Exemplo I: O boneco enforcado de Sarah Palin foi saudado pela própria polícia como uma inocente tirada de bom-humor. No dia seguinte dois moleques fizeram um boneco enforcado de Obama – e foram presos. Exemplo II: A jovem militante republicana Ashley Todd, após dizer-se assaltada, surrada e marcada a canivete com um “B” na face direita tão logo o assaltante percebera seu distintivo da campanha McCain, sofreu um bombardeio de insultos na mídia e rapidinho mudou de idéia, jurando que inventara a história toda. Ashley não explicou se foi apenas assaltada e surrada, tendo feito ela própria o corte no rosto, se houve apenas uma surra sem assalto nem corte ou se não houve coisa nenhuma e ela mesma se esmurrou até ficar de olho roxo e, não contente com semelhante desatino, em seguida escavou o “B” na própria face. Embora o desmentido sumário e cheio de lacunas soasse muito mais inverossímil do que a história originária, foi instantaneamente aceito como verdade final pela mídia inteira, sem mais perguntas, ficando portanto provado que esses republicanos são malvados o bastante para desfigurar o próprio rosto só para poder lançar a culpa num negro e, por tabela, no santíssimo Barack Obama. Exemplo III: Faltavam sinais de violência contra a militância obamista, mas logo foram providenciados. Dois jovens skinheads que pensavam em dar uns tiros em Obama, sem ter tomado ainda a menor providência nesse sentido, foram denunciados pela própria mãe. Embora seja virtualmente impossível encontrar algum skinhead nas assembléias evangélicas, nas missas católicas, nas convenções republicanas, no Hudson Institute ou na Heritage Foundation, o fato é o seguinte: se você quer ser considerado um Homo sapiens em vez de um Pithecanthropus erectus, tem de jurar que o plano dos dois idiotas traz a prova cabal de que o conservadorismo americano é racista, nazista e assassino por natureza. A Folha de S. Paulo garante.
2. A sociedade americana acredita na grande mídia porque não é capaz de imaginar uma empulhação geral e sistemática como a que aconteceu no Brasil quando todos os jornais e canais de TV ocultaram propositadamente por dezesseis anos a existência do Foro de São Paulo, a maior organização de delinqüência política que já existiu na América Latina. Tal como no título do famoso romance de Sinclair Lewis, todo mundo acredita que it couldn’t happen here, “isso não poderia acontecer aqui”. Bem, aconteceu.
3. O que quer que se diga contra Obama tem resposta automática: É racismo. A chantagem racial é tão violenta, geral e sistemática, que o simples fato de você dizer que está havendo chantagem racial prova que você é racista. O monopólio da violência verbal fica portanto com os democratas, enquanto os críticos de Obama se resguardam atrás de rodeios e circunlóquios autocastradores.
4. Obama não diz coisa com coisa. Seus discursos, quando não são totalmente vazios de conteúdo, se contradizem uns aos outros com a maior sem-cerimônia – e funcionam exatamente por isso. O conteúdo deles não tem a mínima importância; só serve de excipiente para a substância ativa, constituída de apelos mágicos e mensagens hipnóticas, de modo que após alguns minutos todo mundo está com a inteligência entorpecida ao ponto de aceitar, sem a menor reação crítica, afirmações como esta: “Vocês sentirão uma luz vindo do alto, experimentarão uma epifania e uma voz de dentro lhes dirá: Eu tenho de votar em Barack Obama”. Se o sujeito proclamasse isso por fé espontânea, diriam que é louco. Como o diz no melhor estilo da programação neurolingüística ericksoniana, votam nele para presidente da nação mais poderosa do mundo.
Os efeitos conjugados desses quatro fatores são quase milagres da fé, de um surrealismo atroz: as pesquisas mostram que três entre cada quatro americanos residentes em Israel preferem John McCain, mas três entre cada quatro judeus residentes nos EUA, longe das bombas palestinas e perto de uma TV ligada na CNN, preferem Obama.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Horário eleitoral gratuito... no Orkut
Com a mundança do comportamento e das formas de relacionamento, mudou-se também a forma de se fazer política. Não é difícil encontrar na caixa de e-mails correntes defendendo um ou outro político, e tópicos em comunidades de discussões postados por militantes de um ou outro grupo.
Hoje mesmo recebi em minha página de recados no Orkut duas mensagens. Uma acusando João Castelo de homofobia e outra "acusando" o candidato Flávio Dino de ter firmado aliança com José Sarney.
Vamos lá! Vamos lá! Quem mandar mais scraps ganha a eleição!
Hoje mesmo recebi em minha página de recados no Orkut duas mensagens. Uma acusando João Castelo de homofobia e outra "acusando" o candidato Flávio Dino de ter firmado aliança com José Sarney.
Vamos lá! Vamos lá! Quem mandar mais scraps ganha a eleição!
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Quem sai pior na foto
O segundo turno em São Luís mal começou e os jornais da cidade já começam a demonstrar discretamente suas preferências. Um caso que exemplifica bem isso são as fotos dos candidatos publicadas nas edições diárias dos jornais. A edição de ontem de O Estado do Maranhão é uma boa mostra da tentativa burlesca dos jornais de queimarem o filme de quem eles não apóiam.
Na capa, temos uma bela foto de Flávio Dino abraçando eleitores e uma foto de Castelo mal encarado, apontando para cima.

Na segunda página, temos a mesma bela foto (colorida) de Flávio Dino, mostrando seu lado mais meigo e fraterno, e na terceira página temos uma foto (preto e branco) de Castelo, ao lado de um de seus novos apoios, Cléber Verde, novamente com cara de mal. E como se não bastasse, Cléber Verde também aparece com cara de quem não dormiu direito.
Assim fica fácil saber quem está apoiando quem.
Na capa, temos uma bela foto de Flávio Dino abraçando eleitores e uma foto de Castelo mal encarado, apontando para cima.

Na segunda página, temos a mesma bela foto (colorida) de Flávio Dino, mostrando seu lado mais meigo e fraterno, e na terceira página temos uma foto (preto e branco) de Castelo, ao lado de um de seus novos apoios, Cléber Verde, novamente com cara de mal. E como se não bastasse, Cléber Verde também aparece com cara de quem não dormiu direito.Assim fica fácil saber quem está apoiando quem.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
O Viajante Magnífico
Há algum tempo tinha a intenção de postar esse trecho aqui. Havia grifado, separado, e por fim esquecido. Mas eis que relendo um artigo de Wolfgang Smith me atinge o fato de que grande parte do enredo de O Viajante Magnifíco (download disponível no link), livro de Yves Simon, gira precisamente sobre a bifurcação descrita por Smith. Hora de reler alguns trechos do livro, e aproveito para finalmente postar este que segue.
Na noite anterior, durante o seu itinerário café-esplanada do hotel, ruas de Nairobi, bar do hotel, ela contara-lhe o que acontecera na região aonde se dirigiam.
“... Alterações geológicas importantes tinham provocado uma mudança ecológica. As montanhas recentemente formadas detiveram as chuvas vindas do oeste, e a floresta começou a desaparecer das regiões baixas para ceder o lugar à savana”.
“Uma parte dos macacos permaneceram nas montanhas e continuaram, de árvore em árvore, a comer frutos, folhas, bagas. Outros, que já nesse momento tinham deixado de ser autênticos macacos, mas ainda não eram homens, desceram até à planície. Foi aí que se deu o disparo... Um disparo que iria prolongar-se por vários milhares de anos. Para lobrigarem de longe não só a caça, mas também os perigos e provavelmente para se orientarem, eles começaram a aprumar-se. Para comerem melhor, os homens-macacos tornavam-se caçadores, e estar de pé tornara-se uma necessidade vital”.
Sucedeu-se uma longa pausa em que Adrien nada disse.
Beberricava uma atroz beberagem açucarada e picante à base de vodca que tinha sido misturada com um xarope de frutas de um verde fosforescente. Sentia-se ali com Maureen, ouvira o que ela acabava de dizer, mas estava ao mesmo tempo cinco milhões de anos atrás. Como se saísse então de um longo devaneio, pronunciou a custo: “Não consigo convencer-me de que foi unicamente... uma necessidade física que fez desencadear tudo... É... irrisório”.
Maureen não ficou impressionada com esta recusa de acreditar. Tratou logo de acrescentar que se tratava de uma explicação, na ocorrência a de Coppens, que ela achava não só plausível, mas também a mais convincente. É claro que já houvera mutações genéticas anteriores susceptíveis de permitir esta aprumação.
Numa voz sempre muito doce, lenta, ele continuou, como se ela o não tivesse interrompido: “Uma necessidade física...”.
- Você contou-me há bocado a tal história dos hipopótamos...
Sabe perfeitamente que os animais não olham para o céu, e quando levantam a cabeça na sua direcção, é fechando os olhos para bramir com toda a força... E se o homem, esse, se tivesse aprumado para olhar a beleza do céu, de olhos muito abertos, fascinado pelo azul, a imensidade e o mistério das estrelas...
Um desejo de imensidade... Como se urgisse, um dia, ligar o céu à terra, unir a força da gravidade ao infinito, a lama dos caminhos ao esplendor do firmamento... Os primeiros homens aprumaram os seus corpos, elevando-se na ponta dos pés, de braços estendidos para partir à conquista do céu... - é uma explicação com mais piada, não acha?
- Uma linda explicação poético-animista! Tudo está em tudo, os homens, a natureza, confundem-se... Sou uma cientista e todo o conhecimento em ciência se baseia no postulado da objectividade. A natureza é objectiva e o homem está sozinho no meio dela. Sozinho.
- Não faça troça. Você é cientista... e eu tenho-a em alta estima; é verdade que, nos últimos três séculos, a ciência é que produziu o nosso poderio de hoje, e nós sentimos, com justa razão, orgulho pelos seus êxitos... Mas tornou-se uma droga. Fora dela não há a mínima salvação. Ora, sabe muito bem que este poder teve de ser extorquido a sacerdotes que, mostrando-se bons diplomatas e lúcidos, depois de haverem resistido durante muito tempo, se puseram finalmente a ver com bons olhos que os cientistas se arrogassem o profano contanto que não tocassem no sagrado, que podia assim quedar-se seu domínio reservado. Mas hoje que Deus e os respectivos sacerdotes estão ausentes, e que vós ocupastes os seus lugares vagos, deixe-me imaginar que a vossa posição é tão precária quanto a deles e talvez um dia venha da mesma forma a desaparecer.
- Não gosta dos cientistas.
- Pois não, quando eles pretendem ser os únicos a ter razão, como se houvesse uma única fonte de verdade, a deles, quando afinal séculos de ciência não lograram extirpar dos nossos corpos o sublime, o sagrado, o desejo de infinito... Eu não me importo de ser um cigano do universo, de errar à superfície de um mundo indiferente, como um estrangeiro, e ninguém me tirará o desejo que tenho de conhecer ou de imaginar o que me liga a tudo, ao universo, aos seres, de sonhar todos os possíveis impossíveis... Fizestes-nos acreditar que estávamos em pleno progresso, ao passo que nos vemos reduzidos a ser pequenas coisas esmagadas pela tecnicidade, tudo se desagrega em nós, em torno de nós, e sobrevivemos dia após dia tendo esquecido a vida...
- A vida...
- Sim, a vida, ter tesão, folgar, acreditar, mentir, fruir, chorar, desejar... Adorar Tennessee Williams... Ser insensato...
Ele fora excessivo e tinham ambos ficado por ali. Fazia-se tarde. Ele receou ter melindrado Maureen e, ao levantar-se, passou-lhe o braço pelos ombros.
- Continue a procurar as suas tíbias, as suas maxilas, a espessura do esmalte nos dentes, é importante. Mas tenha a bondade de me escutar também quando eu digo que o homem se aprumou porque se pôs a olhar e a acreditar no céu.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Coincidência?
Em um post anterior eu já havia alertado sobre o aumento da grana despejada pela Fundação Ford no Instituto Sou da Paz, para os anos de 2008 e 2009. Vinha perturbação pela frente. Parece que começou. Acabo de ler pelo Mídia sem Máscara que a união iniciou mais uma campanha de desarmamento.
Foi o sinal. É questão de tempo agora até as ONGs, obesas de verbas vindas de grupos internacionais, começarem a sua parte no serviço.
Foi o sinal. É questão de tempo agora até as ONGs, obesas de verbas vindas de grupos internacionais, começarem a sua parte no serviço.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Palin Goes On

Como previu Olavo de Carvalho em seu programa de rádio, Sarah Palin será a vice presidente de McCain. Não perdeu, claro, a oportunidade de zombar no último programa: "esses outros comentaristas políticos do Brasil nunca tinham ouvido falar de Sarah Palin". Ele tem razão. Mas o melhor é que, finalmente, desfez-se a amarga impressão que eu tinha quando casualmente assistia algum jornal à noite: a de que, quem quer que acompanhasse as eleições americanas apenas através da mídia tupiniquim, teria a impressão de que Obama fazia campanha presidencial contra ninguém, ou melhor, contra um suposto sentimento personificado. Como se Obama apenas precisasse "vencer o preconceito americano". Mas enfim a mídia brasileira descobriu Sarah Palin, descobriu que será vice de um tal McCain.
Mal descobriram a fotogênica moça, que mesmo aos 44 anos merece o predicado de moça, e já começou a enxurrada de bobagens e meias verdades, repercutidas no Brasil diretamente da grande mídia americana. Um jornal ontem a noite anunciava que a campanha de McCain tentará convencer os eleitores que mesmo Sara Palin tem mais experiência política que Obama. Ora, convencer? Assim, como se a campanha fosse usar meramente a retórica? Custava aos grandes jornalistas que fizeram a matéria, evitando essa abordagem oblíqua de "fulano disse que disse", recorrer aos fatos e mostrar a carreira política de Palin e Obama? Se o problema era o tempo, que tal dizer em uma curta frase: "Palin tem 16 anos de carreira política, Obama tem 3".
Dando sequência a pataquada, a matéria propaga o que a imprensa americana e o partido democrata desejou ingenuamente que fosse um escândalo no sentido puro da palavra, a gravidez da filha de 17 anos de Sarah Palin. Não sei como o público brasileiro recebe essa história da gravidez da filha de Palin, mas isso não importa neste texto, e importa menos ainda para as eleições presidenciais americanas. Passemos para a análise da repercussão da história nos EUA.
Hugh Hewitt (famoso comentarista político americano) afirmou na segunda-feira, em seu programa de rádio diário, que as "denúncias" sobre o caso partiram inicialmente de um site linkado ao site oficial da candidatura do Obama. Tentei confirmar a informação, mas ela já está tão difundida pela internet que me parece impossível saber agora de onde surgiu. Mas o que nos importa aqui é que, sendo ou não a divulgação da gravidez da filha de Palin fruto da campanha de Obama, ela está saindo como um belo de um tiro de canhão no pé democrata. Sim, parece ser ruim para a imagem de um político conservador o fato de sua filha menor de idade estar grávida, mas os resultados estão ao avesso do esperado. Desde que a história vazou só o que ouvi nos programas de rádio americanos são ouvintes conservadores dizendo-se maravilhados com o fato de que filha de Palin vai se casar com o namorado. Sempre comentam o exemplo de educação e responsabilidade que está sendo dado aos jovens dos EUA. Mais importante ainda: comentam como pela segunda vez Palin prova, com exemplo de vida, o quanto é pro-life.
Mas o mais interessante nessa história é como os efeitos da gravidez da filha de Palin foram inversos aos esperados pelos "liberals". Na visão caricatural do esquerdista americano (e brasileiro), a notícia provocou um escândalo contra Palin, um xilique das mães e pais de família americanos, que agora declaram com horror como a vice de McCain é hipócrita por dizer-se conservadora e a favor do sexo apenas após o casamento. Mas nota-se com clareza que este pensamento pertence majoritariamente aos "looney liberals" e seu ódio costumeiro. Quando sairem do frenesi espumante, e cessarem o efeito de seus múltiplos orgasmos sombrios, vão olhar em volta e notar que os conservadores americanos demonstraram-se compreensivos com as circunstâncias da vida, pois compreendem as dificuldade que enfrentam os pais hodiernos.
O quase uníssono da convenção Republicana em favor de Palin era bonito de se ver. A popularidade da moça cresce vertiginosamente, e deve alcançar seu pico em dezembro, quando a mídia explorar o nascimento de sua netinha.
A filha de Palin engravidou aos 17. Ato irresponsável. Mas tanto ela quanto seu namorado assumiram o erro, maduramente assumiram o filho e o casamento. A lição que fica é que os conservadores podem ser rígidos moralmente, podem condenar vividamente o "vitium", mas acima de tudo admiram aqueles capazes de assumirem a responsabilidade que lhes cabe.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Todos Pela Educação chega à mídia
Do Portal da Propaganda
Quase em sincronia com o tão agradável horário político, começou na noite desta terça-feira, 19 de agosto, uma campanha a favor dos melhores candidatos à Prefeitura de cada um dos municípios brasileiros. E quais seriam eles? Aí cabe a nós mesmos descobrirmos, incentivados pela iniciativa “No ar todos pela educação”, uma parceria iniciada entre o movimento Todos pela Educação e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que recebeu o reforço de entidades, empresas e milhares de veículos, entre eles, os principais canais de TV aberta de nosso país.
“Poucos sabem que é de responsabilidade dos municípios e de seus representantes a Educação Infantil e boa parte do Ensino Fundamental. E é na eleição que decidimos quem será encarregado por essa primordial tarefa”, destaca Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do Todos pela Educação, reforçando que “não basta apenas construir escolas, mas o que queremos é um ensino de qualidade”.
Como em toda boa causa, é impossível decorar a lista completa de colaboradores em razão do grande número de participantes, tendo, entre as associações, Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), GPR (Grupo dos Profissionais de Rádio), ANJ (Associação Nacional de Jornais), IAB Brasil (Internatinal Advertising Bureau), ABTU (Associação Brasileira de TVs Universitárias) e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
[...]
Para que as mensagens chegassem, com facilidade, a todos os eleitores brasileiros, Rede Globo, Rede Record, TV Cultura, SBT, RedeTV! e TV Bandeirantes, assim como suas afiliadas, não apenas cederam seus espaços, mas também seus mais carismáticos ou respeitáveis profissionais para protagonizar os 24 filmes que dão início à campanha. Entre eles estão Ana Maria Braga, Luciano Huck, Ana Hickman, Eliana, Antônio Abujamra, o personagem Júlio do programa Cocoricó, Renata Maranhão, Marcelo Rezende, Raul Gil, Otávio Mesquita, Thomas Roth e Cris Poli – a mais que educativa Super Nanny.
[...]
----------------------------------------------------------------------------------
Responda rápido: diante de toda essa mobilização, quem vai educar os educadores brasileiros, que estão entre os piores do mundo?

Ana Maria Braga?

Ana Hickman?

Otávio Mesquita?

Ou o personagem Júlio, do Cocoricó?
Piadas à parte, a sociedade civil tomar para si as preocupações com a educação já é um grande avanço.
Quase em sincronia com o tão agradável horário político, começou na noite desta terça-feira, 19 de agosto, uma campanha a favor dos melhores candidatos à Prefeitura de cada um dos municípios brasileiros. E quais seriam eles? Aí cabe a nós mesmos descobrirmos, incentivados pela iniciativa “No ar todos pela educação”, uma parceria iniciada entre o movimento Todos pela Educação e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que recebeu o reforço de entidades, empresas e milhares de veículos, entre eles, os principais canais de TV aberta de nosso país.
“Poucos sabem que é de responsabilidade dos municípios e de seus representantes a Educação Infantil e boa parte do Ensino Fundamental. E é na eleição que decidimos quem será encarregado por essa primordial tarefa”, destaca Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do Todos pela Educação, reforçando que “não basta apenas construir escolas, mas o que queremos é um ensino de qualidade”.
Como em toda boa causa, é impossível decorar a lista completa de colaboradores em razão do grande número de participantes, tendo, entre as associações, Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), GPR (Grupo dos Profissionais de Rádio), ANJ (Associação Nacional de Jornais), IAB Brasil (Internatinal Advertising Bureau), ABTU (Associação Brasileira de TVs Universitárias) e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
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Para que as mensagens chegassem, com facilidade, a todos os eleitores brasileiros, Rede Globo, Rede Record, TV Cultura, SBT, RedeTV! e TV Bandeirantes, assim como suas afiliadas, não apenas cederam seus espaços, mas também seus mais carismáticos ou respeitáveis profissionais para protagonizar os 24 filmes que dão início à campanha. Entre eles estão Ana Maria Braga, Luciano Huck, Ana Hickman, Eliana, Antônio Abujamra, o personagem Júlio do programa Cocoricó, Renata Maranhão, Marcelo Rezende, Raul Gil, Otávio Mesquita, Thomas Roth e Cris Poli – a mais que educativa Super Nanny.
[...]
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Responda rápido: diante de toda essa mobilização, quem vai educar os educadores brasileiros, que estão entre os piores do mundo?

Ana Maria Braga?

Ana Hickman?

Otávio Mesquita?

Ou o personagem Júlio, do Cocoricó?
Piadas à parte, a sociedade civil tomar para si as preocupações com a educação já é um grande avanço.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Abandono intelectual
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio (editorial), 31 de julho de 2008
O governo quer mandar à cadeia, por delito de "abandono intelectual", todo pai ou mãe de família que tente dar instrução a seus filhos em casa em vez de deixá-los à mercê do primeiro agitador comunista, chavista, gayzista, ateísta ou abortista encarregado oficialmente de pervertê-los sob a desculpa de educá-los.
O Código Penal Brasileiro assim define aquele crime: "Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar." Em nenhuma parte do Código está dito que educar as crianças em casa é privá-las de instrução.
Quer o governo persuadir-nos de que aquele que se incumbe de educar seus próprios filhos, provendo-lhes os conhecimentos, tomando-lhes lições, zelando todo dia pelo seu progresso nos estudos, assume pela instrução deles uma responsabilidade menor do que aquele que simplesmente os deixa num ponto de ônibus, ao alcance de quantos ladrões, estupradores e narcotraficantes se encontrem à espera deles no trajeto até à porta da escola ou mesmo dentro dela?
Notem bem. O Ministério da Educação foi fundado em 1930. É mais velho do que 95 por cento dos nossos conterrâneos. Mais velho do que praticamente todas as empresas particulares em operação no país. Que resultados obteve nessa longa existência? De 2001 até hoje, nossos estudantes secundários tiram sistematicamente os últimos lugares no Pisa – Programa internacional de avaliação promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas como poderia ser diferente, se o próprio MEC reconhece que 66 por cento dos professores não têm formação adequada? Ou seja: em 78 anos de esforços, o MEC deu provas cabais da sua incapacidade não só para prover uma educação de bom nível, mas até para formar os agentes encarregados de fazê-lo. Ele não é capaz de educar nem mesmo os educadores, quanto mais as crianças.
Que autoridade moral ou intelectual tem essa instituição para ditar regras sobre o que é educação e o que não é?
O presente ministro da Educação é muito elogiado por seus planos. Todos os seus antecessores também foram. E os frutos desses planos estão à vista de todos.
O sr. Fernando Haddad pode ter os talentos que bem entenda: o fato é que nunca educou ninguém – nem mesmo a si próprio. Vejam o currículo do homem: é só marxismo de alto a baixo. Depois que subiu ao Ministério, veio com umas conversas de pluralismo, de neutralidade ideológica. Por que não pensou nisso antes? Por que nunca deu o menor sinal de interessar-se pelo que quer que estivesse fora do estreito círculo de atenção da militância comunista?
Eu, que já eduquei várias centenas de jovens brasileiros e os tornei capazes de um confronto intelectual vantajoso com qualquer de seus professores universitários, não entregaria jamais um filho meu para ser educado pelo sr. Haddad, nem aliás por qualquer dos que o antecederam no cargo nos últimos vinte ou trinta anos.
Sugeri, e volto a fazê-lo, um Pisa, um teste internacional para os professores universitários, para os ministros da Educação. Se é verdade que pelos frutos os conhecereis, tenho a certeza de que os gênios do planejamento educacional brasileiro não obterão melhor classificação que a daqueles que eles educaram. Não há abandono intelectual mais danoso, triste e desesperançado, do que entregar nossos filhos aos cuidados dessas pessoas. Vejam este vídeo, por exemplo -- http://www.youtube.com/watch? v=cSA239vNRGQ --, e digam se estou exagerando.
Será que não está na hora de contestar a idéia mesma de que um grupo de cérebros iluminados, pagos com dinheiro público, tenha a capacidade de planejar a educação de todo um país de dimensões continentais?
Será que não está na hora de tentar a única idéia que nunca foi tentada, isto é desregulamentar e desburocratizar a educação brasileira, reservar ao governo um papel meramente auxiliar na educação, deixar que a própria sociedade tenha o direito de ensaiar soluções, criar alternativas, aprender com a experiência?
Não, não se trata de voltar à velha disputa de escola pública versus escola privada. O que importa não é quem é o dono da escola, é o que nela se ensina. E o que nela se ensina será sempre ruim enquanto as decisões sobre as normas e padrões da educação estiverem nas mãos de políticos, de burocratas, de agitadores e manipuladores.
Diário do Comércio (editorial), 31 de julho de 2008
O governo quer mandar à cadeia, por delito de "abandono intelectual", todo pai ou mãe de família que tente dar instrução a seus filhos em casa em vez de deixá-los à mercê do primeiro agitador comunista, chavista, gayzista, ateísta ou abortista encarregado oficialmente de pervertê-los sob a desculpa de educá-los.
O Código Penal Brasileiro assim define aquele crime: "Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar." Em nenhuma parte do Código está dito que educar as crianças em casa é privá-las de instrução.
Quer o governo persuadir-nos de que aquele que se incumbe de educar seus próprios filhos, provendo-lhes os conhecimentos, tomando-lhes lições, zelando todo dia pelo seu progresso nos estudos, assume pela instrução deles uma responsabilidade menor do que aquele que simplesmente os deixa num ponto de ônibus, ao alcance de quantos ladrões, estupradores e narcotraficantes se encontrem à espera deles no trajeto até à porta da escola ou mesmo dentro dela?
Notem bem. O Ministério da Educação foi fundado em 1930. É mais velho do que 95 por cento dos nossos conterrâneos. Mais velho do que praticamente todas as empresas particulares em operação no país. Que resultados obteve nessa longa existência? De 2001 até hoje, nossos estudantes secundários tiram sistematicamente os últimos lugares no Pisa – Programa internacional de avaliação promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas como poderia ser diferente, se o próprio MEC reconhece que 66 por cento dos professores não têm formação adequada? Ou seja: em 78 anos de esforços, o MEC deu provas cabais da sua incapacidade não só para prover uma educação de bom nível, mas até para formar os agentes encarregados de fazê-lo. Ele não é capaz de educar nem mesmo os educadores, quanto mais as crianças.
Que autoridade moral ou intelectual tem essa instituição para ditar regras sobre o que é educação e o que não é?
O presente ministro da Educação é muito elogiado por seus planos. Todos os seus antecessores também foram. E os frutos desses planos estão à vista de todos.
O sr. Fernando Haddad pode ter os talentos que bem entenda: o fato é que nunca educou ninguém – nem mesmo a si próprio. Vejam o currículo do homem: é só marxismo de alto a baixo. Depois que subiu ao Ministério, veio com umas conversas de pluralismo, de neutralidade ideológica. Por que não pensou nisso antes? Por que nunca deu o menor sinal de interessar-se pelo que quer que estivesse fora do estreito círculo de atenção da militância comunista?
Eu, que já eduquei várias centenas de jovens brasileiros e os tornei capazes de um confronto intelectual vantajoso com qualquer de seus professores universitários, não entregaria jamais um filho meu para ser educado pelo sr. Haddad, nem aliás por qualquer dos que o antecederam no cargo nos últimos vinte ou trinta anos.
Sugeri, e volto a fazê-lo, um Pisa, um teste internacional para os professores universitários, para os ministros da Educação. Se é verdade que pelos frutos os conhecereis, tenho a certeza de que os gênios do planejamento educacional brasileiro não obterão melhor classificação que a daqueles que eles educaram. Não há abandono intelectual mais danoso, triste e desesperançado, do que entregar nossos filhos aos cuidados dessas pessoas. Vejam este vídeo, por exemplo -- http://www.youtube.com/watch? v=cSA239vNRGQ --, e digam se estou exagerando.
Será que não está na hora de contestar a idéia mesma de que um grupo de cérebros iluminados, pagos com dinheiro público, tenha a capacidade de planejar a educação de todo um país de dimensões continentais?
Será que não está na hora de tentar a única idéia que nunca foi tentada, isto é desregulamentar e desburocratizar a educação brasileira, reservar ao governo um papel meramente auxiliar na educação, deixar que a própria sociedade tenha o direito de ensaiar soluções, criar alternativas, aprender com a experiência?
Não, não se trata de voltar à velha disputa de escola pública versus escola privada. O que importa não é quem é o dono da escola, é o que nela se ensina. E o que nela se ensina será sempre ruim enquanto as decisões sobre as normas e padrões da educação estiverem nas mãos de políticos, de burocratas, de agitadores e manipuladores.
sábado, 26 de julho de 2008
Ponto final
Parece-me que ganhou grande repercusão a declaração do prefeito Tadeu Palácio de que a bancada parlamentar maranhense na Câmara dos Deputados não trabalhou pela capital. Com a falta de um debate político embasado em nossas eleições, é comum que acusações soltas ao vento ganhem mais importância do que deveriam. Para acabar de vez com a discussão, veja com seus os próprios olhos os dados dos deputados federais maranhenses que concorrem à prefeitura de São Luís e confira quem está com a razão e quem trabalhou mais.

Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Flávio Dino.

Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Waldir Maranhão.

Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Gastão Vieira.

Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Flávio Dino.

Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Waldir Maranhão.

Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Gastão Vieira.
O presidente da guerra
Segundo ele, envolvimentos em conflitos estrangeiros, onde há interesses em jogo, sempre foram comuns em países considerados superpotências de sua época. Assim foi com a Inglaterra, no século XIX e início o século XX, e assim está sendo com os EUA, desde o fim da Segunda Guerra.
Zakaria ainda ironiza a guerra contra o terrorismo. Diz que, agora, está mais parecida com uma cold war, em referência à Guerra Fria, do que com uma hot war. Isso se deve ao esforço conjunto que vários países fizeram contra o terrorismo desde o 11 de setembro e ao constante declinío dos grupos extremistas islâmicos desde a época, que hoje, por não terem apelo às massas, sofrem repúdio da maior parte do mundo mulçumano. Argumentos como esses reforçam a tese de que manifestações "fora Bush" no mundo todo, como as que aconteceram no Brasil com a sua vinda, são mais reflexo da imagem que o próprio Bush criou de si mesmo e da intensa exploração da mídia sobre os conflitos em que se envolveu em seu mandato, do que propriamente de seus procedimentos na presidência dos EUA.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Onde foi parar a agenda

Descobriram que o mundo passa fome, e Fernando Borges nos pergunta:
"Que fim levou o aquecimento global, que iria destruir o planeta em dois tempos?"
domingo, 13 de julho de 2008
As campanhas começaram
As campanhas municipais começaram. E com elas, a poluição visual e sonora em São Luis. Carros de som percorrem toda a cidade e fotos dos candidatos são espalhados em cartazes. Você não sabe o quanto foi desagradável realizar minha caminhada dominical pela Avenida Litorânea ao som das músicas de campanha de Clodomir Paz. Eram dezenas de carros de som. Dezenas, não. Centenas. Milhares. Vinham um atrás do outro. A música não parava nunca. Confesso que em meio aquela lavagem cerebral quase cogitei em votar nele.
Bebendo uma água-de-côco para descansar, já de saco cheio daquilo, subo a ladeira a caminho de casa, quando, de repente, vejo quatro ônibus "Clodomir 12", cheios de vermelhinhos.
Multidão descia em direção à praia. Uns reclamavam do sol que teriam que pegar. Outros discutiam o que fariam após o "expediente". Alguns dos uniformizados vestiam uma camisa vermelha, com gola amarela, estampando o número 12 e portando bandeiras vermelhas com o número do partido. Outros vestiam uma camisa vermelha onde tinha escrito: "Todo poder aos núcleos de base".
Os ônibus estavam estacionados no alto da ladeira e a multidão descia a pé. Umas cem pessoas. Nenhum dos ônibus vinha lotado. Enquanto eles desciam, passavam, ao mesmo tempo, três carros-de-som de João Castelo tocando as músicas de campanha, que são ainda piores que as de Clodomir Paz. Os vermelhinhos vaiaram. E com razão. O motorista do carro-de-som, demonstrando todo o seu fair play, desligou a música.
Não sei até onde ações como essa refletem positivamente na candidatura de alguém. Com certeza fixam a imagem do candidato, mas não decidem votos. Votos são decididos por uma série de fatores, que incluem: simpatia pelo candidato, avaliação das propostas, clima político, apoios e vantagens pessoais. Pelo menos os eleitores ficam por horas com a música na cabeça. Mas se eu fosse votar pelas canções, não votaria.
Bebendo uma água-de-côco para descansar, já de saco cheio daquilo, subo a ladeira a caminho de casa, quando, de repente, vejo quatro ônibus "Clodomir 12", cheios de vermelhinhos.
Multidão descia em direção à praia. Uns reclamavam do sol que teriam que pegar. Outros discutiam o que fariam após o "expediente". Alguns dos uniformizados vestiam uma camisa vermelha, com gola amarela, estampando o número 12 e portando bandeiras vermelhas com o número do partido. Outros vestiam uma camisa vermelha onde tinha escrito: "Todo poder aos núcleos de base".
Os ônibus estavam estacionados no alto da ladeira e a multidão descia a pé. Umas cem pessoas. Nenhum dos ônibus vinha lotado. Enquanto eles desciam, passavam, ao mesmo tempo, três carros-de-som de João Castelo tocando as músicas de campanha, que são ainda piores que as de Clodomir Paz. Os vermelhinhos vaiaram. E com razão. O motorista do carro-de-som, demonstrando todo o seu fair play, desligou a música.
Não sei até onde ações como essa refletem positivamente na candidatura de alguém. Com certeza fixam a imagem do candidato, mas não decidem votos. Votos são decididos por uma série de fatores, que incluem: simpatia pelo candidato, avaliação das propostas, clima político, apoios e vantagens pessoais. Pelo menos os eleitores ficam por horas com a música na cabeça. Mas se eu fosse votar pelas canções, não votaria.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Brain-Dead Liberals
Cinturão Vermelho. Quero assistir esse filme. Não porque fala sobre jiu jitsu ou porque tem brasileiros no elenco. Estou me lixando para Rodrigo Santoro. O que me fez querer vê-lo foi simplesmente um artigo escrito por David Mamet, diretor do filme, em março para o Village Voice. O título é Why I Am No Longer a 'Brain-Dead Liberal'.
No artigo, ele fala como as idéias da velha esquerda não correspondem mais a realidade e, cintando Keynes, explica, "when the facts change, I change my opinion".
Assistirei o filme não porque acho que lá verei uma exaltação ao capital privado ou o triunfo do individualismo. O filme, com certeza, não tem nada a ver com o artigo ou com o pensamento político dele. Quem gosta de politizar a vida são justamente os Brain-Dead Liberals.
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Clique aqui para ler o artigo de David Mamet.
P.S.: Liberal, no inglês dos EUA, equivale a esquerdista, em português brasileiro, não a liberal, como podem alegar alguns conhecedores do ingrês.
No artigo, ele fala como as idéias da velha esquerda não correspondem mais a realidade e, cintando Keynes, explica, "when the facts change, I change my opinion".
Assistirei o filme não porque acho que lá verei uma exaltação ao capital privado ou o triunfo do individualismo. O filme, com certeza, não tem nada a ver com o artigo ou com o pensamento político dele. Quem gosta de politizar a vida são justamente os Brain-Dead Liberals.
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Clique aqui para ler o artigo de David Mamet.
P.S.: Liberal, no inglês dos EUA, equivale a esquerdista, em português brasileiro, não a liberal, como podem alegar alguns conhecedores do ingrês.
domingo, 29 de junho de 2008
Esquerda
Por JP Coutinho
A grande vantagem da esquerda sobre a direita está na sua conhecida e alegada superioridade moral. A direita é viciosa; a esquerda, mesmo quando é viciosa, age de consciência pura. E tem sempre o benefício da dúvida. Isso é visível nos grandes exemplos e nos pequenos exemplos.
Grandes exemplos? A comparação entre o comunismo e o fascismo, comparação que muitos consideram intolerável. E intolerável, dizem, porque existe no comunismo uma nobreza ideológica que não existe no fascismo. Que ambas sejam, na verdade, ideologias utópicas e revolucionárias, que transportam de forma igual um incomportável preço de sofrimento e desumanidade, eis um pormenor que não incomoda o lirismo dos idiotas.
E, nos pequenos exemplos, basta olhar para certos comportamentos do governo de Gordon Brown, em Inglaterra, e de Zapatero, em Espanha. Que têm feito estes dois paladinos da esquerda moderna?
Coisas muito interessantes. Em Inglaterra, o Governo pretende aprovar um pacote legislativo destinado a combater a criminalidade pela humilhação pública dos criminosos.
A medida pretende espalhar nas ruas "posters" com o rosto do condenado, no melhor estilo Faroeste; e, em caso de sentenças comunitárias, o criminoso será obrigado a usar traje identificativo nas ruas, uma ideia gloriosa que os judeus conheceram na Alemanha do Terceiro Reich.
Mas extraordinária é a medida de Zapatero para combater a imigração indesejada. Enquanto o dr. Paulo Portas, com típica insensibilidade, pretende fechar as fronteiras aos imigrantes excedentários, Zapatero prefere suborná-los: a partir de Julho, Madrid vai pagar a um milhão de almas para que desampare a loja, renuncie ao contrato de residência (e de emprego) e não volte a aparecer em Espanha nos próximos três anos.
Eu, se fosse o dr. Portas, mudava o nome ao partido e surgia publicamente como um "esquerdista regenerado". Depois, e só depois, seria possível defender todos os atropelos políticos, liberais e humanitários perante o aplauso comovido e grato da Humanidade.
A grande vantagem da esquerda sobre a direita está na sua conhecida e alegada superioridade moral. A direita é viciosa; a esquerda, mesmo quando é viciosa, age de consciência pura. E tem sempre o benefício da dúvida. Isso é visível nos grandes exemplos e nos pequenos exemplos.
Grandes exemplos? A comparação entre o comunismo e o fascismo, comparação que muitos consideram intolerável. E intolerável, dizem, porque existe no comunismo uma nobreza ideológica que não existe no fascismo. Que ambas sejam, na verdade, ideologias utópicas e revolucionárias, que transportam de forma igual um incomportável preço de sofrimento e desumanidade, eis um pormenor que não incomoda o lirismo dos idiotas.
E, nos pequenos exemplos, basta olhar para certos comportamentos do governo de Gordon Brown, em Inglaterra, e de Zapatero, em Espanha. Que têm feito estes dois paladinos da esquerda moderna?
Coisas muito interessantes. Em Inglaterra, o Governo pretende aprovar um pacote legislativo destinado a combater a criminalidade pela humilhação pública dos criminosos.
A medida pretende espalhar nas ruas "posters" com o rosto do condenado, no melhor estilo Faroeste; e, em caso de sentenças comunitárias, o criminoso será obrigado a usar traje identificativo nas ruas, uma ideia gloriosa que os judeus conheceram na Alemanha do Terceiro Reich.
Mas extraordinária é a medida de Zapatero para combater a imigração indesejada. Enquanto o dr. Paulo Portas, com típica insensibilidade, pretende fechar as fronteiras aos imigrantes excedentários, Zapatero prefere suborná-los: a partir de Julho, Madrid vai pagar a um milhão de almas para que desampare a loja, renuncie ao contrato de residência (e de emprego) e não volte a aparecer em Espanha nos próximos três anos.
Eu, se fosse o dr. Portas, mudava o nome ao partido e surgia publicamente como um "esquerdista regenerado". Depois, e só depois, seria possível defender todos os atropelos políticos, liberais e humanitários perante o aplauso comovido e grato da Humanidade.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Estamos de olho
Acabaram as eleições para DCE da UFMA. A chapa 3, que, de longe, fez a melhor campanha, venceu. E venceu de forma avassaladora. Quase 700 votos de diferença. Da chapa 2, só sobraram os cartazes nas paredes. Da chapa 1, nem isso.
Terminada a empolgação do pleito, os debates calourosos e os discursos apaixonados, só resta agora o trabalho que têm pela frente. Eles souberam se organizar para ganhar votos. Os cartazes, adesivos, camisas e walktalks demonstraram isso. Vamos saber agora se sabem se organizar para gerir um Diretório. Eu falei "gerir"? Sim, falei.
As outras chapas trouxeram propostas políticas. A chapa 3 nos troxe propostas estruturais. Extensão, pesquisa, esporte, cultura, comunicação etc. Menos mal. Na verdade, é bem melhor que só quer o DCE para lutar por um "futuro melhor", organizar manifestações, piquetes, barricadas e qualquer outro troço subversivo de 200 anos atrás.
A "Somos quem podemos ser" é bem eclética. Tem membros do PT, PCdoB e PSDB. Superar as divergências politico-ideológicas para se pensar numa UFMA para todos já é um grande avanço. Não sei se eles cumprirão suas promessas. Pouco me importa. Tirar a UFMA de 1968 já está bom demais para mim.
Terminada a empolgação do pleito, os debates calourosos e os discursos apaixonados, só resta agora o trabalho que têm pela frente. Eles souberam se organizar para ganhar votos. Os cartazes, adesivos, camisas e walktalks demonstraram isso. Vamos saber agora se sabem se organizar para gerir um Diretório. Eu falei "gerir"? Sim, falei.
As outras chapas trouxeram propostas políticas. A chapa 3 nos troxe propostas estruturais. Extensão, pesquisa, esporte, cultura, comunicação etc. Menos mal. Na verdade, é bem melhor que só quer o DCE para lutar por um "futuro melhor", organizar manifestações, piquetes, barricadas e qualquer outro troço subversivo de 200 anos atrás.
A "Somos quem podemos ser" é bem eclética. Tem membros do PT, PCdoB e PSDB. Superar as divergências politico-ideológicas para se pensar numa UFMA para todos já é um grande avanço. Não sei se eles cumprirão suas promessas. Pouco me importa. Tirar a UFMA de 1968 já está bom demais para mim.
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