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sábado, 22 de março de 2008

Marx, Campos, Keynes e Woody Allen

Primeiro Ato: Cena 1. Na antecâmara do inferno encontram-se Karl Marx, John M. Keynes e Roberto Campos. (Curiosamente, os três conversam em português).

Marx: Onde eu estou? Quem são os cavalheiros?

Roberto Campos: Se o cavalheiro for quem eu estou pensando ser... nós devemos estar no inferno.

Keynes: Isto parece mais uma sala de espera ou uma espécie de antecâmara. E eu creio que o cavalheiro seja Karl Marx, autor de “Das Kapital”, estou certo?

Marx: Certíssimo, sou Karl Marx autor de “Das Kapital” e pai da revolução comunista.

Roberto Campos: Eu sempre tive curiosidade de perguntar quem foi a digníssima senhora, mãe de tal revolução. Porém, ocuparei melhor meu tempo cumprimentando o outro cavalheiro, John Maynard Keynes, de quem por muitos anos fui discípulo mas que, com o passar do tempo, nossas ideologias se divergiram abruptamente.

Keynes: Cavalheiros divergem em ideologias mas convergem em propósito.

Roberto Campos: (fitando Karl Marx): Quisera eu que assim sempre fosse.

Marx: Esperem um momento, ambos estão a falar como se me conhecessem, mas não os conheço.

Keynes: Eu nasci no trágico ano que o cavalheiro pereceu.

Roberto Campos: Uma data cômica, pois foi muito longa para que o cavalheiro empestiasse o mundo com suas idéias mal elaboradas e suas previsões bizarras. Todavia, foi muito curta para que pudesses enxergar as falhas tremendas de suas idéias e conceitos.

Marx: Estás a dizer que a revolução finalmente ocorreu no mundo e que o proletariado é por fim a classe dominante? Se assim for, esquecerei a tragédia deste ano nefasto. Só tenho a dizer que empestiado estava o mundo de parasitas exploradores que se nutriam na trágica configuração do sistema capitalista.

Roberto Campos: Na verdade obtivemos uma boa parcela de evolução, este conceito que o senhor nunca conseguiu entender baseado numa suposta dialética hegeliana da História. A economia de mercado proporcionou ao trabalhador uma melhoria exponencial de vida e uma maior qualidade no trabalho. Obtivemos maior produtividade, maior produção, menores custos e maiores salários. Os trabalhadores também obtiveram inúmeros benefícios (alguns até um pouco exagerados). Hoje o capitalismo é o único sistema mundial de condução da riqueza e os países que ainda são pobres, o são por não se enquadrarem numa configuração capitalista.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Uma Teoria sobre o Socialismo e o Capitalismo

Havia algum tempo que Klauber Pires falava dessa tradução que vinha fazendo. Vale a pena baixar o livro e conferir. Apesar de eu próprio não ter ainda lido: indico a indicação.


Post original por: Klauber Pires

Uma Grande Novidade:
Temos a honra de apresentar aos leitores a excelente obra "Uma Teoria sobre o Socialismo e o Capitalismo" (A Theory of Socialism and Capitalism), do filósofo Hans-Hermann Hoppe, que acaba de ter sido por mim traduzida para a língua portuguesa, com a permissão expressa do autor.

Ainda pouco conhecido em nossa língua, o professor Hoppe é um dos mais ilustres representantes atuais do Instituto Ludwig von Mises, e seu livro, que o disponibilizamos na íntegra gratuitamente aos leitores, além de possuir uma leitura agradável, assume com notável didática e clareza tanto a tarefa de rechaçar analiticamente a doutrina socialista, com seus mitos, cacoetes e suas metamorfoses, quanto completamenta suas demonstrações apriorísticas com ilustrações empíricas inquestionáveis verificadas ao longo da história mundial.


O link para download está disponível em:
http://libertatum.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Weber, Calvino e o estigma do capitalismo

Por:

Há um tempo atrás, um pastor amigo meu abordou um colega dele que estava trabalhando em uma tese sobre Max Weber. Ele escreveu um e-mail em que dizia – “Poderia me ajudar dando-me umas observações resumidas sobre o livro de Max Weber em que ele ataca os Puritanos e a Calvino acusando-os de fundadores do capitalismo” [grifos meus]? Aquele pastor, disse ele, necessitava de subsídios, para dar respostas a alguns jovens que lançavam tão “grave acusação” contra os puritanos, tomando como base o trabalho do Weber.

Chamou-me a atenção a extensão da distorção de compreensão à qual nossas gerações têm sido submetidas. A visão socialista quase monolítica que tem imperado durante anos, leva inúmeras pessoas a considerarem como premissa básica – desnecessária de ser fundamentada – que o capitalismo é inerentemente mal; culminando com a noção de que a simples associação com o sistema equivale a uma “acusação”, pois quem quer ser partidário “do mal”?

Sobre Max Weber (Maximilian Carl Emil Weber, 1864-1920) muito tem sido escrito e não pretendo fazer uma análise de suas posições e teses. No entanto, o que quero pontuar é que Weber NÃO acusa. Ele simplesmente atribui a Calvino o desenvolvimento de uma sociedade próspera, capitalista, com mais oportunidade para o avanço individual do que as sociedades massificadoras socialistas, que destroem a individualidade humana. Os “paraísos” socialistas que foram implantados nesta terra, têm tido como resultado intrigante a socialização da pobreza. Ou seja, para Weber, capitalismo NÃO é palavrão.

Lógico que esta é uma visão de poucos, nos dias de hoje. A maioria, mesmo nos meios cristãos, sucumbiu à lavagem cerebral de que o ideário socialista é o que é encontrado e propagado na Palavra de Deus; [1] que os princípios divinos de justiça são melhor atendidos quando o governo NÃO é capitalista. Vários jargões e slogans são desenvolvidos para atacar o capitalismo, inclusive o termo "capitalismo selvagem", para identificar qualquer manifestação capitalista de governo como perniciosa. A queda do modelo comunista abalou um pouco essas convicções, mas não muito - a maioria ainda "compra" a temática socialista a grosso e a varejo - basta ver, em eleições passadas, o discurso quase uniforme dos candidatos à presidência - totalmente semelhantes na demagogia das massas.

A Bíblia, não prescreve uma forma de governo definida, mas traz alguns princípios, como o direito à propriedade; a dignidade da individualidade, como inerentemente procedente de Deus; a assistência aos mais fracos e mais desprotegidos - colocando a responsabilidade disso muito mais nos indivíduos do que no governo; o respeito às autoridades constituídas; o dever dessas autoridades de serem promotoras dos princípios de justiça e verdade emanados de Deus e outorgados por ele.

Calvino nada mais fez do que colocar tais princípios em prática e ensinar aos cidadãos regras e limites de respeito mútuo, sem esquecer o cuidado e a solidariedade com os semelhantes (veja o artigo de Augustus Nicodemus – O Ensino de Calvino Sobre a Responsabilidade Social Da Igreja, também disponível em livro, publicado pela PES). Enquanto isso, ele encorajava o progresso individual, desmistificava o lucro como motivação e criava condições para o desenvolvimento pessoal. Tais ensinamentos eram incompatíveis com a servidão de uns sob outros, ainda que regras de respeito hierárquicas eram observadas.

Weber pegou este gancho e o colocou como a mola mestra do capitalismo. Se temos ojeriza ao capitalismo, saímos com a impressão de que Calvino está sendo "atacado". Se reconhecemos validade em um sistema de governo que - imperfeitamente e sempre sob a influência do pecado, é lógico - promove o avanço individual em vez da servidão a um estado impessoal, não consideramos isso insulto, mas até um "insight" válido ao estudo do calvinismo.

Obviamente, Weber não é teólogo e nem tenho muita certeza da profundidade de sua fé cristã, apesar da afirmação de sua esposa (Marianne Weber) que ele “sempre preservou uma profunda reverência pelo Evangelho e pela religiosidade cristã genuína”[2]. Não se deve esperar dele total coerência ou precisão teológica. Temos um artigo importante sobre ele, escrito por Franklin Ferreira, na revista acadêmica Fides Reformata (v. 5, n. 2, p. 47-62, 2000), que até não lhe é tão favorável, assim. Mas acho pertinente esclarecer esses pontos, pois Weber, referindo-se aos puritanos como fundadores do capitalismo (seguindo Calvino), pretende elogiá-los. Realmente, eles entenderam que a Bíblia não era um tratado socialista e que a propriedade privada era legitimada por Deus (“não furtarás”...); enfatizando a ética e a recompensa do lucro ao trabalho, podem ser considerados como fundadores do capitalismo, mesmo; sem qualquer conotação pejorativa.

Solano Portela


[1] Leia também o post: "Socialismo na Bíblia? Mitos e verdades", clicando aqui.
[2] Max Weber as "Christian Sociologist", William H. Swatos, Jr., Peter Kivisto, Journal for the Scientific Study of Religion, Vol. 30, No. 4 (Dec., 1991), p. 347.