Com alguma sorte, estaremos livres de Lula em:

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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Todos Pela Educação chega à mídia

Do Portal da Propaganda

Quase em sincronia com o tão agradável horário político, começou na noite desta terça-feira, 19 de agosto, uma campanha a favor dos melhores candidatos à Prefeitura de cada um dos municípios brasileiros. E quais seriam eles? Aí cabe a nós mesmos descobrirmos, incentivados pela iniciativa “No ar todos pela educação”, uma parceria iniciada entre o movimento Todos pela Educação e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que recebeu o reforço de entidades, empresas e milhares de veículos, entre eles, os principais canais de TV aberta de nosso país.

“Poucos sabem que é de responsabilidade dos municípios e de seus representantes a Educação Infantil e boa parte do Ensino Fundamental. E é na eleição que decidimos quem será encarregado por essa primordial tarefa”, destaca Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do Todos pela Educação, reforçando que “não basta apenas construir escolas, mas o que queremos é um ensino de qualidade”.

Como em toda boa causa, é impossível decorar a lista completa de colaboradores em razão do grande número de participantes, tendo, entre as associações, Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), GPR (Grupo dos Profissionais de Rádio), ANJ (Associação Nacional de Jornais), IAB Brasil (Internatinal Advertising Bureau), ABTU (Associação Brasileira de TVs Universitárias) e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

[...]

Para que as mensagens chegassem, com facilidade, a todos os eleitores brasileiros, Rede Globo, Rede Record, TV Cultura, SBT, RedeTV! e TV Bandeirantes, assim como suas afiliadas, não apenas cederam seus espaços, mas também seus mais carismáticos ou respeitáveis profissionais para protagonizar os 24 filmes que dão início à campanha. Entre eles estão Ana Maria Braga, Luciano Huck, Ana Hickman, Eliana, Antônio Abujamra, o personagem Júlio do programa Cocoricó, Renata Maranhão, Marcelo Rezende, Raul Gil, Otávio Mesquita, Thomas Roth e Cris Poli – a mais que educativa Super Nanny.

[...]

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Responda rápido: diante de toda essa mobilização, quem vai educar os educadores brasileiros, que estão entre os piores do mundo?


Ana Maria Braga?










Ana Hickman?









Otávio Mesquita?









Ou o personagem Júlio, do Cocoricó?











Piadas à parte, a sociedade civil tomar para si as preocupações com a educação já é um grande avanço.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

"Confronto"? Sim, OK. E Invasão?

Quando ainda moleque, na 4ª série, lembro da minha professora comentando em sala uma invasão recente do MST. Dizia algo do tipo: "Gente, não vamos achar que o MST é um bando de baderneiros e bandidos, é gente muito pobre lutando pelo direito de ter uma terra para trabalhar."

Levei mais de 7 anos para tirar completamente essa merda da cabeça.

Hoje em dia, quando acontecem invasões como as da Fazenda Depósito, em Serra do Sol, recebo apenas informações oblíquas. Que, aliás, são mais do que suficientes. O invasor é quem invadiu, e o proprietário, a vítima, é quem tem a posse legal da terra. Pronto. Pode ser ação do MST, indígena, quilombola, ou pode até mesmo ser ação de 200 freirinhas esguias que, após passarem desastradas pelo arame farpado, tenham corrido, serelepes, segurando crucifixos com uma das mãos, e suspendendo os restos esfarrapados de suas vestes negras com a outra. Chama-se de "invasor" quem invadiu a propriedade e ao episódio refere-se por "invasão". Genial, não? Pois é... mas a mídia isenta da Folha Online parece não entender as coisas dessa forma. Para ela é só um inócuo e generalista "confronto".

Pior ainda. Estava eu aqui lendo:

"Os indígenas foram atacados ontem enquanto trabalhavam na construção de barracos."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u399255.shtml

Aí você vê a imagem de índios trabalhando harmoniosa e pacificamente na construção de barracos quando foram surpreendidos pelos arrozeiros malvados que os "atacaram". Alguma palavra, em todo o corpo da matéria, sobre EM QUE LUGAR os índios estavam construindo esses barracos? Não!

P.S.: Outra coisa bacana é que em uma matéria anterior (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u399120.shtml), a própria Folha diz que os índios estavam montando tendas, não construindo barracos.

domingo, 4 de maio de 2008

A democracia... deles - parte 3

Jornal da Tarde destaca incitação à morte de Olavo de Carvalho na Web
3 de abril de 2003

Do Jornal da Tarde (SP) - O filósofo e jornalista Olavo de Carvalho vai entrar hoje com uma queixa formal no Ministério Público do Rio de Janeiro para que sejam investigadas ameaças de morte contra ele, contidas em textos dos sites brasileiros midiaindependente.org.br e comunismo.com.br.

No domingo, um texto anônimo da ONG Centro de Mídia Independente (CMI) propôs, o fim das discussões com o filósofo para arranjar-lhe um 'fim físico".

"Por que não convocar uma manifestação na frente do local desse curso (onde o filósofo dá aulas), ou melhor, "lavagem cerebral" e, se possível, eliminar fisicamente esse fascista, racista, canalha e miserável?", diz a mensagem.

Olavo dá aulas em quatro capitais brasileiras e no exterior.

O Intitulado "Um pouco mais além do boicote", o texto sugere o boicote e a destruição das duas lojas da Livraria Cultura em São Paulo, que estaria patrocinado o site de artigos de Olavo de Carvalho, o 'Mídia Sem Máscara'.

"Imaginem arregimentar cerca de 200, 300 pessoas armadas de paus, pedras e coquetéis-molotov?"

Outras ameaças, segundo Olavo de Carvalho, foram assinadas pelo pseudônimo Diego Rivera, na página comunismo.com.br. Saber a identidade do autor destas mensagens é o principal objetivo do filósofo, já que, segundo ele, a ONG CMI tem a responsabilidade pelos textos anônimos que publica.

Apontado nos sites como racista e intolerante com os árabes, por apoiar a guerra no Iraque, Olavo de Carvalho já foi casado com uma mulher negra e premiado na Arábia Saudita por um de seus livros. Autor de 'O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras' e 'O Jardim das Aflições', ele é conhecido por defender a interioridade humana contra tiranias coletivas.

Aos 52 anos, ele afirma não estar seguro com as autoridades federais que, segundo ele, foram eleitas com ajuda econômica das Farc. "Morrer não é vergonhoso. Vergonha é viver num país em que só os assassinos têm proteção."

A reportagem tentou falar com os membros da CMI, mas não obteve resposta.

Outros comentários do site da ONG sugerem que a incitação ao 'fim físico' do filósofo foi feita pelo próprio, como sabotagem ao "boicote legítimo"' à Livraria Cultura. A livraria informou que não patrocina o site do filósofo, mas não quis tecer comentários. Sandro Guidalli, jornalista que edita com Olavo a página 'Mídia Sem Máscara' disse que, de fato, não há contratos de publicidade com a livraria. "O banner da livraria está no site por um acordo informal".

http://www.jt.estadao.com.br/editorias/2003/04/03/ger020.html

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Leia também:
A democracia... deles - parte 2
A democracia... deles

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Crimes sem punição: isso te lembra alguma coisa?


O que aconteceria se surgisse no Brasil um movimento pró-pedofilia? Ou um movimento pró-incesto? Terrível, não? Abominável. Mas o que dizer de um movimento pró-maconha? Ele já existe. E tem até um blog.

É crime fazer apologia da maconha. Eles mesmos admitem isso. Segundo os integrantes do Coletivo da Marcha da Maconha, "sua inteção não é fazer apologia da maconha, mas apenas esclarecer a população". E esclarecem dessa forma:

Neste exato momento milhares de pessoas estão fumando em toda parte e, se a polícia fosse se dedicar a todas elas, não teria tempo para cuidar de nenhum outro crime, dos verdadeiros crimes, daqueles dignos desse termo: assassinatos, roubos, estupros, corrupção, seqüestros, violência. Sabe-se que a polícia perde um tempo enorme desde a detenção de uma pessoa com maconha - às vezes apenas com um simples baseado ou bagana -, até terminar de preencher toda a papelada na delegacia para que o "maconheiro"? compareça mais tarde ao juizado – que por sua vez tem coisas mais urgentes pra julgar.


Segundo a lógica do autor desta belíssima argumentação, que só podia ser mesmo a argumentação de alguém com os sentidos já alterados belo uso de drogas, não devemos julgar alguém por um crime quando se tem coisa melhor para fazer. "O cara tá só queimando um baseado, morô, deixa ele em paz, chefia!". Preencher papelada na delegacia é chato? Ele deve saber...

Fazer apologia à maconha é crime. Cosumi-la também. Pessoas que são autuadas portando a droga, mesmo que seja só para o consumo, devem: receber advertência, ser encaminhadas a um juìzado e prestar serviços comunitários. É crime. E deve ser punido. Ainda acho que nossa legislação é transigente demais com quem financia o tráfico. E se ele só teve que preencher uma "papelada", ela não foi devidamente aplicada. Talvez porque o juiz tinha coisa melhor para fazer.

A liberdade de expressão tem limites. Os limites da ética e da lei. Se atos como esses não forem reprimidos, não vai demorar muito para que apareçam no Brasil movimentos pró-terrorismo. Ou até uma Marcha da Pedofilia.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Édipo do Carrasco Myatt

Nota mental: aprender grego. Se há algo que me incomoda, me deixa num estado de suspensão de toda confiança, é ler livros traduzidos. A cada linha cresce a sensação de que estou sendo tapeado, “esse cara tá me enganando”, “acho que tem um erro de tradução aqui”... “hum... será que é isso aqui mesmo?”. Um exercício atroz de paranóia em níveis múltiplos.

Este desconforto creio ter adquirido no início da adolescência: em minha paixão pelas obras de Lewis Carroll li tudo quanto encontrei do autor em português. Essas poucas obras, Alice no País das Maravilhas e no País dos Espelhos, não foram o suficiente para conter meu frenesi literário, que só cessou mesmo quando encontrei toda a obra do autor no Gutenberg Project. Phantasmagoria, Sylvie and Bruno, Hunting of the Snark, ahhh! Fiquei tão fascinado pelos originais que acabei relendo os livros de Alice, dessa vez em inglês. Não descobri erros de tradução, na verdade, o que descobri foi que nunca havia lido Lewis Carroll afinal. O estilo do autor, que paira limítrofe, sem jamais tocar um lado ou o outro, entre a lógica e o absurdo, quando transposto para o português lega ao tradutor a difícil tarefa de escolher um dos lados, ou reinventar alguns trechos. Bom, mas isto é só um caso especial onde o tradutor é um coitado obrigado a meter, a contragosto, o dedo no sentido do texto. Além do mais, sendo o original em inglês, eu ao menos tinha a possibilidade de consultá-lo.

O capeta eu vi mesmo na semana passada. Durante a leitura de Édipo Rei acabei me deparando com o seguinte trecho da fala de Jocasta, traduzida por D.W. Myatt:

You should not fear being married to your mother:
For many are the mortals who have - in dreams also – [2]
Lain with their mothers, and he to whom such things as these
Are as nothing, provides himself with a much easier life.

Corri para o fim do livro para ler a tal nota [2]. Myatt: dizia que esse trecho era importantíssimo para compreender como Sófocles e os gregos em geral entendiam o incesto cometido por Édipo. Que seria, apesar de uma desgraça e um desrespeito, “nothing to seriously concern oneself with”. Achei interessante essa maneira Myatt de levar a vida. Fiquei pensando no que seria então algo to be seriously concerned with para o nosso querido tradutor. Como será que ele classifica o patricídio? The-great-uber-mother-fucking-disgrace? Aliás… tira o mother-fucking. Continuando, segundo ele, o trecho “in dreams also” é geralmente traduzido inserido diretamente na frase, e não como uma concessão, o que geralmente leva a algo como o seguinte: "many are the mortals who in dreams (and also in prophecies) have lain with their mothers...". Coisa dos malditos tradutores-moralistas-cristãos, diz Myatt.

Eu odeio traduções, isso eu já disse, mas o que me saltou mesmo aos olhos foi esta coisa histriônica de dizer que todo o mundo parido anteriormente está errado, dando como causa do erro o fato dos tradutores serem "moralistas cristãos". Fiz bico, fiz manha, olhei de um lado pro outro, mas enfim aceitei a contragosto a “revelação” e continuei lendo o livro de Myatt. Mas minha paranóia, que já não é pouca, triplicou.

A teoria do incesto como “desgraça pouca” já era ridícula por si só, mas eu precisava de provas. Para isso eu precisaria aprender grego (hum... não), ou assumir que o que Myatt diz sobre outras traduções é verdade. Aceitando a segunda opção, fiquei aleijado de procurar outro tradutor para me apoiar. Fui obrigado a me trancar dentro da masmorra escura do texto de Myatt. Toda frase precisava ser relida, todo parágrafo merecia ser esmiuçado em busca de algo que comprovasse a incompetência ou canalhice do tradutor. O que deveria ser uma leitura acabou tornando-se um exercício tenso e doloroso. Sentia-me um ladino trancafiado. Sozinho e largado para apodrecer, eu não podia confiar em nada, em nenhuma palavra, em nenhuma sentença. Eu precisava buscar um sentido superior no que lia, tatear as paredes em busca de uma passagem secreta, ir além do texto e escapar prisão que era ler o Édipo do meu carrasco Myatt.

Então uma pedra rangeu. O esforço valeu a pena.

Myatt diz que os gregos não viam no incesto materno algo assim tão preocupante, era uma desgraça, um desrespeito, então a agonia de Édipo vinha muito mais do parricídio. Mas como explicar o seguinte? (1) Édipo em TODAS as vezes que lamenta o patricídio, lamenta também ter se casado com sua própria mãe. (2) Édipo quando dirigindo-se a Antígona e Ismene (suas filhas com Jocasta) lamenta apenas do incesto.

Assumindo que o Édipo de Sófocles expõe seus sentimentos sem omissão (o que é bem normal já que se trata de uma tragédia grega), a primeira observação já levanta sérias suspeitas sobre a teoria de Myatt. Édipo, nos casos em que lamenta o parricídio e o incesto, segue a ordem dos fatos: diz ter matado seu pai, e segue dizendo ter casado com sua mãe, e ele segue essa ordem em todas essas vezes, já que o casamento com sua mãe imprescinde da situação anormal da ausência de seu pai, que nesse caso é explicada pelo patricídio cometido por ele. Então, pela sequência dos fatos, seria normal para Édipo lamentar o parricídio sem lamentar o incesto, mas não lamentar o incesto sem lamentar o parricídio que criou a situação anormal que lhe permitiu o primeiro. Apesar de tudo, ao longo do texto Édipo lamenta mais o incesto do que o parricídio.

Mas sobre isto ainda paira uma certa dúvida, pois em todas as vezes que Édipo lamenta apenas o incesto (sem seguí-lo do parricídio), o faz direcionando suas lamentações à Antígona e Ismene. Poderia-se então dizer que nesses casos Édipo não está a lamentar a sua tragédia pessoal, mas a tragédia que legou às filhas, que são os seus confusos graus de parentesco. Com isso volta-se à estaca zero.

Então eis que o seguinte trecho lança uma luz:

For, if I had eyes, I would not know where to look
When I went to Hades and saw my father
Or my unfortunate mother, since to both
I have done what is so outstanding that a strangling is excluded.


Édipo nos diz que o que ele fez aos seus pais foi algo tão horroroso que torna o estrangulamento (enforcamento) de Jocasta algo irrelevante. Mas o que é que Édipo considera assim tão terrível, o parricídio ou o incesto? Ele nos diz adiante:

Those deeds that I did there, and then, when here,
What I also achieved? You - those rites of joy
Which gave me my birth and which planted me anew
By the same seed being shot up to manifest fathers,
Brothers, sons - the blood of a kinsman –
Brides, wives, mothers: as much shame
As can arise from deeds among mortals.


Cá está. A vergonha suprema, segundo o próprio Édipo, foi o seu atentado contra o sangue da família, foi ter misturado incestuosamente o sangue de irmãos, pais, filhos, noivas, esposas e mães.

Pronto, senhor salvador, eu posso não saber nada de grego, mas vai arrumar outro trouxa pra enrolar, vai. O pior é que, depois de tudo terminado, depois de sair todo sujo de merda da masmorra do carrasco Myatt, vou ter que reler tanto Édipo Rei quanto Antígona. Dessa vez escolhi a masmorra de um tal Storr. Tomara que seja um moralista cristão.

terça-feira, 25 de março de 2008

Já sinto o cheiro do enxofre


Esse nosso jornalismo maranhense é uma comédia. Uma graça só. Leia abaixo uma matéria do portal da Mirante sobre a visita de Hugo Chávez a nosso humilde Estado.

Equipe de Hugo Chavez já está no Maranhão

SÃO LUÍS - A equipe precursora do ditador e presidente da Venezuela (nossa! quantos títulos!), Hugo Chavez (sic), já está no Maranhão. O governador Jackson Lago (PDT) confirmou ao blog (que blog?) a visita de Chavez ao estado na próxima quinta-feira (27).

O avião presidencial do governo venezuelano desembarou (
sic) final de semana na capital maranhense com centenas (!)de agentes (sic, que baita avião, hein?). Decolou de volta do Aeroporto Marechal Cunha Machado por volta das 12h30 de hoje (segunda-feira, 24). Os agentes estão hospedados no hotel Brisa Mar (Ponta d'Areia). Chavez estaria trazendo de seu país, como é comum neste tipo de visita, toda a alimentação e a água que vai beber (sic). Ele teme ser envenenado por agentes da CIA, o serviço secreto americano.

"O objetivo da visita é fazermos convênios na área da saúde, educação e econômica (
sic). O Maranhão procura se relacionar para obter condições de promover seu desenvolvimento econômico", explicou o pedetista ao blog, depois de solenidade no final da manhã com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

O estranho é que o governador, vice-presidente nacional do PDT, procure em países de outras línguas métodos educacionais para combater o analfabetismo, quando seu partido tem especialistas no assunto como o senador Cristovam Buarque (DF). Foi ele quem criou o bolsa-escola.


P.S:As partes em negrito são os trechos humorísticos da matéria. Se quiser ler mais textos engraçados como esse, entre no blog do Décio Sá.

"Sarney odeia Hugo Chávez? Vive colocando empecilhos na entrada da Venezuela no Mercosul? Gasta minutos e mais minutos de discursos no Senado para explicar como a democracia na Venezuela e na América Latina está ruindo graças a ele? hummm... o inimigo do meu inimigo é meu... Peraí... que tal trazermos Hugo Chávez pra cá?". Deve ter sido isso que passou pela engenhosa mente que idealizou da visita del dictador ao Maranhão.

Trazer Chávez para assinar acordos de cooperação na área de educação. Que piada. Não sei qual das duas educações é a pior: a venezuelana ou a maranhense. Lá pelo menos eles têm livros. Materiais didáticos enviesados cheios de proselitismo financiados pela Odebretch e pelos petrodólares. Livros péssimos, é claro. Então? O que diabos Jackson quer fazer? Implantar a educação bolivariana no Maranhão? Ou seria só irritar Sarney? Sinceramente, espero que só irritar Sarney seja a resposta correta.

Acordos na área econômica devem significar vultuosas trocas comerciais entre as duas pujantes economias. A Venezuela deve nos exportar... deixa eu ver... seu petróleo, e nos exportaremos a eles... nós... Não, o minério de ferro é do Pará... Já sei. Exportaremos nossos tacapes e flechas.

No Maranhão, Chávez receberá a visita de militantes do MST, que, como virou costume, acabou de invadir mais uma instalação da Vale. João Pedro Stédile, para quem não sabe, líder intelequitual do Movimento Sem Terra, virá ao Maranhão se encontrar com Chávez. MEU DEUS! Isso aqui vai virar um inferno. Um inferno vermelho. Alguém, por favor, nos socorra. Mamãe, quero sair daqui! Alguém nos acuda! Quem quer que seja. Sarney, tá bom, a "libertação" foi bacana, mas isso já tá ficando demais. Ajude-nos. Bush, help us.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Democratizadores de araque

Dia 5, o pólo de São Luís da Aliança Internacional de Jornalistas realizou uma roda de conversa sobre mídia digital no auditório da Escola Maranhense de Música. Durante o bate-papo, onde estiveram jornalistas, estudantes e professores, algo que me fez pensar bastante foi a fala do jornalista Celso Serrão, um dos coordenadores da Aliança.

Ele falava com o tom de deboche vazio que lhe é característico que o cenário dos blogs do Maranhão é uma reprodução do cenário da grande imprensa. Segundo ele, os mesmo jornalistas que escrevem para os grandes jornais são os que dominam a blogosfera maranhense.

Celso Serrão é coordenador, junto com os jornalistas Ramon Bezerra e Luciano Nascimento, de um grupo intitulado “Comitê Maranhense pela Democratização da Comunicação”. Por isso, pensei. Quando terminou a roda de conversa, sai para tomar um refrigerante com uns amigos e continuei pensando. Mais tarde, enquanto assistia o desfile de lingeries do Super Pop, pensei novamente.

Depois de tanto me debruçar sobre o assunto, tomei uma atitude. Resolvi escrever um blog para enfrentar a suposta hegemonia da grande mídia nos blogs maranhenses? Não. Isso eu já fiz. Fui procurar saber se o jornalista Celso Serrão também tinha feito. Fui procurar em sua página do Orkut algum endereço. Tive êxito em minha busca. O inquieto jornalista tem sim um blog. Fui lê-lo para saber se ali poderia encontrar informações que representassem uma alternativa à “manipulação” exercida pela “grande mídia”. Não, Serrão não conseguiria barrar Décio Sá com aquilo. O nome do blog é “Acabou o amor, isso aqui vai virar um inferno”, devaneios satânico-juvenis sem conteúdo não interessariam ao leitor maranhense. A não ser que esse leitor seja um psicanalista. Senti-me frustrado então. Visitei o perfil de Ramon para ver se encontrava alguma coisa. Nada. Fui no de Luciano. Nada.

Ué? A Democratização dos meios de comunicação de massa não passa também pela criação de novos meios, fomento à produção e regionalização do conteúdo produzido? Que tipo de “democratizadores” são eles? Será que eles acham que vão democratizar alguma coisa com panfletos em encontros que ninguém vai ou com blogs que ninguém lê?

Tornei a pensar...

O que falta para a blogosfera maranhense se tornar verdadeiramente democrática, não vou usar esse termo tosco. Voltando. O que falta para a blogosfera maranhense se tornar verdadeiramente diversificada são pessoas comuns ou profissionais de jornalismo, devidamente capazes, dispostos a prover ao leitor conteúdos ignorados pela mídia, ou que até a contraponha, às vezes . Tudo se resume a iniciativa pessoal, coragem e conhecimento. Muita gente já faz isso no mundo todo, falta trazer para cá. Ricardo Santos tentou fazer, mas seu anti-sarneysmo e anti-mirantismo paranóicos já se tornaram cafonas. A maioria dos outros blogs políticos do Maranhão se limitam a medíocre missão reproduzir releases e notícias de outras fontes sem nem ao menos se darem o trabalho de analisá-los.

Por que, então, aqueles que se auto-intitulam os “democratizadores da comunicação maranhense” não utilizam da liberdade que a internet lhes oferece para transmitir sua mensagem? Porque eles não têm tempo ou não têm nada a ganhar com isso (dinheiro, é... there's no free lunch)? Por que eles não têm capacidade e conteúdo? Por que isso não lhes interessa realmente? Ou por que isso ainda não passou por suas inteligências?

Ah, esses democratizadores. Se bem os conheço, não passam de castristas. Lutam por uma democracia, mas uma democracia só para si.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Lula, deixa minha TV em paz

Esse governo adora uma cota. No final do ano passado, o deputado petista Jorge Bittar criou um projeto que lei de estipula cotas de programação brasileira nas tevês por assinatura. O PL n° 29/2007 obriga, entre outras coisas, as tevês a preencherem 50% de sua programação com conteúdo nacional. Eu tenho TV por assinatura. Assinei porque não agüentava mais o “conteúdo nacional”. Agora eles querem que eu assista o bendito “conteúdo nacional” de qualquer jeito. Não adianta Lula, eu não vou assistir.

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Saiba mais sobre o assunto e sobre a campanha da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) contra o projeto de lei clicando aqui.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Alguém notou alguma coisa?


Provavelmente acabará hoje a mobilização promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Maranhão (Sintufma) iniciada ontem, no Campus do Bacanga, para exigir que os acordos feitos com o Governo Federal na última greve da categoria, em 2007, não sejam afetados pelo fim da CPMF e que eles sejam transformados em medida provisória ou projeto de lei a partir desse ano, para agilizar a melhoraria seus salários, o ajuste de seus planos de cargos, carreira etc. Coisas de sindicato. É pra isso que eles servem.

A primeira pergunta que vem a cabeça de qualquer estudante quando se fala em governo, UFMA e sindicato ao mesmo tempo é: vai ter greve? A resposta é bem simples: se os servidores e dirigentes de sindicato estiverem com os bolsos satisfeitos, não. Agora, se o governo não atender às reivindicações da Fasubra (Federação dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras), com quem faz as negociações, provavelmente teremos umas feriazinhas por aí.

“Oba!”

Pois é.

Quanto à mobilização de ontem, a maioria deve estar se perguntando: e o Kiko?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A Indignação Que Não Vejo Cá

De ontem para hoje conversei pelo orkut com dois estonianos e uma ucraniana sobre a situação política do Brasil. Comentei que entre os partidos que aqui as pessoas chamam de direita, um deles é social democrata. Logo em seguida veio a pergunta: “Você pode me explicar isso? Qual é o partido mais a esquerda aí então?”. Nessa hora eu agradeci por não estar conversando com brasileiros. Ahh!... a pura, simples e revigorante sanidade política, como ela faz falta. Enquanto isso, aqui nesse país, sou chamado de doido por dizer o óbvio: no Brasil não há partidos que representem uma verdadeira direita.

Respondi mostrando a seguinte lista com o nome de todos os partidos brasileiros:

Partidos trabalhistas/socialistas/comunistas:
PDT - Partido Democrático Trabalhista
PRTB - Partido Renovador Trabalhista
PSTU - Partido Social Trabalhista Unificado
PT - Partido dos Trabalhadores
PTB - Partido Trabalhista Brasileiro
PTC - Partido Trabalhista Cristão
PTdoB - Partido Trabalhista do Brasil
PTN - Partido Trabalhista Nacional
PCO - Partido da Causa Operária
PCdoB - Partido Comunista do Brasil
PSB - Partido Socialista Brasileiro
P-SOL - Partido Socialismo e Liberdade
PCB - Partido Comunista Brasileiro
PPS - Partido Popular Socialista

Partidos de “direita”:
PSDB - Partido da Social Democracia Brasileiro
DEM - Democratas

O resto:
PHS - Partido Humanista da Solidariedade
PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro
PMN - Partido da Mobilização Nacional
PP - Partido Progressista
PR - Partido da República
PRB - Partido Republicano Brasileiro
PRP - Partido Republicano Progressista
PSC - Partido Social Cristão
PSDC - Partido Social Democrata Cristão
PSL - Partido Social Liberal
PV - Partido Verde

Só de olhar isso, qualquer guri de colégio (que não seja brasileiro, claro) percebe que tem algo de errado com a democracia nesse país. O primeiro fato assustador é que dos 27 partidos ativos brasileiros, mais da metade (14) parece ter bases ideologícas de extrema esquerda. O segundo é que os dois grandes e poderosos partidos de direita do Brasil têm nome de partidos de esquerda. Se esse guri pudesse ir só um pouquinho além e lesse os estatutos desses dois partidos, saberia também que o PSDB tem em sua idéia base pouco do que pode ser chamado de uma ideologia direitista, mas muito do que constitui uma esquerda em qualquer lugar do mundo. Se pudesse saber também que o próprio DEM declarou ser de centro, e inspirado no Democrats americano, ele jamais diria que se trata de um partido de direita. A conclusão do guri seria que no Brasil todos os partidos são de esquerda, variando apenas em grau.

“A noção de que os democrats americanos são de direita é incrivelmente alienígena para mim! Que situação ruim vocês devem ter se algo como eles é a direita!”.

Aí está, a indignação que não vejo no brasileiro. Oh céus! Nesse país há imbecil até para dizer que o PT é de direita. Quando digo por aí que PSDB e DEM não representam verdadeiramente uma direita, as pessoas riem, olham para mim incrédulas. Eu explico com toda a paciência o motivo pelo qual digo isso. Mas sempre a resposta é algo do tipo: “eles são de direita sim, mas você acha que eles próprios vão dizer isso?”.

Como se fosse crime. Puta merda.

Num próximo post farei uma ponte entre este texto e o anterior para explicar melhor essa situação.

PS.: Já que falei em "verdadeira direita", explico. Conservadorismo. Essa é a acepção clássica do conflito iniciado 4 séculos atrás. O conservadorismo e apenas o conservadorismo pode representar uma verdadeira direita. Economia não é fator determinante para classificar qualquer partido entre esquerda ou direita.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O "Omi" e Os Barbudo

“Por acaso você acha que O Movimento Estudantil [doravante O’ME] ainda é composto por barbudos marxistas?”. Assim mesmo “O Movimento Estudantil”, sempre único e soberano. Só faltava escrever com letras maiúsculas. Mas isso eu já estou fazendo por eles, para facilitar as coisas. Mas, voltando à pergunta, sobra-me apenas a opção de dizer sim e aceitar o implícito atestado de paranóia.

A questão foi-me jogada em uma polêmica na qual me envolvi há alguns meses. Apesar da leve concessão de que pelo menos em algum ponto no tempo houve o completo domínio marxista sobre as mentes estudantis, o tom sarcástico da autora não deixava dúvidas de que isto era tudo coisa do passado, que nos dias de hoje a situação é completamente diferente. Dizer o contrário é auto atestar-se, além de paranóia, desinformação.

Um compêndio de quase toda argumentação em defesa do O’ME é algo do tipo: “isso é coisa dessa gente que tem uma visão altamente distorcida do O’ME e não entende a sua luta histórica e a sua importância na luta pela causa estudantil, tá ligado?”. Cada vez que alguém diz algo do tipo ao mesmo tempo em que não se pretende marxista, me dá um abatimento, uma tristeza. Um vazio no peito e uma imensa vontade de voar no pescoço do infeliz e encher-lhe de tapas. Dêem-me uma pausa para respirar, por favor... ufa. Oh céus, quem estuda ao menos um pouco, só um pouquinho mesmo!, entende a minha dor. A defesa é maravilhosa, impecável. O barbudo marxista nega a veia marxista do O’ME a partir de pressupostos puramente marxistas. Um primor!

Se eu ainda ACHO que o O’ME é composto por barbudos marxistas!? NÃAAAO! Eu SEI que é! Olha, se ainda são barbudos não sei. Alguns até são sim. Pior, a maioria nunca nem leu Marx. Mas se são marxistas? Ah são sim, ou pelo menos pensam como um. Todos eles! Barbudos ou não. E se acham que não, então são piores que os tais “antigos”, pois de tão burros já nem sabem mais o que são. Dizem até que o CCH da UFMA foi construído com base na planta de uma antiga fábrica inglesa, reparem bem, só para deixar a galera no clima.

sábado, 10 de novembro de 2007

Pobres roteiristas sob o jugo da mais-valia


Tal como o insatisfeito proletariado do século XIX, os roteiristas norte-americanos decidiram parar de trabalhar para exigir “melhores condições de trabalho”. Uma de suas reivindicações é o recebimento de participação nas vendas de séries, filmes e demais conteúdos exibidos e vendidos por meio de novas mídias, como internet e celulares, além de maiores participações nos lucros obtidos com a venda de DVDs.

A greve já dura seis dias. Começou segunda-feira, quando 12 mil roteiristas associados a Writers Guild of America, sindicato da classe, suspenderam suas atividades. A paralisação já compromete a produção de várias séries, talk shows, e outros, o que prejudica vários estúdios e emissoras. Algumas já passaram a exibir reprises de programas, como a NBC com o The Tonight Show, um dos programas humorísticos de maior audiência dos EUA. Com isso anunciantes oferecem menos pelos serviços oferecidos pelas emissoras, o que faz com que elas percam milhões de dólares. Na última paralisação da classe, de quatro meses, que ocorreu em 1988, os prejuízos foram de 500 milhões de dólares, como costuma a veicular a imprensa burguesa, divulgando o dano que a greve pode causar no “Grande Capital”.

Apesar de serem uma classe bem unida, e de ainda contarem com o apoio de políticos (democratas) e atores (democratas) famosos, a greve sofre com muitas contradições, como quase tudo no sistema capitalista. A categoria é muito heterogênea do ponto vista financeiro: alguns roteiristas são também produtores, ou seja, exploram e são explorados por si mesmos; e seus salários variam de 5 milhões a 50 mil ao ano, o que demonstra também a desigualdade social entre eles.

Mas com salários como esses, eles ainda exigem mais. Claro! Tudo culpa da mais-valia, que, como Marx já dizia, faz com que o que eles produzam seja muito maior do que o salário que eles de fato recebem. São pobres coitados, explorados por um sistema cruel e desumano que deve ser superado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

TV Brasil destrinchando essa farsa - parte IV

Democratas querem ir ao STF contra MP da TV pública

Após um início morno, a oposição resolveu se mexer contra a MP 398, que cria a TV Brasil, no Congresso e fora dele. Os Democratas (DEM) pretendem entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida provisória.

Em nota de domingo (21/10), o partido justifica a ação por entender que a MP não atende os princípios de urgência e relevância, prevê a contratação temporária e sem concurso para atividades permanentes e muda, de forma unilateral, o contrato com a Acerp. O DEM afirma também que o governo está interferindo em um domínio que é “suficientemente realizado pela livre iniciativa”.

Em seu blog, onde a nota foi divulgada, o partido vai além: diz que ninguém precisa de TV pública no Brasil por já existirem 21 emissoras abertas e que o governo já dispõe da Radiobrás. “Ao afirmar que na Inglaterra quem indica os chefes de emissoras estatais é a Rainha, logo aqui tem de ser o presidente Lula, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, faz raciocínio cínico. O Parlamento inglês dispõe de mecanismos rígidos de controle das atividades estatais. E a Rainha reina, não faz proselitismo de um partido político, tampouco desafia a supremacia das leis”, afirma o DEM.

Fonte: Portal Comunique-se

domingo, 21 de outubro de 2007

Para além da crítica a Sommo - II

Alex, sabiamente, fingia-se convencido por Sommo a entregar-lhe o dinheiro. E assim o fazia. Ao mesmo tempo, permanecia em suas análises acerca do fanatismo religioso, ressaltando os motivos psicológicos e sociais que levam um indivíduo a crer-se detentor de toda a verdade universal e profeta de imensurável valor.

Aproveito a deixa de Amós Oz para expandir a crítica à fé incontestável no divino para o fervor em proporções tão colossais que torna-se inquestionável e inabalável. Sem perceber o quanto, por diversas vezes, pode-se entregar-se a uma adoração (sim, este é o termo adequado) a um ideal que os identifica, convence, embasa em contraposição às outras teorias e, por fim, encanta.

É simples. Acredita-se tão piamente naquilo que se toma por verdadeiro e fecha-se os olhos para qualquer outro recorte da realidade, que isto acaba sendo tomado como verdade independentemente do destinatário da pregação. Por se tratar de uma alienação disfarçada de informação, quem age dessa forma não crê que esteja menos a par do mundo que seus contestadores e passa a tratá-los como membros de um conjunto em que predominam mentalidades radicais e irracionais e esquecem-se de si.

O fato é que não há tolerância ideológica para essas pessoas. Ou se adere ao seu modo de pensar, ou se é um lunático que não deve ser levado em conta. Percebo que esses indivíduos (crentes e veneradores de sua própria sabedoria) estão cada vez mais aquém do que acreditam estar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

TV Brasil: destrinchando essa farsa – parte III

Quem presidirá a Empresa Brasil de Comunicação, empresa que administrará a rede pública comunicação, é Tereza Cruvinel, principal colunista do jornal O Globo e comentarista de política da Globo News. Ela foi convidada por Lula para o cargo após três outras personalidades, que não atuam no ramo do jornalismo, recusarem a proposta de presidir a EBC: o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o cientista Enio Candotti e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence. Lembrando que Belluzzo já aceitou o cargo de membro do Conselho Curador.

Em 1981, Tereza Cruvinel se forma em jornalismo pela Unb. Depois de já ter trabalhado em alguns jornais alternativos da militância esquerdista quando ainda era estudante, Cruvinel, depois de formada, entra para o Jornal de Brasília. Depois passa pelo Correio Brasiliense, pelo Jornal do Brasil, e por último, por O Globo, onde em 1986, começa a escrever na coluna “Panorama Político”, coluna de bastante importância em seu jornal. Torna-se depois comentarista política da Globo News e por uma época chega a participar periodicamente do Programa do Jô, da Rede Globo .

A escolha de Cruvinel para presidência causou polêmica. E o mais engraçado é que ela recebeu as mais diversas críticas das mais diversas fontes. Desde entidades esquerdistas da área de comunicação como Intervozes e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação até representantes da imprensa, digamos, conservadora.

Celso Schröder, coordenador do FNDC, por exemplo, meio ressentido, diz que foi lamentável a escolha de Tereza Cruvinel, "não pelo nome em si e apesar de seu possível alinhamento político com as Organizações Globo, mas em função da origem da proposta, centralizada e vertical... é ruim a escolha de profissionais da grande mídia, não por motivos ideológicos, mas pelos vícios(?) que trazem. A escolha deveria contar com outros critérios, não só a notoriedade".

Já João Brant, coordenador da Intervozes, afirma, mais ponderado que seu companheiro, que "não é possível de antemão dizer o que será a gestão de Tereza Cruvinel à frente da empresa, mas dá para dizer o que essa escolha simboliza. O governo demonstra não ter a menor intenção de que a TV pública rompa com um modelo consolidado pela mídia comercial, e busca referências num modelo de jornalismo que é muito diferente do que acreditávamos que poderia ser adotado".

Na contramão do que diz os representantes das entidades esquerdo-petistas de comunicação, alguns afirmam que a escolha de Tereza Cruvinel não é nenhuma surpresa. Ela já trabalhava informalmente para o PT, prestando-lhes serviços de desinformação em sua coluna n’O Globo. Cruvinel sempre foi uma entusiasta do Governo Lula, sempre desmentiu a existência do mensalão e sempre prestou favores aos amigos petistas, como fez, por exemplo, ao receber Lula para um jantar com jornalistas em sua casa, em 2004, a pedido de Ricardo Kotscho, então secretário de comunicação do Governo.

No final da década de 70, antes de se graduar em jornalismo, quando trotskista, Tereza Cruvinel era militante em movimentos que se opunham ao regime militar. Mais tarde passou a fazer parte de um movimento chamado “Convergência Socialista”, facção radical do PT, que foi banida do partido quando Cruvinel já tinha saído, e que deu origem ao quixotesco PSTU.

Na presidência da EBC, Tereza Cruvinel terá a missão de coordenar e montar, juntamente com Franklin Martins, a diretoria da empresa.

Apesar de poucos aprovarem a escolha de Tereza Cruvinel para a presidência da EBC, ela permanecerá no posto. Porque Lula quer. Porque é assim que se faz uma TV pública “plural, democrática e independente”.

domingo, 14 de outubro de 2007

TV Brasil: destrinchando essa farsa – parte II

A nomeação de um conselho curador plural e isento seria de primordial importância para a construção de uma TV pública independente. No entanto, como é o presidente Lula quem vai escolher os membros deste conselho a partir de uma lista apresentada por "setores da sociedade civil organizada", a TV Brasil corre sério risco de ser criada já totalmente atrelada aos ditames do Governo Federal.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, explica: “Se não for o presidente, quem vai indicar? Alguém tem que indicar. Na Inglaterra, é a rainha”. Porém há uma singela diferença entre o presidente Lula e a rainha da Inglaterra: a rainha não sofre pressão de aliados ávidos por poder, e supõe-se que Lula não ficará até a morte no Governo, terá que transferir seu mandato para outrem, eleito pelo povo, de preferência um aliado ávido por poder.

Segundo o texto da Medida Provisória que autorizou a criação da EBC, publicado dia 11 no Diário Oficial da União, o Conselho curador terá as prerrogativas de aprovar as diretrizes educativas, artísticas, culturais e informativas integrantes da política de comunicação propostas pela diretoria; zelar pelo cumprimento dos princípios e objetivos previstos na medida provisória; opinar sobre matérias relacionadas ao cumprimento dos princípios e objetivos previstos na medida provisória; aprovar a linha editorial de produção e programação proposta pela diretoria executiva e manifestar-se sobre sua aplicação prática; e deliberar, por maioria absoluta, sobre imputação de voto de desconfiança aos membros da diretoria “no que diz respeito ao cumprimento dos princípios e objetivos desta medida provisória” (Fonte: website observatório do direito à comunicação).

Se o Conselho Curador da TV Brasil terá todo este poder, obviamente não deverá estar submetido a padrões ideológicos ou exigências do Governo. E seria infantil demais imaginar que Lula e seus companheiros não pensam em nomear somente aqueles que lhes são mais “convenientes”, como já fizeram em diversas outras oportunidades.

TV Brasil: destrinchando essa farsa – parte I

Dia 11, foi publicado no Diário Oficial da União a Medida Provisória 398, que autoriza a criação da Empresa Brasil de Comunicação, que gerirá a Lula News, mais conhecida como TV Brasil, que será criada a partir da união do patrimônio da Radiobrás com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que coordena a TVE do Rio. A nova emissora estatal contará com um orçamento de 350 milhões anuais, com fundos de financiamento que teoricamente partirão de diversas fontes, inclusive de doações.

A Lula News, ou melhor, a TV Brasil, será vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), hoje sob o comando do excelentíssimo ministro Franklin Martins (na foto com Lula), ex-comentarista político do Jornal Nacional. Só para relembrar, Franklin Martins que, além de comentarista da Rede Globo, era diretor de uma sucursal da emissora em Brasília, foi demitido após uma denúncia do jornalista Diogo Mainardi, em abril de 2006, que publicou em sua coluna na revista Veja um artigo sobre a suposta relação promíscua entre Franklin Martins e o Governo Lula: sua esposa, Ivanisa Teitelroit, era assessora, em cargo comissionado, do líder do Governo no Senado, o senador Aloísio Mercadante (PT-SP), e seu irmão fora indicado diretamente por Lula para uma diretoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Franklin Martins, depois de ser demitido da Globo, partiu para a Rede Bandeirantes, emissora então acusada de receber suntuosas quantias de verbas publicitárias de empresas estatais desde o início do Governo Lula. Então, em março deste ano, Franklin Martins recebeu o convite de Lula para a secretaria. Uma de suas missões era conduzir o processo de criação da TV Brasil.

Mesmo sendo vinculada à Secom de Franklin Martins, a medida provisória afirma que a TV Brasil terá autonomia em relação ao Governo Federal para definir produção, programação e distribuição dos conteúdos que serão exibidos no sistema público de radiodifusão. Mesmo com a participação de quatro ministros - de Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura e Comunicação - no Conselho Curador, que terá vinte membros, mesmo sendo o presidente quem vai indicar os outros 14 membros (os funcionários terão um membro) de uma lista que será entregue a ele por setores da sociedade civil, mesmo sendo Lula quem irá indicar também os cinco membros do Conselho Administrativo e os três membros do Conselho Fiscal, o ministro Franklin Martins afirma que essas interferências do Governo Federal não irão abalar a independência e neutralidade da TV Brasil, porque, segundo ele, a sociedade vai fiscalizar. Mas que sociedade é essa? Será que a ativa e aguerrida sociedade brasileira terá mesmo todos os mecanismos legais de fiscalização que garantirão o máximo de lisura no processo de implantação da TV pública do PT? Será que a sociedade em geral poderá mesmo interferir nos rumos da TV Brasil? Creio que não. Isso não passa de demagogia. Até porque o principal instrumento de fiscalização da sociedade é o conhecimento.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Democratização da comunicação: debate ou disputa?

Dia 5 deste mês foi lançada em 14 capitais brasileiras a campanha “Concessões de rádio e TV: quem manda é você”! Neste dia venceram ao mesmo tempo diversas concessões de TV como as da Rede Globo, Bandeirantes e Record, daí a escolha da data para início da luta pela democratização da comunicação em todo o país. Na ocasião foi realizada, no anfiteatro do curso de Comunicação social da UFMA, uma discussão a respeito o tema com participação de alunos e professores do curso.

Enumerarei alguns pontos que a meu ver merecem verdadeiramente destaque no que concerne ao debate proposto.

A legislação brasileira para concessão dos canais de TV e freqüências de rádio data da ditadura militar. Algumas novas leis foram criadas após esse período, entretanto, isso fez com que esta legislação se tornasse contraditória, com leis múltiplas para tratar de um mesmo ponto, criando com isso um vácuo jurídico que permite uma série de abusos por parte das emissoras. Este é o primeiro ponto a ser discutido, pois sem uma legislação verdadeiramente eficaz não se pode pensar em mídia democrática.

Acontece que contrariando a legislação muitos deputados e senadores possuem concessões de canais de TV e freqüências de rádio. Sendo assim por que eles votariam numa legislação que iria contra seus interesses?

O segundo ponto a ser discutido é o do uso do espectro eletromagnético.
As transmissões de rádio e TV são feitas por meio de ondas eletromagnéticas que se propagam por meio do ar. Sendo o ar um bem público as concessões também passam a ser uma questão pública.

A legislação atual considera que para cada faixa de freqüência só pode haver uma transmissão, ou seja, uma empresa “responsável”, entretanto, com a digitalização sabe-se que em cada faixa pode-se fazer até seis transmissões sem perda de qualidade e por questões ainda não esclarecidas a legislação aprovada para a TV digital ainda considera 1faixa – 1transmissão – 1 empresa. Ingenuidade? Monopolização?

Um terceiro ponto importante a ser discutido é como a sociedade deve de “adonar” da questão eletromagnética. O debate do tema ainda é restrito aos estudantes e profissionais da área, por esse motivo há um sem número de pessoas não esclarecidas e é essa massa ignorante que será alvo dos grupos oportunistas que por ventura pretendam desvirtuar os discursos em favor de seus interesses próprios.

Em suma esse debate pode ter dois vieses de discussão: o primeiro é o da questão eletromagnética que geraria um debate lúcido sobre legislação, ação eficaz do Estado sobre quem não cumpre as regras etc e o segundo é o do acesso e domínio dos meios de comunicação, gerando um debate irracional entre grupos apenas se favorecer tendo em mãos um meio de massa para embebedar a população com suas ideologias.

É exatamente neste ponto que reside a linha tênue que separa um debate realmente útil e benéfico para sociedade e um debate apenas revolucionário de que quer se apossar da mídia.

Não esqueçamos, também, que há uma tendência fazer deste debate uma questão política: para alguns a "direita" hegemoniza seu poder com o controle da mídia e não tem interesse de perder esse monopólio e a esquerda pretende acabar com o mesmo, mas que garantia teremos de que sua pretensão é realmente democratizar a comunicação ou assumir o lugar da "direita", monopolizando, também, as mídias?

Estamos diante de um debate oportuno e necessário para a sociedade ou isto é apenas uma disputa de poder entre os grupos que desejam e os que já possuem a mídia ao seu bel-prazer?

A questão é delicada. Há muitos interesses em jogo e quem deveria ganhar com essa discussão (a sociedade) pode sair perdedor (mais uma vez)...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Malditos Imperialistas

Por: Olavo de Carvalho
Zero Hora, 19 de fevereiro de 2006
http://www.olavodecarvalho.org/semana/060219zh.htm



(RICHMOND, VIRGINIA) - Querem saber como funciona o odioso imperialismo americano? Vou lhes mostrar.

Até os anos 60, o governo dos EUA era obrigado, por lei, a estocar reservas de comida suficientes para, no caso de guerra ou crise mundial, alimentar cada cidadão do país por três anos.

Então alguém convenceu o Congresso a dar comida de graça para as populações pobres de outros países.

Desde então, as remessas ao exterior não cessaram de aumentar, e as reservas não cessaram de diminuir.

Em 1996, o governo anunciou que o estoque restante bastava para apenas três dias.

Em 11 de setembro de 2001, os silos do governo estavam quase vazios. Povos que tinham se alimentado do estoque durante anos saltavam nas ruas, festejando a morte de três mil americanos.

E quantidades cada vez maiores de comida continuaram sendo doadas aos pobres da Ásia, da África e da América Latina.

Em 2003, o Departamento de Agricultura parou de medir a reserva estatal em dias, porque restava menos que o suficiente para um dia por pessoa. Logo depois, parou completamente de medir a reserva estatal, que era irrisória, e começou a somar a totalidade da comida circulante no país, incluindo as prateleiras de supermercados. Todo o alimento de consumo diário passou a ser computado como reserva de emergência. Somado, dava 34 quilos por pessoa: o total da comida disponível era dezoito vezes menor que o estoque de emergência de 1960.

E as remessas para os países pobres continuavam aumentando.

Em 2005, com ameaças de guerra pipocando por toda parte, metade do mundo unida numa feroz campanha anti-americana, o estoque total baixou para 7,1 quilos por pessoa. Uma queda de 80 por cento em dois anos.

Militarmente, o ponto mais vulnerável da defesa americana é a comida. Mas ninguém pensa em reduzir a ajuda ao exterior.

Quando vocês me apontarem um caso análogo em toda a história universal, quando me mostrarem alguma nação que tenha se prejudicado a si mesma, consciente e deliberadamente, para socorrer aqueles que em retribuição a xingam e sonham com a sua destruição, então talvez eu comece a desconfiar que os americanos sejam um povo tão ruim quanto qualquer outro.

Até o momento, vivendo aqui desde maio do ano passado, só tenho motivos para acreditar que são melhores. Logo na semana em que cheguei, entrei numa igreja protestante do interior. Só caipira. Sabem o que os malditos rednecks estavam fazendo? Coleta para as crianças pobres... do Brasil.

Cinqüenta entre cada cem americanos fazem trabalho voluntário – a favor de “minorias” locais ou, em geral, de populações do Terceiro Mundo. Claro, de outras nações também sai dinheiro para o mesmo destino. Mas vem de governos, de instituições, de empresas. Um povo, mães e pais de família largando seus afazeres para cuidar de gente que nunca viram – isso nunca houve em parte alguma. Só aqui. O advento de uma sociedade capaz de criar esse tipo de pessoas é o acontecimento mais notável da história moral da humanidade.

Os brasileiros não podem entender isso porque, como se sabe, eles se dividem genericamente em dois tipos: adultos ricos e remediados que, da janela de seus carros, espantam com gritos e ameaças as crianças pobres que lhes vêm pedir dinheiro; e crianças pobres que, descrentes da caridade pública, vão trabalhar para o narcotráfico ou, armadas de faças ou lascas de garrafas, assaltar os ricos e remediados. Com essa tremenda autoridade moral é que falamos dos americanos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Imprensa: o Quarto Poder?!

A administração do Estado funda-se sobre três poderes essenciais: o legislativo, que cria as leis; o judiciário, que faz cumprir as leis e o executivo, que cumpre as leis, mas eu ousaria em inserir aí um quarto poder, responsável por cobrar o cumprimento e denunciar as transgressões às leis: a imprensa.

A imprensa é um fenômeno recente com mais ou menos 300 anos de existência, e no principio a serviço da sociedade burguesa e suas atividades lucrativas (guarde bem este período).

Com a melhoria nos materiais utilizados para difundir a informação (do papiro ao papel) a imprensa foi se expandindo aos poucos até tornar-se a poderosa instituição que é hoje.

Mas se outrora a imprensa tivera o poder de cobrar, denunciar, de esclarecer o grande público a respeito da realidade e da verdade esta já não é mais a função prioritária dos veículos de comunicação atual.

Ela tornou-se tendenciosa, manipuladora, manipulada. A transformação da Imprensa em mercadoria foi um processo que levou a materialização de produtos como forma de ganhar dinheiro e com a transformação dos centros comerciais foi uma forma de gerar lucros nunca vistos antes. Parece que na verdade ela nunca fugiu ao seu princípio (lembra do período grifado anteriormente?).

Aqui no Brasil onde a imprensa só se fortaleceu nos moldes como a conhecemos hoje a partir da segunda década do séc. XX e este fortalecimento veio ligado aos interesses de poucas famílias e grupos políticos. Conclui-se que, por mecanismos diversos, a grande imprensa contribuiu decisivamente para a introdução da agenda ideológica neoliberal no país, pois atuou de forma a "divulgar e vulgarizar" as idéias pertinentes a este ideário e de forma militantemente conservadora e patronal.

Já não vemos no Brasil uma imprensa imparcial e atuante. O que vemos são sensacionalismos, tendenciosismos e um grande descaramento por parte de alguns dos seus profissionais, aliás, diga-se de passagem, que se não fosse a competência da maioria dos profissionais que trabalham para a imprensa brasileira a nossa imprensa não seria marrom, mas roxa. Roxa igual a nossa cara de raiva diante de tamanho descompromisso com os interesses da coletividade.

A ética é algo que está caindo no esquecimento. E a notícia já está sendo confundida com opinião, especulação.

Esse é um quadro que pode e deve ser mudado e se não há como mudar a “mentalidade” da imprensa atual temos então que formar nos futuros profissionais da imprensa uma mentalidade de compromisso, respeito, ética e, sobretudo responsabilidade com o público e com o desejo de oferecer-lhe uma imprensa de qualidade.