Ele passou a maior parte do debate de hoje fumando. Não falou muito. Mostrou-se tranquilo o tempo todo. Ria e falava serenamente com os adversários. Sua chapa não foi muito requisitada, mas pôde mostrar bem a que veio. Converso agora com William, estudante de História e membro da chapa 1, Consciência e Luta, sobre sua candidatura para o DCE.
Nhoque Nhoque – William, desculpe-me, mas tem-se falado pouco da Chapa 1 “Consciência e Luta”. Apesar de vocês terem comparecido aos debates, não vemos muitos cartazes, e vocês também não passaram nas salas, como fizeram as outras chapas. Você não acha que isso prejudica a visibilidade de seu grupo, fazendo com que fiquem atrás na campanha?
William - De certa forma, sim. Porque a nossa chapa não tem recursos, adesivos, cartazes, panfletos, camisa e outros utensílios de campanha. Pois a nossa não tem apoio financeiro de partido político, sindicato, C.A., D.A., DCE. Ou até mesmo do governo do estado, do município, da união e até mesmo da reitoria. Nós não temos nenhum desses apoios. E isso dificulta a nossa divulgação. Ao contrário das outras chapas.
Nhoque Nhoque - Como assim "ao contrário das outras chapas"? Quais delas têm apoio financeiro das entidades que você citou: CA, DA, DCE, sindicatos, estado, município e união?
William - Eu não quero fazer calúnias e muito menos difamação...
Nhoque Nhoque - Então fale só a verdade...
William - Eu suponho ou especulo as possibilidades de que as duas chapas devem está recebendo apoio dessas instituições ou entidades. Até mesmo pelos recursos que as duas chapas tem.
Nhoque Nhoque - Uma das chapas, a chapa 2, foi na minha sala, interrompendo um trabalho de meus colegas, e lá falaram que a chapa 3 era financiada pela reitoria. Eu achei aquilo muito estranho e perguntei a eles: como pode a chapa 3 estar sendo financiada pela reitoria e estar se utilizando de uma material tão ruim - na época eles só tinham cópias em preto e branco, que distribuíam e pregavam nos murais - e eles, da chapa 2, um material muito superior? Eles alegaram que tinham sido financiados por sindicatos e por professores. Que tipo de interesse você acha que sindicatos e professores teriam em financiar uma chapa? Interesses, digamos, revolucionários? Por que a chapa de vocês, que tem uma linha parecida com a deles, também não recebeu esse tipo de "ajuda"?
William - A UJS e a LIGA apoiaram atual reitor na ultima "eleição", ou seja, na consulta prévia. Existe a possibilidade da reitoria financiar a chapa 3. Até porque o Zé Carlos, que é do PC do B, e é assessor do Reitor Natalino Salgado. Enquanto a chapa 2, há evidência que a APRUMA esteja apoiando, pois a entidade e ligada é filiada a CONLUTAS. E tem fortes ligações com o PSTU. E é o PSTU que está na direção da APRUMA. No caso, o Professores Welbson Madeira e Cláudia Durans, que são do PSTU, e são da APRUMA. A nossa chapa não recebeu recursos deles por não estarmos efetivamente e de fato no grupo deles.
Nhoque Nhoque - Você diz que uma chapa tem ligações partidárias e outra é a favor da reitoria. Depois diz que não recebe recursos porque não está no grupo deles. Você aceitaria receber se estivesse? Você não acha que essa relação promíscua entre estudantes e partidos, sindicatos etc., compromete o foco de suas reivindicações?
William - Eu, particularmente, não aceitaria. Porque eu estou na UFMA desde 2004. E que eu percebo é a fragmentação do movimento estudantil é por causa dos partidos políticos que usam o movimento como trampolim para promover-se politicamente. Eu não sou anti-partidário e muito menos apartidário, desde que seja para somar forças junto com o movimento. Mas na prática isso não vem acontecendo. Por interesses particulares. E todos os partidos que estão inseridos no movimento tem a parcela de culpa. E são os principais responsáveis pelas crises dos movimentos sociais, principalmente estudantil. Pois nós temos a UNE, que está sob a direção do UJS / PC do B há mais de 15 anos. E a CONLUTE, apesar de ter um bom programa político e tem travado grandes lutas neste país, contra a Reforma Universitária e o REUNI, mas está sob a direção do PSTU. E de uma forma burocratizada. E a UNE apóia as reformas do atual governo, principalmente a Reforma Universitária e o REUNI. E impedido as lutas dos estudantes.
Nhoque Nhoque - Mas você não acha que, apesar do peleguismo destas entidades, não podemos fazer algo à parte. Na minha opinião, pode-se fazer mais coisas extraordinárias sem DCE do que com ele. Você acha que estas entidades estudantis têm tanta representatividade hoje em dia?
William - Eu particularmente, sou militante do movimento estudantil desde que comecei o meu curso, e nunca precisei de DCE ou C.A. Mas eu sou membro do C.A, mas eu estou saindo da entidade. Pois o mandato já encerrou, e está no processo eleitoral. A chapa que eu faço parte, foi criada para sair no antagonismo entre UNE e CONLUTE. E construir o novo rumo para o movimento estudantil, para sair da apatia, fragmentação e dessas crise que atravessa atualmente. Com o movimento autônomo, soberano, democrático e de luta. Em defesa da universidade pública, gratuita, laica, autônoma, soberana, democrática, universal e de qualidade.
Nhoque Nhoque - Nossa! Quantos adjetivos! Mas você não acha a UNE e a CONLUTE insignificantes demais para ficar se pautando nelas? A UNE tem história e tal, mas hoje não representa NADA. A não ser as brigas partidárias que você citou. O barato da UNE é saber com qual partido ela ficou. Como a sua chapa pode representar essa alternativa para o antagonismo UNE x CONLUTE?
William - A nossa chapa pode representar sim, mas sem burocracia, e sem fazer no DCE o gabinete com portas fechadas. E defendemos o DCE defenda os princípios dos estudantes, que tenha um programa político em defesa universidade, mas sem atrelamento com outra entidade. E defendemos o rompimento com a UNE e o dialogo com a CONLUTE, mas sem atrelamento.
Nhoque Nhoque - Como assim "diálogo"? Um bate-papo num boteco? Vocês vão fazer festinhas e chamar eles? Por que a UNE não e a CONLUTE sim?
William - Como eu disse anteriormente, eu reconheço a história e a trajetória da UNE. Mas atualmente ela mesma enterrou toda essa história de luta. A CONLUTE tem o bom programa político, e tem participado de diversas lutas nas universidades brasileiras. Mas a CONLUTE já surge burocratizada, pois o PSTU majoritariamente está na direção. E como a CONLUTE nos últimos anos tem participado nas lutas. Aceitamos o diálogo, mas sem submeter a burocracia da direção e queremos uma CONLUTE sem burocracia.
Nhoque Nhoque - Que tipos de lutas? A que burocracia você se refere?
William - A luta em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. E a burocracia é quando refiro aos congressos feitos pela UNE, nos quais a UJS se utiliza de todas as práticas autoritárias e impede qualquer discussão que vai de contra os seus interesses. E o PSTU vem agindo da mesma forma, dentro da CONLUTE, e falo isso porque eu tenho um amigo que mora em Cuiabá-MT. Que eu conheci no Encontro Nacional dos Estudantes de História na UFMT, e ele é da CONLUTE, mas não do PSTU. Muitos outros que conheço que são da CONLUTE em outros Estados, mas não têm vínculo com o PSTU. E este meu amigo de Cuiabá, de vez em quando, ele manda ao meu e-mail, as práticas autoritárias do PSTU, principalmente no Congresso da CONLUTE.
Nhoque Nhoque - Foi boa a conversa. Boa sorte. Alguma outra consideração?
William - Muito obrigado pela entrevista. Espero que os estudantes vejam nesta eleição não apenas uma eleição. Mas o DCE que nós queremos. E que tipo de universidade queremos. E por um movimento estudantil independente, soberano, democrático e de luta. Chapa 1 - Consciência e Luta. Obrigado!!!!!!
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segunda-feira, 16 de junho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Chuck Norris é chapa 3

Foi com muito vinho e rock n’ roll que foi lançada ontem, na área de vivência, a chapa 3 “Somos quem podemos ser”, para a candidatura nas eleições do DCE deste ano. Um projetor instalado no local exibia imagens do material gráfico da chapa, intercaladas por fotos e mensagens como: “Vote Chapa 3”, “Chuck Norris é chapa 3” e “Seu Madruga é chapa 3”. Apoios de peso. O vinho foi muito elogiado. A chapa não poupou despesas, e há muito não se via um ponche com mais vinho do que água na UFMA. A estratégia funcionou. Muitos saíram de lá tropeçando, mas prometendo voto à chapa. Além da presença em todos os outros ponches. Conversei com a estudante de Direito, Thalita Martins, integrante da chapa, que pôde nos falar sobre as propostas do grupo para a UFMA, apresentar seu pensamento sobre universidade e alfinetar um pouco a concorrência.
Nhoque Nhoque – Por que “somos quem podemos ser”? Vou ter que perguntar para o Humberto Gessinger?
Thalita Martins - Então, “Somos quem podemos ser” retrata bem a imagem que a Chapa 3 quer passar, uma chapa realista, que sabe que só pode prometer e se comprometer com aquilo que pode realmente fazer, não deixando também seus sonhos de lado. Por sinal, estes são fundamentais e é o que nos move. “Sonhos que podemos ter”... Como acaba esse refrão da música. Na realidade, a música toda serve de inspiração para a chapa.
Nhoque Nhoque – Vocês, em seus cartazes, se dizem de oposição. Oposição a quê?
Thalita Martins – Oposição a um DCE que em um ano e meio de gestão não fez nem 10% daquilo que prometeu, só conseguindo fechar as portas da entidade para o seu grupo de “iluminados”, sem escutar e respeitar a opinião d@s diferentes. Oposição a esse mesmo grupinho que agora quer se reeleger, com discursos baixos e falsos sobre a realidade. Oposição, também, a essa situação na qual nós estudantes da Universidade Federal do Maranhão sentimos na pele, qual seja, ônibus lotado, com professores que faltam muito, estrutura física e educacional precárias, com livros na biblioteca que não atendem toda a demanda, a falta de compromisso de alguns Centros ou Diretórios Acadêmicos que não atendem as necessidades de sua base, à falta de pesquisa, extensão, de um ensino de qualidade, enfim, ao fato da UFMA ser uma das piores universidades do Brasil.
Nhoque Nhoque – Recursos Humanos, esse é o principal desafio do movimento estudantil. As pessoas se comprometem no começo, mas, com o tempo, por motivos pessoais, trabalho, estudos etc., acabam dando mais atenção a seus problemas individuais, claro, e deixando de lado o movimento estudantil. Como vocês pretendem superar esse problema?
Thalita Martins - Isso é um fato que atinge a nossa realidade, sabe? E é notório em muitos CAs e DAs aqui na UFMA. A gestão começa com milhões de pessoas mortas de felizes e no final acaba com duas (para não dizer uma), mortas de triste... E não podemos deixar de comentar que assim ocorreu nessa gestão do DCE. O descompromisso foi total que muitas pessoas abandonaram a gestão, ficando esta na mão de pouquíssim@s. E essa é a nossa outra grande preocupação quando esse mesmo grupo, juntando-se a outro (que não pode não esvaziar gestão, mas sala de aula el@s sabem fazer muito bem) tenta se reeleger para esvaziar novamente nossa entidade, deixando-a sem efetiva representação. Mas muitos e muitas da nossa chapa já possuem um ritmo de atividades exemplar aqui na UFMA. Todos os CAs e DAs que estamos a frente possuem um histórico de lutas junto a sua base, o que é surpreendente. Só para citar, como exemplo, e não desmerecendo os outros, temos o de Química, Computação, Contábeis, etc. A galerinha é de luta e sabe fazer luta, com o dialogo, arma para nós fundamental. E mesmo aquelas pessoas que não possuem tanta experiência assim, têm sede de Mudança, têm sede de uma Universidade melhor, onde todos e todas, desde o filho do pedreiro até @ homossexual, tenham acesso ao ensino superior.
Nhoque Nhoque – Você escreveu mudança com “m” maiúsculo, isso tem a ver com o seu grupo: o Movimento Mudança, do PT? Alguma mensagem subliminar? Aliás, fale da pluralidade da chapa, por vocês propagada.
Thalita Martins – (risos) Não! Em hipótese alguma. Mudança, em maiúsculo não veio para fazer apologia a nenhum grupo político. Ele foi proposital para reforçar e mostrar uma das nossas bandeiras, um dos nossos nortes, um dos motivos pelo qual esse amontoado de pessoas, com ideologias das mais diversas possíveis, se uniu. Queremos modificações na Universidade, urgentemente! Agora sobre a pluralidade ideológica que existe dentro da chapa. Olha, somos uma chapa democrática, que dentro de uma pluralidade consegue formar uma unidade, que nos mantêm firmes nessa caminhada. Pensamos que o DCE não está a serviço de apenas um grupo político. DCE foi feito para e com @s estudantes, seja qual cor, credo, pensamento político el@ tenha. Daí porque conseguimos formar essa unidade. Porque acima dos nossos anseios individuais está uma vontade de lutar por mais verbas, por um banheiro decente na Universidade, por mais ônibus, etc. Somos estudantes e sofremos na pele todas essas problemáticas.
Nhoque Nhoque – Realmente chapa de vocês é bem diversificada: Chuck Norris, Seya de Pégasus, Che Guevara e Seu Madruga. É com esse time de peso que vocês pretendem derrotar a concorrência?
Thalita Martins - Então, tenha certeza que temos um time não só dentro da chapa, mas de apoiadores, que inveja qualquer outra chapa. Empresas Juniores, times de futebol, bandas universitárias, professores e estudantes, que estão ali, na base mesmo, tentando conseguir divulgar nossos pensamentos, idéias e propostas para @s estudantes da Universidade. Isso é o que nos move. Porque temos certeza que não só nós, mas muitos e muitas têm sede de mudança (sem apologia aqui, risos). Agora sobre algumas celebridades, como Chuck Norris, Seya de Pégasus, Seu Madruga, que tu citaste, são apenas brincadeiras, para deixar o clima mais descontraído. Agora sim, colocamos no nosso material pensador@s e pessoas que fizeram história e servem de inspiração não só para nós, como para outr@s estudantes, como Airton Sena, Clarice Lispector, Maria Aragão, o próprio Che Guevara, etc.
Nhoque Nhoque – Para você, qual é a principal proposta da chapa?
Thalita Martins - Hummm, perguntinha danada essa... Aqui falo por mim, Thalita Martins, e pelo movimento no qual participo, que é o Movimento Mudança. Aquilo que nós defendemos para a Universidade, está nos moldes de um modelo de Universidade Popular, onde o pensamento individualista é deixado de lado em prol de um pensamento coletivo, deixando de lado também o atual modelo excludente e conservador. Queremos uma Universidade Popular, que produza a humanização do conhecimento e que questione o papel social das profissões universitárias. Portanto, um Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão Popular é fundamental. Agora não é só essa proposta também. O Encontro de Mulheres Estudantes da UFMA, um dia de luta contra as opressões, a luta pela efetiva inclusão das pessoas com deficiências, etc. são propostas mais políticas, que mostram aquele modelo de concepção de universidade que adotamos e nossas bandeiras também.
Nhoque Nhoque – Se você fosse escolher uma palavra para qualificar a UFMA é hoje e outra para qualificar o que você pretende que ela seja, quais escolheria?
Thalita Martins - Uma palavra que qualifica o hoje da UFMA seria “sucateamento”. O amanhã, que eu tanto almejo, seria “popular”.
Nhoque Nhoque - Não sei se você sabe, mas a chapa 2 foi na minha sala hoje. Era aula de Cultura Brasileira. Eles entraram e começaram a falar coisas bem parecidas com o que você falou. O mesmo jeito de falar, os mesmos termos. Até usaram esse @ no material deles também. A esquerda é toda igual. Dizem que nós da direita a esteriotipamos, mas, desculpe dizer, temos razão. Levando isso em consideração, que diferenças há entre vocês e as outras chapas?
Thalita Martins - Desculpe-me, mas não acho que eles são tão de esquerda assim como dizem. Uma esquerda que não defende a entrada de mais estudantes nas Universidades públicas brasileiras (bandeiras historicamente defendidas por el@s) não é uma verdadeira esquerda! E é isso o que vai acontecer com o REUNI, que eles tanto batem, dizendo que é a privatização da Universidade federal brasileira, Reforma de FHC e Lula, etc! E ainda são contra a Reforma Universitária, ou seja, querem deixar tudo como está! Como disse anteriormente, o que norteia a nossa chapa é congregar e respeitar as diversas opiniões diferentes. Eles não! Só quem entra no grupo da Chapa 2 é quem pensa igual, veste igual, come igual a eles! Não há espaço para o diferente! Eu não vou negar que sou militante de esquerda. Mas nem por isso vou deixar de falar com pessoas que não pensam igual a mim. A construção é feita no debate e não na desqualificação de um movimento ou pessoa! No mais, jogamos limpo! Não saímos tirando cartazes de outras chapas, nem falando mentiras pelos corredores, como faz a Chapa 2!Sobre essa 'estereotipação' da esquerda que citastes, acho que não é por aí... Existem pessoas que se vestem, falam de um jeito e outras que se vestem e falam de outra maneira, sendo tod@s de esquerda. É natural e devemos respeitar. Sobre o uso da @ é para desconstruir mesmo esse padrão de linguagem machista que a língua brasileira adota. E não precisa ser de esquerda para usar.
Nhoque Nhoque - Claro que sim. Alguém de direita nunca usaria isso.
Thalita Martins - Mas por que não? (risos)
Nhoque Nhoque - Ora, não falo pelos outros, mas eu, pelo menos, nunca usaria. Afinal, não sou muito simpático a movimentos feministas, odeio esse politicamente correto e prezo por minha língua. Mas a entrevistada aqui é você. Tava fazendo um esforço para não empregar minhas opiniões pessoais na entrevista, mas não consegui. Não consigo ser jornalista imparcial. Espero que a Federação não me puna por isso (risos).
Thalita Martins - (risos) A gente conversa sobre isso pessoalmente...
Nhoque Nhoque - Tá certo. Obrigado pela entrevista. Algumas últimas palavras?
Thalita Martins - A UFMA era um sonho para muit@s que se tornou realidade. O nosso ideal é que essa realidade não se torne um pesadelo. O DCE tem grande importância nessa construção, principalmente se ele for participativo, que construa movimento de base, que dialogue com o corpo acadêmico. Não achamos que somos a solução para os problemas, mas sabemos que juntos podemos fazer muita coisa. Por isso, a Chapa 3 se apresenta a cada estudante, como uma alternativa a esse marasmo, para podermos dialogar o modelo de universidade que queremos, bem como o projeto político pedagógico da nossa universidade. E isso só se faz com o movimento, com uma gestão participativa, integrada e antenada com as verdadeiras demandas. Por isso vote chapa 3 “Somos quem podemos ser” no dia 18 de junho. Queremos agradecer muito ao Nhoque Nhoque pelo espaço. Ele, como todo meio de comunicação desta universidade, é fundamental para podermos estar mais próximos d@s studantes, fazendo-@s nos conhecer melhor!
Nhoque Nhoque - Obrigado e boa sorte.
P.S.: Entramos em contato com membros de todas as chapas que concorrem ao DCE. Em breve, publicaremos as outras entrevistas.
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Boas maneiras para estudantes nas filas
Muito se fala das imensas filas dos ônibus do Campus e do terminal. Dos coletivos lotados e das grandes esperas. Porém, raríssimas vezes ouço comentários sobre a falta de educação dos estudantes nas filas.
É insuportável, ultrajante. Beiram a barbárie as péssimas maneiras dos alunos. E a cultura de “vitimização”, comum nos meios estudantis, não nos permite perceber que a falta de delicadeza que praticamos e sofremos todos os dias agrava ainda mais o aborrecimento da espera incômoda.
Chego muitas vezes a duvidar que esteja realmente indo para uma universidade quando presencio os empurrões e atropelos nas entradas dos ônibus. Estudantes de ensino superior, pessoas esclarecidas, presumo, se amontoam na porta, empurram umas as outras e desrespeitam a ordem de forma totalmente grosseira e deselegante. É em momentos como esse que me pergunto se isso é realmente uma civilização e se esses jovens merecem estar numa universidade*.
Assim como todos, estou sempre com pressa. Estamos com pressa o tempo todo. Mas nada justifica a invariável falta de educação no acesso aos coletivos. Educação é um hábito que deve ser conservado em todos os momentos.
Respeite a fila. Se estamos decepcionados com a falta de coletivos e o penoso percurso casa/trabalho--universidade, deveríamos preservar o mínimo de polidez nos momentos em que esperamos pelo transporte. Com que cara-de-pau podemos reivindicar algo das autoridades se são os próprios estudantes os grandes responsáveis por nossos problemas?
É insuportável, ultrajante. Beiram a barbárie as péssimas maneiras dos alunos. E a cultura de “vitimização”, comum nos meios estudantis, não nos permite perceber que a falta de delicadeza que praticamos e sofremos todos os dias agrava ainda mais o aborrecimento da espera incômoda.
Chego muitas vezes a duvidar que esteja realmente indo para uma universidade quando presencio os empurrões e atropelos nas entradas dos ônibus. Estudantes de ensino superior, pessoas esclarecidas, presumo, se amontoam na porta, empurram umas as outras e desrespeitam a ordem de forma totalmente grosseira e deselegante. É em momentos como esse que me pergunto se isso é realmente uma civilização e se esses jovens merecem estar numa universidade*.
Assim como todos, estou sempre com pressa. Estamos com pressa o tempo todo. Mas nada justifica a invariável falta de educação no acesso aos coletivos. Educação é um hábito que deve ser conservado em todos os momentos.
Respeite a fila. Se estamos decepcionados com a falta de coletivos e o penoso percurso casa/trabalho--universidade, deveríamos preservar o mínimo de polidez nos momentos em que esperamos pelo transporte. Com que cara-de-pau podemos reivindicar algo das autoridades se são os próprios estudantes os grandes responsáveis por nossos problemas?
* Espetáculo mais asqueroso só no caos do terminal do São Cristovão, onde, definitivamente, acaba a civilização.
domingo, 13 de abril de 2008
A força estudantil - 2
Depois da saída do reitor da UnB, Timothy Mulholland, o vice-reitor, Edgar Mamiya, que tinha assumido semana passada o cargo de Mulholland, pede pra sair. "Ele saiu porque ficou insustentável a permanência dele. Agora ficou mais fácil negociar com o governo, mas a desocupação terá de ser discutida com os alunos", disse Fábio Félix, um dos coordenadores do DCE da UnB. Segundo ele, Mamiya seria ligado ao grupo de Mulholland (leia a reportagem da Folha aqui).
Se você dá a mão, eles querem logo o braço. Agora que parte de suas reivindicações foram atendidas, os invasores pretendem conseguir a tão sonhada paridade na escolha de reitores. “Queremos que os alunos tenham participação paritária em todos os conselhos da universidade. Hoje, a participação dos estudantes vale menos que a dos professores”, disse Karla Gamba (alguns sites escrevem Carla Gamba), coordenadora do DCE e estudante de Teatro da UnB.
Não sei onde eles acharam esse direito de participação “paritária”. Certamente na lata de lixo. Junto com a palavra “paritária”.
Essa é uma velha reivindicação da esquerda universitária. Nas últimas eleições para reitor da UFMA, me lembro de ver um rapazinho do PSTU com um microfone na mão berrando no ouvido dos que passavam sobre a injustiça que é, segundo ele e seu partido, os alunos e servidores administrativos terem apenas 15% de peso cada um, enquanto os professores têm 70% de peso na contagem dos votos.
Muito conveniente. Os alunos são numericamente bem superiores aos professores e servidores administrativos. Se todos tivessem o mesmo peso na escolha do reitor e do vice-reitor, seriam os estudantes que acabariam decidindo as eleições. Dessa forma, sua importância política aumentaria exorbitantemente, seu poder de barganha também. Estudantes ligados a partidos, a frente de CAs e DAs ou de entidades para-estudantis, como era o rapazinho do microfone, certamente teriam uma influência enorme na política universitária. Os efeitos disso seriam certamente desastrosos.
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terça-feira, 11 de março de 2008
A Universidade e seus afro-descendentes... again
Na primeira etapa, tudo bem. Usaram o termo certo para designar os estudantes aprovados nas cotas para negros, que é: "estudantes aprovados nas cotas para negros". Mas nos resultado final do vestibular, que saiu ontem, os radialistas da Universidade FM vieram de novo com essa história de "afro-descendentes". Pra não dizer que eu nunca falei sobre um assunto, segue, na íntegra, um texto publicado no meu extinto blog e na primeira edição do Nhoque Nhoque impresso:
Há alguns dias, foi publicada a relação dos aprovados na primeira etapa do vestibular da UFMA. Apesar de nela estar escrito, por exemplo, 'Resultado do Curso de Medicina Negro', os locutores da emissora de rádio que divulgou a lista usavam o termo 'afro-descendentes' para designar os aprovados pela cota de negros.
Essa diferença entre o que estava no papel e o que os eminentes radialistas preferiram dizer escancara uma indelével marca do preconceito que se encontra invariavelmente oculto em nossa sociedade; já que parte do seguinte pressuposto: chamar alguém de negro é ofensa.
Usava-se 'afro-descendentes' como um eufemismo, como se 'negro' fosse pejorativo. Isso é típico do Brasil.O Brasil medíocre dos eufemismos. O Brasil medíocre do preconceito.
Despautério maior, no tocante a minha pessoa, foi restringir apenas alguns como sendo afro-descendentes e, por conseguinte, excluir todas as outras pessoas que também fazem parte dessa nobre classificação, também filhos da pujante 'mama África': eu, você, sua mãe, os candidatos das escolas públicas, os candidatos das escolas particulares, os candidatos índios, os candidatos deficientes e até eles, os profissionais que cometeram tal ignomínia.
Eu me senti ofendido.Senti-me excluído.Senti-me preterido.Senti-me insultado.Só espero que, nas próximas vezes, nossos conspícuos radialistas não se esqueçam nem de mim, nem dos outros e nem de si mesmos.
No edital do vestibular desse ano, temos o seguinte:
"Ao inscrever-se, o candidato deverá fazer as seguintes opções:
a) A Categoria de vagas na qual deseja concorrer, ou seja, Universal ou Cotas, e respectiva modalidade desta última Categoria: escola pública, negro, índio ou portador de deficiência [...]"
Em outro trecho do edital, o termo usado é o mesmo:
"Os candidatos listados na relação indicada no item 31 deverão, dentro dos prazos indicados no item 46:
[...]
III. Submeter-se a entrevista, caso sejam optantes pela modalidade Negro da Categoria Cotas [...]"
Se a cotas fosse para afro-descendentes e o critério de escolha fosse a afro-descendência da pessoa, eu e toda a população brasileira teriamos o Direito de nos inscrevermos e sermos aceitos nas mencionadas cotas, já que, como eu falei anteriormente, temos impregnados em nossos costumes, na culinária, nos nossos hábitos e na linguagem, vários resquícios de nossa descendência africana.
Não banquem os politicamente corretos: a cota é para negros e o critério é o fenótipo. Por isso, vamos colocar os pingos nos is e falar direito. Senão no próximo texto serei menos moderado (temam, isso é uma ameaça) e o começarei da seguinte forma: "Os racistas da Rádio Universidade..."
Há alguns dias, foi publicada a relação dos aprovados na primeira etapa do vestibular da UFMA. Apesar de nela estar escrito, por exemplo, 'Resultado do Curso de Medicina Negro', os locutores da emissora de rádio que divulgou a lista usavam o termo 'afro-descendentes' para designar os aprovados pela cota de negros.
Essa diferença entre o que estava no papel e o que os eminentes radialistas preferiram dizer escancara uma indelével marca do preconceito que se encontra invariavelmente oculto em nossa sociedade; já que parte do seguinte pressuposto: chamar alguém de negro é ofensa.
Usava-se 'afro-descendentes' como um eufemismo, como se 'negro' fosse pejorativo. Isso é típico do Brasil.O Brasil medíocre dos eufemismos. O Brasil medíocre do preconceito.
Despautério maior, no tocante a minha pessoa, foi restringir apenas alguns como sendo afro-descendentes e, por conseguinte, excluir todas as outras pessoas que também fazem parte dessa nobre classificação, também filhos da pujante 'mama África': eu, você, sua mãe, os candidatos das escolas públicas, os candidatos das escolas particulares, os candidatos índios, os candidatos deficientes e até eles, os profissionais que cometeram tal ignomínia.
Eu me senti ofendido.Senti-me excluído.Senti-me preterido.Senti-me insultado.Só espero que, nas próximas vezes, nossos conspícuos radialistas não se esqueçam nem de mim, nem dos outros e nem de si mesmos.
No edital do vestibular desse ano, temos o seguinte:
"Ao inscrever-se, o candidato deverá fazer as seguintes opções:
a) A Categoria de vagas na qual deseja concorrer, ou seja, Universal ou Cotas, e respectiva modalidade desta última Categoria: escola pública, negro, índio ou portador de deficiência [...]"
Em outro trecho do edital, o termo usado é o mesmo:
"Os candidatos listados na relação indicada no item 31 deverão, dentro dos prazos indicados no item 46:
[...]
III. Submeter-se a entrevista, caso sejam optantes pela modalidade Negro da Categoria Cotas [...]"
Se a cotas fosse para afro-descendentes e o critério de escolha fosse a afro-descendência da pessoa, eu e toda a população brasileira teriamos o Direito de nos inscrevermos e sermos aceitos nas mencionadas cotas, já que, como eu falei anteriormente, temos impregnados em nossos costumes, na culinária, nos nossos hábitos e na linguagem, vários resquícios de nossa descendência africana.
Não banquem os politicamente corretos: a cota é para negros e o critério é o fenótipo. Por isso, vamos colocar os pingos nos is e falar direito. Senão no próximo texto serei menos moderado (temam, isso é uma ameaça) e o começarei da seguinte forma: "Os racistas da Rádio Universidade..."
domingo, 2 de março de 2008
Insubordinação doentia: ingenuidade ou oportunismo - parte I
Dia 11 de julho de 2007 começou o ano letivo na UFMA para os calouros de 2007. Lá estava eu, procurando me encontrar naquele período ímpar de efervescência política do movimento estudantil. Seis dias antes, a reitoria da UFMA havia sido ocupada por estudantes de cerca de 17 entidades estudantis, para-estudantis e movimentos sociais.
A ocupação, ocorrida na gestão do prof. Fernando Ramos, durou oito dias. Na aula inaugural, dia 8 de julho, no Auditório Central, lá estava Jorge Serejo, integrante do DCE, esclarecendo aos calouros o motivo da manifestação e tentando atrair mais estudantes para sua causa. No primeiro dia de aula, um representante também foi enviado para tentar persuadir os calouros de Comunicação. É... não deu certo.
Muito tempo se passou desde o episódio, e até agora pouco foi esclarecido sobre ele. Por isso, a partir de hoje, o Nhoque Nhoque publicará uma série de artigos procurando desvendar todas as falácias a cerca daquela que foi conhecida por seus integrantes como uma das maiores vitórias do movimento estudantil da história da UFMA.
Iniciamos a série publicando o vídeo das das primeiras ações do movimento, seus planos, ideais e motivações. E continuaremos, em outras postagens, apresentando fatos referentes ao episódio e seu impacto em nossa universidade.
Por enquanto, o vídeo e os comentários deixados para ele no Youtube.
1.Vocês brincam de revolução como qualquer estudante de classe média. QUE SE OCUPE DE FATO E DE DIREITO UMA REITORIA. NÃO PARA IMITAR O QUE FIZERAM NA USP. E olha que nem souberam imitar direito.
2.Vocês não sabem conquistar a adesão do povo (que tanto defendem), um exemplo é dar aula para cursinhos na periferia. Quantos de vocês dão aula de graça? (estão sempre atrás da grana como qualquer capitalista) NUNCA SE ESQUEÇAM TODOS NÓS SOMOS CAPITALISTAS!
3."SETORES REACIONÁRIOS QUE NÃO CONCORDAM COM AS LUTAS", quer dizer alguém não concorda com você ele é, portanto, reacionário. CADÊ A TÃO MENCIONDA DEMOCRACIA QUE VOCÊS APREGOAM TANTO? A maioria desses "revolucionários" deixam a Faculdade (isso quando deixam) e simplesmente esquecem (como mágica) os ideais.
4.Protestar é válido, principalmente quando não se concorda com o modelo vigente de gestão. Porém, depredar o Patrimônio público, proibir outras pessoas de exercerem o direito de ir e vir...
A ocupação, ocorrida na gestão do prof. Fernando Ramos, durou oito dias. Na aula inaugural, dia 8 de julho, no Auditório Central, lá estava Jorge Serejo, integrante do DCE, esclarecendo aos calouros o motivo da manifestação e tentando atrair mais estudantes para sua causa. No primeiro dia de aula, um representante também foi enviado para tentar persuadir os calouros de Comunicação. É... não deu certo.
Muito tempo se passou desde o episódio, e até agora pouco foi esclarecido sobre ele. Por isso, a partir de hoje, o Nhoque Nhoque publicará uma série de artigos procurando desvendar todas as falácias a cerca daquela que foi conhecida por seus integrantes como uma das maiores vitórias do movimento estudantil da história da UFMA.
Iniciamos a série publicando o vídeo das das primeiras ações do movimento, seus planos, ideais e motivações. E continuaremos, em outras postagens, apresentando fatos referentes ao episódio e seu impacto em nossa universidade.
Por enquanto, o vídeo e os comentários deixados para ele no Youtube.
1.Vocês brincam de revolução como qualquer estudante de classe média. QUE SE OCUPE DE FATO E DE DIREITO UMA REITORIA. NÃO PARA IMITAR O QUE FIZERAM NA USP. E olha que nem souberam imitar direito.
2.Vocês não sabem conquistar a adesão do povo (que tanto defendem), um exemplo é dar aula para cursinhos na periferia. Quantos de vocês dão aula de graça? (estão sempre atrás da grana como qualquer capitalista) NUNCA SE ESQUEÇAM TODOS NÓS SOMOS CAPITALISTAS!
3."SETORES REACIONÁRIOS QUE NÃO CONCORDAM COM AS LUTAS", quer dizer alguém não concorda com você ele é, portanto, reacionário. CADÊ A TÃO MENCIONDA DEMOCRACIA QUE VOCÊS APREGOAM TANTO? A maioria desses "revolucionários" deixam a Faculdade (isso quando deixam) e simplesmente esquecem (como mágica) os ideais.
4.Protestar é válido, principalmente quando não se concorda com o modelo vigente de gestão. Porém, depredar o Patrimônio público, proibir outras pessoas de exercerem o direito de ir e vir...
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Alguém notou alguma coisa?

Provavelmente acabará hoje a mobilização promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Maranhão (Sintufma) iniciada ontem, no Campus do Bacanga, para exigir que os acordos feitos com o Governo Federal na última greve da categoria, em 2007, não sejam afetados pelo fim da CPMF e que eles sejam transformados em medida provisória ou projeto de lei a partir desse ano, para agilizar a melhoraria seus salários, o ajuste de seus planos de cargos, carreira etc. Coisas de sindicato. É pra isso que eles servem.
A primeira pergunta que vem a cabeça de qualquer estudante quando se fala em governo, UFMA e sindicato ao mesmo tempo é: vai ter greve? A resposta é bem simples: se os servidores e dirigentes de sindicato estiverem com os bolsos satisfeitos, não. Agora, se o governo não atender às reivindicações da Fasubra (Federação dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras), com quem faz as negociações, provavelmente teremos umas feriazinhas por aí.
“Oba!”
Pois é.
Quanto à mobilização de ontem, a maioria deve estar se perguntando: e o Kiko?

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
O "Omi" e Os Barbudo
“Por acaso você acha que O Movimento Estudantil [doravante O’ME] ainda é composto por barbudos marxistas?”. Assim mesmo “O Movimento Estudantil”, sempre único e soberano. Só faltava escrever com letras maiúsculas. Mas isso eu já estou fazendo por eles, para facilitar as coisas. Mas, voltando à pergunta, sobra-me apenas a opção de dizer sim e aceitar o implícito atestado de paranóia.
A questão foi-me jogada em uma polêmica na qual me envolvi há alguns meses. Apesar da leve concessão de que pelo menos em algum ponto no tempo houve o completo domínio marxista sobre as mentes estudantis, o tom sarcástico da autora não deixava dúvidas de que isto era tudo coisa do passado, que nos dias de hoje a situação é completamente diferente. Dizer o contrário é auto atestar-se, além de paranóia, desinformação.
Um compêndio de quase toda argumentação em defesa do O’ME é algo do tipo: “isso é coisa dessa gente que tem uma visão altamente distorcida do O’ME e não entende a sua luta histórica e a sua importância na luta pela causa estudantil, tá ligado?”. Cada vez que alguém diz algo do tipo ao mesmo tempo em que não se pretende marxista, me dá um abatimento, uma tristeza. Um vazio no peito e uma imensa vontade de voar no pescoço do infeliz e encher-lhe de tapas. Dêem-me uma pausa para respirar, por favor... ufa. Oh céus, quem estuda ao menos um pouco, só um pouquinho mesmo!, entende a minha dor. A defesa é maravilhosa, impecável. O barbudo marxista nega a veia marxista do O’ME a partir de pressupostos puramente marxistas. Um primor!
Se eu ainda ACHO que o O’ME é composto por barbudos marxistas!? NÃAAAO! Eu SEI que é! Olha, se ainda são barbudos não sei. Alguns até são sim. Pior, a maioria nunca nem leu Marx. Mas se são marxistas? Ah são sim, ou pelo menos pensam como um. Todos eles! Barbudos ou não. E se acham que não, então são piores que os tais “antigos”, pois de tão burros já nem sabem mais o que são. Dizem até que o CCH da UFMA foi construído com base na planta de uma antiga fábrica inglesa, reparem bem, só para deixar a galera no clima.

Um compêndio de quase toda argumentação em defesa do O’ME é algo do tipo: “isso é coisa dessa gente que tem uma visão altamente distorcida do O’ME e não entende a sua luta histórica e a sua importância na luta pela causa estudantil, tá ligado?”. Cada vez que alguém diz algo do tipo ao mesmo tempo em que não se pretende marxista, me dá um abatimento, uma tristeza. Um vazio no peito e uma imensa vontade de voar no pescoço do infeliz e encher-lhe de tapas. Dêem-me uma pausa para respirar, por favor... ufa. Oh céus, quem estuda ao menos um pouco, só um pouquinho mesmo!, entende a minha dor. A defesa é maravilhosa, impecável. O barbudo marxista nega a veia marxista do O’ME a partir de pressupostos puramente marxistas. Um primor!
Se eu ainda ACHO que o O’ME é composto por barbudos marxistas!? NÃAAAO! Eu SEI que é! Olha, se ainda são barbudos não sei. Alguns até são sim. Pior, a maioria nunca nem leu Marx. Mas se são marxistas? Ah são sim, ou pelo menos pensam como um. Todos eles! Barbudos ou não. E se acham que não, então são piores que os tais “antigos”, pois de tão burros já nem sabem mais o que são. Dizem até que o CCH da UFMA foi construído com base na planta de uma antiga fábrica inglesa, reparem bem, só para deixar a galera no clima.
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domingo, 20 de janeiro de 2008
MECom(unista)

Foi inaugurado na semana passada o site do curso de Comunicação Social da UFMA. Ele contém informações gerais sobre o curso e traz, entre outras coisas: currículo e e-mail de professores, artigos científicos, informações sobre a estrutura física, projetos de extensão já realizados, notícias, eventos, oportunidades para os alunos, etc.
Ótimo. Perfeito. Era o que faltava. Será um maravilhoso guia para quem quiser conhecer mais sobre nosso curso e se informar sobre o que acontece nele. Só me digam uma coisa. É sobre algo que achei no site. Para quem puder me responder: quem diabos escreveu isso?
O QUE É O DACOM?
O Diretório Acadêmico do Curso de Comunicação Social (DACOM) é uma organização da sociedade civil, como os outros movimentos sociais, sem fins lucrativos, sem filiação político-partidária, livre e independente do Estado e da Universidade. Ele é a entidade máxima de mobilização e representação do conjunto dos estudantes do curso de Comunicação Social da UFMA, nas três habilitações (Jornalismo, Rádio e TV e Relações Públicas e Comunicação Organizacional).
SUA PROPOSTA É:
- Defender e direcionar as lutas dos estudantes pela garantia dos seus direitos e reivindicações nas questões relativas ao Curso, em particular, e da UFMA em geral.
- Incentivar os estudantes a participarem efetivamente da Entidade, devendo ser respeitadas suas convicções políticas, ideológicas, religiosas e filosóficas, na perspectiva de garantir a mais ampla liberdade de expressão.
- Contribuir para o fortalecimento da consciência crítica dos estudantes através da realização e/ou incentivo à participação em eventos de natureza cultural, política, científica, filosófica e social; organizar e orientar a luta dos estudantes, ao lado do povo, para construção de uma sociedade livre, democrática e sem exploração.
- Contribuir para a unificação da luta dos três segmentos da comunidade universitária (docentes, discentes e técnicos-administrativos), com vistas à defesa e preservação de uma Universidade pública, gratuita, autônoma, de qualidade e democrática, socialmente referenciada e articular as lutas específicas do MECom (Movimento Estudantil de Comunicação) contribuindo para a construção de um projeto de sociedade justa, igualitária e libertária.
ESTOU PRONTO PARA MUDAR O MUNDO!!!!!!!!!!!!!AAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!
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Clique aqui para acessar o site oficial do curso de Comunicação Social da UFMA
E aqui para acessar o site do MECom (Movimento Estudantil Comunista)
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Uma assembléia ilegítima
Sai da sala achando que assistiria uma verdadeira palestra sobre como e porque ser contra o Reuni. Estava ciente de que veria estudantes e professores das mais variadas matizes da esquerda ufmiana competindo para ver quem faria o discurso mais inflamado, mais exaltado, mais pomposo e ao mesmo tempo mais empolgante contra o novo programa do Governo e contra a autoritária reitoria. Fiquei surpreso. Acabou sendo bem pior do que eu pensei.
Como já era de se esperar, não houve debate nenhum na assembléia. O estudante que se propôs a defender o projeto foi prontamente retaliado de todas as formas. Gritos, urros, provocações, vaias, risos de deboche e berros intercalavam suas frases. Os pedidos de silêncio e respeito eram inúteis. Poucos sabiam se portar. Entre uma afirmação e outra, era chamado de burguesinho, mentiroso, capacho... O que era para ser uma discussão sobre o programa de expansão das universidades públicas federais se tornou uma quixotesca luta de classes. O estudante sofrido contra o privilegiado. O burguês contra o proletário. O do CCBS contra o do CCH.
Sua fala foi seguida por discursos pomposos e cheios de retórica, porém, sem lógica, fracos, vazios e transbordando de ressentimento. Os oradores só falavam o que a platéia queria ouvir e logo eram ovacionados com uma salva de palmas pelos bajuladores, com assobios e canções. O estudante de medicina era atacado em quase todos eles. Dificilmente tinha o direito de resposta. E quando ousava dizer algo, logo vinham as vaias e os risos. Os estudantes não conseguiam ouvi-lo sem macaquear. Aquilo parecia qualquer coisa, menos um debate.
Toda essa rispidez por parte das pessoas que se manifestavam daquela forma na “assembléia”, partia daquela cadavérica visão maniqueísta de luta de classes, de bem contra o mal, de reitoria (poder) contra estudantes (oprimidos). Via-se a assembléia como um ato para “barrar o Reuni” e as arbitrariedades do Poder, quando na verdade, deveria-se conceber o momento como uma hora para se refletir sobre quais as alternativas a serem seguidas, apontando as falhas do projeto e definindo como poderíamos superá-las da melhor forma possível. Não era para dizer se é contra ou a favor, ou de que time é. Não estamos em um jogo onde um tem que vencer. O que deveria ser feito era procurar um consenso sobre o que é melhor para a universidade e para a sociedade. Sem gritos, mas com o diálogo sereno.
A desqualificação da assembléia não se limitou somente ao espetáculo sórdido e lamentável promovido pelos estudantes. A ausência de representantes da reitoria que pudessem defender seu ponto de vista também foi uma falta enorme. Seriam vaiados sem pudor, com certeza, mas, pelo menos, poder-se-ia pensar sobre a possibilidade de haver algum diálogo um dia, um posterior debate pacífico.
Contudo, a indisposição recíproca para que isso aconteça é um indicativo cabal de que não teremos, em curto prazo, uma boa saída para os males que afligem nossa combalida universidade. Enquanto haver um lado do bem e um lado do mal na cabeça dessas pessoas, não teremos como chegar a qualquer avanço. Viveremos em conflitos e intrigas sem final, num joguinho infantil de quem começou primeiro, descambando sempre para o autoritarismo.
Não proponho que reitoria, APRUMA e DCE andem de mãos dadas a partir de agora. Só creio que maturidade na relação entre eles pode nos trazer alguns ganhos para a UFMA. Mas se alguém acha que a discórdia e a incompreensão são benéficas para ambos, que continue vaiando e gritando. Talvez um dia consiga algo com isso. Uma inflamação na garganta, quem sabe.
Como já era de se esperar, não houve debate nenhum na assembléia. O estudante que se propôs a defender o projeto foi prontamente retaliado de todas as formas. Gritos, urros, provocações, vaias, risos de deboche e berros intercalavam suas frases. Os pedidos de silêncio e respeito eram inúteis. Poucos sabiam se portar. Entre uma afirmação e outra, era chamado de burguesinho, mentiroso, capacho... O que era para ser uma discussão sobre o programa de expansão das universidades públicas federais se tornou uma quixotesca luta de classes. O estudante sofrido contra o privilegiado. O burguês contra o proletário. O do CCBS contra o do CCH.
Sua fala foi seguida por discursos pomposos e cheios de retórica, porém, sem lógica, fracos, vazios e transbordando de ressentimento. Os oradores só falavam o que a platéia queria ouvir e logo eram ovacionados com uma salva de palmas pelos bajuladores, com assobios e canções. O estudante de medicina era atacado em quase todos eles. Dificilmente tinha o direito de resposta. E quando ousava dizer algo, logo vinham as vaias e os risos. Os estudantes não conseguiam ouvi-lo sem macaquear. Aquilo parecia qualquer coisa, menos um debate.
Toda essa rispidez por parte das pessoas que se manifestavam daquela forma na “assembléia”, partia daquela cadavérica visão maniqueísta de luta de classes, de bem contra o mal, de reitoria (poder) contra estudantes (oprimidos). Via-se a assembléia como um ato para “barrar o Reuni” e as arbitrariedades do Poder, quando na verdade, deveria-se conceber o momento como uma hora para se refletir sobre quais as alternativas a serem seguidas, apontando as falhas do projeto e definindo como poderíamos superá-las da melhor forma possível. Não era para dizer se é contra ou a favor, ou de que time é. Não estamos em um jogo onde um tem que vencer. O que deveria ser feito era procurar um consenso sobre o que é melhor para a universidade e para a sociedade. Sem gritos, mas com o diálogo sereno.
A desqualificação da assembléia não se limitou somente ao espetáculo sórdido e lamentável promovido pelos estudantes. A ausência de representantes da reitoria que pudessem defender seu ponto de vista também foi uma falta enorme. Seriam vaiados sem pudor, com certeza, mas, pelo menos, poder-se-ia pensar sobre a possibilidade de haver algum diálogo um dia, um posterior debate pacífico.
Contudo, a indisposição recíproca para que isso aconteça é um indicativo cabal de que não teremos, em curto prazo, uma boa saída para os males que afligem nossa combalida universidade. Enquanto haver um lado do bem e um lado do mal na cabeça dessas pessoas, não teremos como chegar a qualquer avanço. Viveremos em conflitos e intrigas sem final, num joguinho infantil de quem começou primeiro, descambando sempre para o autoritarismo.
Não proponho que reitoria, APRUMA e DCE andem de mãos dadas a partir de agora. Só creio que maturidade na relação entre eles pode nos trazer alguns ganhos para a UFMA. Mas se alguém acha que a discórdia e a incompreensão são benéficas para ambos, que continue vaiando e gritando. Talvez um dia consiga algo com isso. Uma inflamação na garganta, quem sabe.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Insubordinados e dissimulados
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Discutir o REUNI para quê, se nós temos que ser essencialmente contra? Para que discutir um programa, que como já nos foi esclarecido pelos colegas acima, não passa da “síntese precária de um projeto de desmonte do ensino superior público do Brasil”? Se de antemão temos que ter uma opinião contrária ao REUNI, por que pedir para que ele seja amplamente debatido por toda comunidade acadêmica? Dissimulação é a palavra que me vem à cabeça.
Esse debate exigido pelos estudantes e sindicalistas não faz nenhum sentido. Se por um lado temos meia dúzia de estudantes-militantes e professores-sindicalistas que são extremamente contra o REUNI, por outro temos a reitoria, que é extremamente a favor. Então como pode haver debate onde não há espaço para o convencimento?
Com a vitória conquistada na justiça pelo Conselho da APRUMA (repito, na Justiça, bonitinho, legalmente, não a base da força. Viram como se faz, estudantes-militantes?), espera-se que aconteçam mais debates e discussões. Com certeza o DCE promoverá alguns debates CONTRA o REUNI, como já bem falou um integrante desta gestão em certa ocasião: “Nós do DCE já realizamos alguns debates contra o REUNI...”. A APRUMA e a Andes provavelmente farão o mesmo. E aí? O que acontece no final? Resposta: os estudantes-militantes e professores-sindicalistas continuarão contra, e a reitoria continuará a favor. Com a diferença de que vai se ter falado mais, essa história de REUNI já vai ter enchido o saco de todo mundo e haverão algumas pessoas a mais com algum juízo de valor sobre o projeto. Estaremos esclarecidos, mal esclarecido, porém, pois só teremos ouvido discursos contra ou a favor, sem nenhuma análise sensata do programa e do projeto por parte dessas pessoas. Algumas até serão contra ou a favor sem nem ter lido nada, como já fazem.
Peço agora que observe bem a foto acima. Tem como haver diálogo entre as partes aí? Como serão os “amplos debates na comunidade acadêmica” a partir de agora? Vamos debater para se chegar a um consenso ou vai ser um querendo tirar o microfone do outro?
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sábado, 1 de dezembro de 2007
Entrevista – Lourival Souza
Lourival Souza, estudante do 5° período de engenharia elétrica da UFMA, Conselheiro de Ensino Pesquisa e Extensão e membro do grupo L.I.G.A. fala conosco sobre a aprovação do REUNI que aconteceu ontem, a socos e pontapés, no Palácio Cristo Rei. Ele fala sobre esse programa do Governo Federal e sobre o movimento estudantil.
Nhoque Nhoque – Foi aprovada no último dia 30, pelo CONSUN, em votação polêmica, a adesão da UFMA ao REUNI, programa do Governo que promete democratizar o ensino superior nas universidades públicas federais. Muitos membros dos vários setores da universidade alegaram que essa aprovação foi autoritária e antidemocrática. Você reafirma essas acusações?
Lourival Souza - De forma alguma. Todos os setores estavam legitimamente representados. E, aliás, pelo art.30, parágrafo 1, do regimento, o presidente do conselho poderá convocar uma sessão em menos de 72 horas em caso de urgência. Isso foi alegado pelos representantes da palhaçada e derrubado pelo procurador federal ainda no início da sessão.
Nhoque Nhoque – A qual palhaçada você se refere?
Lourival Souza – Da graduação estavam presentes: eu (L.I.G.A.) a favor, Lucas Valadão (L.I.G.A.) a favor, Priscila Barcelos (DCE) a favor, Péricles (DCE) contra e Ramon (DCE) contra. Quando cheguei ao palácio os manifestantes estavam com nariz de palhaço. Não há outro nome para o que palhaço faz.
Nhoque Nhoque – Os estudantes do DCE e da CONLUTE alegaram que a sessão não tinha caráter de urgência, já que o prazo para o parecer da universidade era até o final do mês. O que você diz desses argumentos? São sérios ou são só coisas de palhaço?
Lourival Souza – Bem, como urgência têm caráter subjetivo, eles podem achar o que quiserem. Usaram isso isso para fazer um circo ontem. Claro que é coisa de palhaço. Detalhe: eles tinham uma palhacinha exonerada.
Nhoque Nhoque – Como assim? Quem seria?
Lourival Souza – Rielda. Ela era suplente do Consepe. Os titulares foram exonerados, ela e outros deveriam assumir. O que nunca fizeram. A exoneração vem depois de três faltas não justificadas. Do Consepe só restamos eu e Pricilla Barcerlos. Que coisa, não? Se ela tivesse um pouco mais de preocupação e responsabilidade, poderia estar lá dentro do palácio dando o seu voto e não lá fora arranhando sua garganta com um microfone e uma caixa amplificada.
Nhoque Nhoque – Por que você se posicionou favorável ao REUNI?
Lourival Souza - Primeiro, pelas metas que o programa propõe, metas altas. A UFMA precisa trabalhar para isso. Todo suporte físico e acadêmico foram propostos de forma bem plausível, descentralizando muitas funções pedagógicas, aumentando bolsas e, claro, aumentando os investimentos. Todas as universidades que o conseguirem terão um aumento no orçamento. Cria novos cursos, com a ênfase noturna. Por exemplo, o CCH de manhã e de noite fica quase vazio. O CCET a noite também. O projeto democratiza o acesso, já que muitos estudantes são de origem humilde e têm que trabalhar. Prevê construção de creches. Além disso, o projeto pode evoluir ainda mais, já que as medidas críticas se implantarão em 2009. Aumenta o número de docentes. Criação de suporte pedagógico para quem tem baixo rendimento. Basicamente isso me fez ficar a favor do projeto.
Nhoque Nhoque – Alguns representantes do DCE chamaram os estudantes que votaram a favor do REUNI de “traíras” do movimento estudantil. Você se considera um “traíra” do movimento estudantil?
Lourival Souza – Jamais. Se tive voz no conselho, é porque cumpri minha função de conselheiro. Uma pessoa que vota a favor da expansão da universidade não pode ser considerada traidora.
Nhoque Nhoque – Mas você sabe como é. Esses estudantes, envoltos por uma aura de comunhão e coletivismo, sempre chamam aqueles que discordam deles de traidores. Você não acha a atitude deles pouco democrática?
Lourival Souza – Nelson Rodrigues pode responder isso: "Ah, os nossos libertários! Bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade! A dos outros, não. Que se dane a liberdade alheia. Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura". Acho que isso explica.
Nhoque Nhoque – Logo após a aprovação do REUNI, estudantes do DCE saíram em um carro de som pelo campus atacando a reitoria e denunciando a violência com que foram recebidos no Palácio Cristo Rei. Você, que estava lá, presenciou essa violência alegada por eles?
Lourival Souza – Não, eu presenciei a violência gerada por eles. Estava na terceira fila.
Nhoque Nhoque – O que você pôde ver de lá?
Lourival Souza – Bem, logo após a derrota por 42 x 15 votação da questão de ordem, a qual pedia cancelamento da sessão, não conformado, um esquerdista desvairado toma a frente da mesa e começa a vociferar contra o "sistema". Seus solidários camaradas avançam e tomam o microfone de nosso excelentíssimo reitor. Quem não gostou da bagunça instaurada avançou e reprimiu.
Nhoque Nhoque – Quem reagiu à agressão?
Lourival Souza – Refere-se ao primeiro soco?
Nhoque Nhoque – Não sei. É você quem responde. Diga só o que você viu. Narre as agressões, os socos... Fique à vontade.
Lourival Souza – Alunos presentes que não gostaram da bagunça instaurada, foram pra cima dos "camaradas", e eles reagiram como de praxe: violência. Momentos antes a segurança informou que o prédio tem problemas estruturais. Não satisfeitos, os palhaços começaram a pular, e o chão começou a tremer. Foi aí que os conselheiros começaram a sair. Fomos deslocados para uma sala ao lado. Eles foram para lá e acamparam. Daí aguardou-se um pouco para a segurança agir. Fomos para a sala da procuradoria, onde foi terminada a sessão.
Nhoque Nhoque - Essas atitudes irracionais de violência mancham a imagem dos estudantes. Ainda mais com agressões, além de psicológicas, já que isso é um transtorno, físicas. Fale sobre os estudantes que agrediram membros da reitoria e inclusive o próprio reitor.
Lourival Souza – Com Natalino: verbal, seguida de um tapa. Quando os estudantes se aproximaram para pedir que se acabasse com a palhaçada, reagiram com socos. Nada fora do normal para os palhaços
Nhoque Nhoque – Que absurdo! Valeu, Lourival!
Lourival Souza – Não vai ter uma rodada de bate-bola? Um ídolo: Sarkosy. Uma mulher: Thatcher. Um economista de óculos: Friedman (risos). Eu que agradeço. Posso terminar minha entrevista com uma frase?
Nhoque Nhoque – Pode sim.
Lourival Souza - Massa equivocada que não pensa, não produz e não honra esta universidade, seus dias estão contados. Vocês são a escória dessa instituição!
Nhoque Nhoque - Obrigado.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Ensinando hipocrisia
Artigo publicado no Jornal Pequeno, dia 21 de novembro de 2007
Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX, em uma de suas principais obras, Parerga e Paralipomena, escreveu: “os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la”. E foi nessa simples frase que consegui compreender a verdadeira essência da universidade, na verdade, a verdadeira essência da natureza humana.
Minha certeza na venalidade que regia maior parte de nosso corpo docente só aumentou, quando comecei a conhecê-los de perto. Certa vez, pude presenciar uma reunião de professores onde decidiam os rumos de uma pretendida greve. Uma experiência inusitada, mas muito proveitosa. Os professores falavam do atraso em seus reajustes salariais, que já dura dez anos, falavam da falta de interesse do Governo em proporcionar-lhes aumentos que tornassem digna o sua árdua tarefa de ensino, e diziam que isso já era motivo suficiente para a deflagração de uma greve.
Tudo bem por aí, Schopenhauer estava certo. Porém, tudo mudou de configuração quando um professor, que de todos parecia o mais velho, pediu a palavra. Ele disse que essas motivações salariais não atrairiam o apoio dos outros segmentos da universidade do qual precisavam, o setor estudantil e administrativo. E pediu, encarecidamente, que na pauta de reivindicações fosse incluída a luta pela melhoria da educação na universidade, algo como o velho clichê da universidade pública, gratuita e de qualidade. Foi aí que aprendi que alguns dos nossos professores, além de gananciosos, eram hipócritas.
Eles, sobre a máscara de uma causa nobre, lutam pelos próprios interesses. Dizem que lutam pela melhoria do ensino quando na verdade brigam é pelo o complemento em seus contra-cheques. Dessa forma, usam a boa-fé de ingênuos estudantes para atender a seus próprios interesses.
A greve, que por si só já é uma atitude egoísta, pois prejudica toda a sociedade para benefício de um único grupo, passou a ser, para mim, naquele momento, uma atitude condenável. Não porque professores lutam por melhores salários, todos podem fazer isso de diversas formas, mas porque a hipocrisia com que tentam manipular os fatos é algo moralmente reprovável.
Primeiro porque dizem lutar por uma coisa quando na verdade brigam por outra. Segundo porque aquilo pelo qual dizem lutar é algo que não existe. A universidade “pública, gratuita e de qualidade” é um mito, simplesmente. A universidade é pública, concordo, mas nunca poderá ser gratuita. Alguém paga. E esse “alguém”, através dos impostos, somos nós, alguém são os milhões de brasileiros que nunca chegarão a freqüentá-la, e que ganham um salário muito menor que o de nossos digníssimos professores, mas que tem que abrir mão de parte de sua renda para sustentar nossos docentes. Quanto à qualidade, terceiro elemento da trindade, prefiro não comentar. Quem estuda na UFMA ou conhece alguém que estuda lá deve saber o que eu estou falando. Lá, ou se aprende sozinho ou não se aprende, são poucos os professores que realmente se dedicam a ensinar.
Tudo isso que falei foi para esboçar, de modo singelo, a realidade triste de nossas universidades, onde se formam os profissionais que vão para o mercado de trabalho dar sua contribuição para a sociedade.
A sociedade, com esses centros de formação, está em ruínas. E professor nenhum tem razão em reclamar dela. Pois talvez fosse melhor se eles pensassem um pouco mais nela e menos em seus bolsos.
Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX, em uma de suas principais obras, Parerga e Paralipomena, escreveu: “os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la”. E foi nessa simples frase que consegui compreender a verdadeira essência da universidade, na verdade, a verdadeira essência da natureza humana.
Minha certeza na venalidade que regia maior parte de nosso corpo docente só aumentou, quando comecei a conhecê-los de perto. Certa vez, pude presenciar uma reunião de professores onde decidiam os rumos de uma pretendida greve. Uma experiência inusitada, mas muito proveitosa. Os professores falavam do atraso em seus reajustes salariais, que já dura dez anos, falavam da falta de interesse do Governo em proporcionar-lhes aumentos que tornassem digna o sua árdua tarefa de ensino, e diziam que isso já era motivo suficiente para a deflagração de uma greve.
Tudo bem por aí, Schopenhauer estava certo. Porém, tudo mudou de configuração quando um professor, que de todos parecia o mais velho, pediu a palavra. Ele disse que essas motivações salariais não atrairiam o apoio dos outros segmentos da universidade do qual precisavam, o setor estudantil e administrativo. E pediu, encarecidamente, que na pauta de reivindicações fosse incluída a luta pela melhoria da educação na universidade, algo como o velho clichê da universidade pública, gratuita e de qualidade. Foi aí que aprendi que alguns dos nossos professores, além de gananciosos, eram hipócritas.
Eles, sobre a máscara de uma causa nobre, lutam pelos próprios interesses. Dizem que lutam pela melhoria do ensino quando na verdade brigam é pelo o complemento em seus contra-cheques. Dessa forma, usam a boa-fé de ingênuos estudantes para atender a seus próprios interesses.
A greve, que por si só já é uma atitude egoísta, pois prejudica toda a sociedade para benefício de um único grupo, passou a ser, para mim, naquele momento, uma atitude condenável. Não porque professores lutam por melhores salários, todos podem fazer isso de diversas formas, mas porque a hipocrisia com que tentam manipular os fatos é algo moralmente reprovável.
Primeiro porque dizem lutar por uma coisa quando na verdade brigam por outra. Segundo porque aquilo pelo qual dizem lutar é algo que não existe. A universidade “pública, gratuita e de qualidade” é um mito, simplesmente. A universidade é pública, concordo, mas nunca poderá ser gratuita. Alguém paga. E esse “alguém”, através dos impostos, somos nós, alguém são os milhões de brasileiros que nunca chegarão a freqüentá-la, e que ganham um salário muito menor que o de nossos digníssimos professores, mas que tem que abrir mão de parte de sua renda para sustentar nossos docentes. Quanto à qualidade, terceiro elemento da trindade, prefiro não comentar. Quem estuda na UFMA ou conhece alguém que estuda lá deve saber o que eu estou falando. Lá, ou se aprende sozinho ou não se aprende, são poucos os professores que realmente se dedicam a ensinar.
Tudo isso que falei foi para esboçar, de modo singelo, a realidade triste de nossas universidades, onde se formam os profissionais que vão para o mercado de trabalho dar sua contribuição para a sociedade.
A sociedade, com esses centros de formação, está em ruínas. E professor nenhum tem razão em reclamar dela. Pois talvez fosse melhor se eles pensassem um pouco mais nela e menos em seus bolsos.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Sem seriedade não há movimento
“Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado”
-Paulo Francis
Minha professora do primário costumava dizer: “quando forem votar, prestem atenção nas propostas dos candidatos”. Ela sabia das coisas, e, apesar do primarismo de sua afirmação, ela tinha razão. O senso comum, às vezes, tem razão. Devemos prestar atenção nas propostas dos candidatos. Muitos não fazem isso, ignoram até o senso comum, muitos votam em qualquer um, sem nem saber suas propostas. Outros, pior, não sabem sequer o que é proposta. E assim se arrasta nosso país.
A chapa única que concorre à coordenação da Enecos, “Sem tesão não há movimento”, por exemplo, tem as seguintes “propostas”: pela democratização da Comunicação, por uma universidade pública, gratuita e de qualidade e por um movimento estudantil independente e democrático. Isso não é proposta. Propostas são, resumidamente, sugestões de caminhos a serem seguidos com o intuito de se atingir um determinado objetivo. Estes seriam, mesmo que risíveis, seus objetivos, não suas propostas. É como se nas campanhas eleitorais os políticos se limitassem a proferir: “pela erradicação da miséria”, “pela melhoria dos hospitais públicos” e “por educação pública, universal e de qualidade”. Veja que ridículo. Na verdade, muitos só fazem isso. São tão ingênuos ou mal intencionados quanto o pessoal do “Sem tesão não há movimento”. Eles dizem qualquer coisa, são só palavras. Não precisa sequer ter qualquer relação com a realidade. É só falar palavras bonitas. O pessoal da Enecos faz isso porque não importa: o “Sem tesão não há movimento”, com proposta ou não, certamente será eleito.
Eles gostam de falar em democracia, mas será que isso é democracia? É democrático uma chapa única se eleger sem nenhuma proposta concreta e palpável? “Sim”, dirão os idiotas da objetividade, “eles necessitam de quorum mínimo para se eleger”. Mas meu pobre amigo, democracia não se trata disso. Democracia não se trata de colocar meia dúzia para votar que está tudo bem, já é “democrático”. Democracia é liberdade de expressão, é amadurecimento do eleitorado, é rotatividade, é conflito de opiniões e ideologias. Agora eu pergunto: como pode um movimento que não sabe nem se democratizar querer “democratizar” toda a comunicação, seja lá o que isso signifique? É de fazer rir, ou melhor, é de dar pena.
Dou toda razão àqueles que se recusam o participar do movimento estudantil. Eles estão certos. Isso é uma esculhambação, merece ser desmoralizado, merece ser criminalizado. Ele parece servir apenas para reunir alguns estudantes e para, de vez em quando, fazer uma baderna. Nada mais. Nada de melhoria nenhuma. Do jeito que fazem, não.
Mas não serei totalmente injusto. Já vi algumas coisas boas produzidas por eles, muito poucas. Nem a língua portuguesa, representação máxima de nossa cultura, eles respeitam. Degeneram-na de todas as formas em prol de uma ideologia que não vale uma arroba.
Somos jovens, meus caros. Tesão não nos falta. O que lhes falta é seriedade. E nada de vocês parece ser sério. Sem seriedade não se vai a lugar nenhum. “Sem seriedade não há movimento” deveria ser o slogan do movimento estudantil. Não sabem como se faz isso? Por que não perguntam a minha antiga professora do primário.
-Paulo Francis
Minha professora do primário costumava dizer: “quando forem votar, prestem atenção nas propostas dos candidatos”. Ela sabia das coisas, e, apesar do primarismo de sua afirmação, ela tinha razão. O senso comum, às vezes, tem razão. Devemos prestar atenção nas propostas dos candidatos. Muitos não fazem isso, ignoram até o senso comum, muitos votam em qualquer um, sem nem saber suas propostas. Outros, pior, não sabem sequer o que é proposta. E assim se arrasta nosso país.
A chapa única que concorre à coordenação da Enecos, “Sem tesão não há movimento”, por exemplo, tem as seguintes “propostas”: pela democratização da Comunicação, por uma universidade pública, gratuita e de qualidade e por um movimento estudantil independente e democrático. Isso não é proposta. Propostas são, resumidamente, sugestões de caminhos a serem seguidos com o intuito de se atingir um determinado objetivo. Estes seriam, mesmo que risíveis, seus objetivos, não suas propostas. É como se nas campanhas eleitorais os políticos se limitassem a proferir: “pela erradicação da miséria”, “pela melhoria dos hospitais públicos” e “por educação pública, universal e de qualidade”. Veja que ridículo. Na verdade, muitos só fazem isso. São tão ingênuos ou mal intencionados quanto o pessoal do “Sem tesão não há movimento”. Eles dizem qualquer coisa, são só palavras. Não precisa sequer ter qualquer relação com a realidade. É só falar palavras bonitas. O pessoal da Enecos faz isso porque não importa: o “Sem tesão não há movimento”, com proposta ou não, certamente será eleito.
Eles gostam de falar em democracia, mas será que isso é democracia? É democrático uma chapa única se eleger sem nenhuma proposta concreta e palpável? “Sim”, dirão os idiotas da objetividade, “eles necessitam de quorum mínimo para se eleger”. Mas meu pobre amigo, democracia não se trata disso. Democracia não se trata de colocar meia dúzia para votar que está tudo bem, já é “democrático”. Democracia é liberdade de expressão, é amadurecimento do eleitorado, é rotatividade, é conflito de opiniões e ideologias. Agora eu pergunto: como pode um movimento que não sabe nem se democratizar querer “democratizar” toda a comunicação, seja lá o que isso signifique? É de fazer rir, ou melhor, é de dar pena.
Dou toda razão àqueles que se recusam o participar do movimento estudantil. Eles estão certos. Isso é uma esculhambação, merece ser desmoralizado, merece ser criminalizado. Ele parece servir apenas para reunir alguns estudantes e para, de vez em quando, fazer uma baderna. Nada mais. Nada de melhoria nenhuma. Do jeito que fazem, não.
Mas não serei totalmente injusto. Já vi algumas coisas boas produzidas por eles, muito poucas. Nem a língua portuguesa, representação máxima de nossa cultura, eles respeitam. Degeneram-na de todas as formas em prol de uma ideologia que não vale uma arroba.
Somos jovens, meus caros. Tesão não nos falta. O que lhes falta é seriedade. E nada de vocês parece ser sério. Sem seriedade não se vai a lugar nenhum. “Sem seriedade não há movimento” deveria ser o slogan do movimento estudantil. Não sabem como se faz isso? Por que não perguntam a minha antiga professora do primário.
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UFMA
sábado, 6 de outubro de 2007
Os morcegos

Na palestra foram discutidos temas como: a crise no paradigma da sociedade de massa, o compartilhamento da informação em virtude da multiplicação dos blogs, a associação da mídia aos grupos políticos e outros...
E nem bem começaram as reuniões da J-Aliança em São Luís (que no momento ocorrem nas dependências do curso de Comunicação Social da UFMA e tem nos alunos e professores do curso seus membros iniciais) e já há um choque de interesses entre alguns de seus participantes.
Ocorre que alguns membros da J-Aliança em São Luís que também são defensores e participantes da ENECOS sugeriram o apoio deste grupo à bandeira da Democratização da Comunicação.
Não vou entrar nestes méritos agora. Pois, sobre isso discutirei em um outro texto. Gostaria somente de relembrar os objetivos da J-Aliança em São Luís e no mundo.
Aliança Internacional de Jornalistas (J-Aliança) no Brasil é uma rede formada no contexto das Alianças Cidadãs apoiada pela FPH (Fundação Charles Leopold Mayer pelo Progresso da Humanidade), com sede em Paris, França. O objetivo é trabalhar sobre a temática da “Responsabilidade” do jornalista oferecendo aos profissionais da área e estudantes de jornalismo um espaço de reflexão. Trata-sede uma rede internacional, uma dinâmica para comungar experiências, reflexões e propostas concretas para modificar as práticas do jornalismo, que nem sempre correspondem aos princípios éticos.
Com tal objetivo creio que o grupo não deva defender ou associar-se a qualquer ideologia, sobretudo, as que já estão impregnadas por uma verdade fundamentalista.
Para concluir deixo um trecho do soneto “O morcego” de Augusto dos Anjos. Os motivos e a interpretação que quis deixar ficam por sua conta.
"Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vêde:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
(...)
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!"
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Imbecis e Manifestantes, ou Manifestantes Imbecis?
Resumo: Que jamais se atreva um normal a confrontar suas idéias com um imbecil. É inútil. Não há como vencer. Pessoas normais sofrem de uma séria imparidade no que se refere a discussões, elas têm essa mania boba de tentar usar a razão.

A verdadeira diferença está no sistema nervoso de cada um, é da ordem do sensível. Sigamos com uma exposição analítica da situação.
Para uma pessoa normal a informação percorre o caminho completo. É captada por seus sensores, passa pela medula e segue para o cérebro, que a processa e a transforma em conhecimento. Mas o mesmo não ocorre com o imbecil. Para esse a informação jamais chega ao cérebro, fica condenada à barreira da medula e retorna com um reflexo involuntário. Encostar um cigarro no braço de um desavisado provoca uma reação semelhante a, por exemplo, dizer a um tipo de imbecil que “não deve haver passe livre”. É tão certo que o primeiro irá instantaneamente afastar o braço para não se queimar quanto é certo que o segundo irá chover-lhe insultos e as acusações mais infundadas sem sequer lhe perguntar antes o motivo de tal afirmação.
Define-se um imbecil da seguinte forma. Um sujeito incapaz de ir além da ordem do sensível e se por honestamente a verificar as suas próprias percepções. Por estar eternamente condenado ao sensível, o imbecil cultua a mera aparência e a pura e isolada estética, sendo por isso capaz de construir uma argumentação inteira puramente sustentada na retórica sem sequer se dar conta disso. Jamais chegou a usar a cérebro na vida, por isso mesmo desconhece as maravilhas do encadeamento lógico de idéias, sendo assim incapaz de se comunicar plenamente com qualquer outra pessoa que não, como ele, também imbecil. É justamente por essa razão que imbecis são sempre vistos em grandes grupos, relacionando-se apenas com outros grupos de imbecis, utilizando termos que não fazem o menor sentido senão dentro de seu próprio círculo, aceitando pessoas normais entre suas hostes apenas caso estas possuam suas mesmíssimas opiniões e lhes sejam úteis a causa.
Neste exato momento, por exemplo, há imbecis lendo este artigo e xingando este humilde autor que não está fazendo nada senão dissecar um fenômeno que ocorre em todos os grupos e “lados” políticos, inclusive no meu próprio. Mas esse tipo de imbecil não pode evitar o que sente. Desde que sugeri com o título que há imbecis em meio a manifestos, e no 4º parágrafo citei o passe-livre como MERO exemplo, não teve jeito, subiu-lhes um frio na espinha, tiveram um tremelique, arfaram forte estupefatos com o que liam e ulularam frases pré-construídas, que de tão usadas já são para eles interjeições tão comuns quanto “ai” ou “ui”.
Que jamais se atreva um normal a confrontar suas idéias com um imbecil. É inútil. Não há como vencer. Pessoas normais sofrem de uma séria imparidade no que se refere a discussões, elas têm essa mania boba de tentar usar a razão. O imbecil só entende a lei do berro, quem se descabela, grita mais alto e faz o maior show está certo, e fim.
Agora responda rápido: imbecis entre manifestantes ou manifestantes imbecis? Não corra o risco de cometer injustiças se arriscando a distinções e juízos de valor complexos. Na dúvida, nivele por baixo.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
As incoerências do sistema
Resumo: Como algo que teria sido criado para gerar inclusão tem uma rejeição tão grande exatamente nos grupos em que elas foram utilizadas? É muito estranho o que foi mostrado pela pesquisa, e ela certamente dará ensejo para uma reavaliação do que se está querendo conseguir com este sistema: uma nação sem preconceitos e menos desigual ou inclusão forçada?
Dia 23 de agosto, nós fizemos, em algumas turmas da UFMA, nos prédios do CCSo, uma pesquisa de opinião sobre ações afirmativas. Era uma pesquisa básica. Saímos por aí entrevistando estudantes de diversos perfis. Entre as perguntas estavam “em qual dos grupos étnicos abaixo você se define?”, “você sabe o que são ações afirmativas?” ou “você é a favor das cotas como sistema de inclusão nas universidades públicas?”. Nada demais.
Porém, após a apuração dos resultados, algo nos deixou estarrecidos: nas turmas de primeiro período pesquisadas, Comunicação Social e Pedagogia, a rejeição ao sistema de cotas é bem maior do que em turmas de períodos mais avançados. Ou seja, a rejeição às cotas é maior justamente nas turmas em que elas foram implantadas.
Na pesquisa, nós separamos os entrevistados em dois grupos: as turmas com cotas e as turmas sem cotas. Nas turmas com cotas 55,6% dos entrevistados foram contra as cotas, contra 42,8% a favor, enquanto nas turmas sem cotas 53,8% foram a favor e 46,2% contra esse sistema como forma de inclusão nas universidades públicas.
Esse absurdo indicado pela pesquisa pode ser fruto de vários fatores, e dela podem ser tiradas várias conclusões. Primeiro: não houve uma discussão séria nas escolas de ensino médio e cursinhos sobre as ações afirmativas e as políticas de cotas que seriam implantadas. Segundo: não houve por parte da mídia um esclarecimento da população e, por conseguinte, dos interessados sobre o objetivo das ações afirmativas. E por último: a política de cotas é um fracasso total.
Como algo que teria sido criado para gerar inclusão tem uma rejeição tão grande exatamente nos grupos em que elas foram utilizadas? Eu, que era um grande entusiasta dessas políticas, tive minhas convicções fortemente abaladas. É muito estranho o que foi mostrado pela pesquisa, e ela certamente dará ensejo para uma reavaliação do que se está querendo conseguir com este sistema: uma nação sem preconceitos e menos desigual ou inclusão forçada?
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Pés no chão? Na contramão da escada rolante? Rompendo com o silêncio? Andando nas nuvens...
Resumo: Um debate pobre, cheio de ambigüidades, contradições, ironias desnecessárias e muita bagunça. Candidatos que inspiram despreparo e ludismos. Os mesmos discursos de sempre. A mesma politicagem. Os mesmos ideais de um falso socialismo e de bandeiras que não trarão soluções para os problemas de sempre, como sempre. Isso foi o que presenciamos no debate entre as chapas que concorrem ao DACOM.
As propostas eram semelhantes, mas não foram trabalhadas de forma a deixarem os alunos esclarecidos a respeito delas e apesar de seu tom demente a representante da chapa 2 conseguiu ser mais clara. É bom lembrar que ambas as chapas foram ambíguas, repetitivas e contraditórias.
A chapa 1 mostrou-se desarticulada, sem preparação e segurança para responder às questões que lhe foram feitas, citando sempre os mesmos temas e exemplos e nos dando sempre respostas vazias ou não conclusivas. Na verdade eram um monte de meninos bobos querendo tirar onda com o novo brinquedo. Uns garotos sem a menor idéia do que seja um debate sério e que faziam bagunça a toda hora, tentando, também, por vezes, associarem a escada rolante atual com os pés das outras. Ao passo que a chapa 2 agiu com enorme desdém, fazendo confusão entre veemência e agressividade. Por vezes citando que alunos nos primeiros períodos de curso (especialmente 1° ou 2°) não têm consciência dos problemas da Universidade e do curso (algo que basta estar lá para verificar). Falando como se o boicote ao ENADE fosse a melhor solução para os problemas do curso e vendo nas pessoas contrárias a isso reacionários, extremistas...
Aliás, não consegui deixar de fazer uma comparação entre o número de integrantes da chapa e a charge do Casseta & Planeta que mostra sempre o Lula rodeado por dezenas de ministros.
Será que realmente todos têm interesse em levar esse jogo adiante? Em suma, assistimos ao mesmo desfile de opiniões de cunho esquerdistas, que, pelo que pude perceber desde nosso ingresso no curso, permeiam o DACOM há algumas gestões. Acho que como sempre teremos à frente deste um grupo que prega um socialismo barato e que no fim das contas fará politicagem, relegando as questões que de fato interessam ao curso.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Os Inimigos da Universidade
Há um complô, um conluio, uma espécie de conspiração espúria para a liquidação total da universidade pública brasileira. O Governo quer o fim da universidade pública. A oposição quer o fim da universidade pública. A universidade particular quer o fim da universidade pública. Os professores da universidade pública querem o fim da universidade pública. Todos querem seu fim. Todos querem ver seu cadáver. E, pelo que tudo indica, os inimigos da universidade estão bem próximos de realizar seu sonho.Resumo: A greve sempre foi uma boa opção para destruir coisas. Os ludistas faziam greves para destruir as máquinas, os socialistas faziam greves para destruir o sistema capitalista e suas mazelas, os anarquistas faziam greves para destruir o Estado e os professores fazem greves para destruir a educação pública.
Há um esforço fenomenal por parte de alguns professores para a derrocada completa da universidade pública brasileira. Eles fazem de tudo para enterrá-la de vez. É fácil. Seu principal método é simplesmente não cumprir seus deveres como docentes. É desse modo que num estralar de dedos se acaba com uma instituição.
O professor não vai às aulas? Vibram, os inimigos da universidade. O professor não leciona corretamente sua disciplina? Eles soltam foguetes, pulam de alegria. O quê? Os professores vão entrar em greve? Agora sim. Os inimigos da universidade entram em estado êxtase.
A greve sempre foi uma boa opção para destruir coisas. Os ludistas faziam greves para destruir as máquinas, os socialistas faziam greves para destruir o sistema capitalista e suas mazelas, os anarquistas faziam greves para destruir o Estado e os professores fazem greves para destruir a educação pública.
“Você é louco! Eles fazem greves é para reivindicar melhores salários” dirão os idiotas da objetividade. Os professores da universidade ganham mais que 60% da população brasileira. Todos querem melhores salários, mas só quem anda fazendo greve por aí são os excelentíssimos docentes.
Tudo é uma greve. Toda hora, uma greve. Temos greve a cada dois anos. Greve, greve, greve. Eles não se cansam de fazer greve. E pra quê? Os proletários do século XVIII, que elaboraram o método que nossos professores usam até hoje, no século XXI – a greve – sentiriam inveja do número de paralisações que eles fazem.
Há mais de dois séculos os operários criaram a greve, e os professores usam o mesmo método que o proletário analfabeto usava há séculos atrás. Pelo menos eram mais sensatos que nossos professores. Faziam a greve para prejudicar o patrão. Prejudicavam o grande capitalista para afetar o sistema. E nossos professores, prejudicam quem? Afetam quem? O Governo? Até agora, nunca vi greve de professores derrubar nenhum governo. Já sei! Eles fazem greve para prejudicar eles mesmos. Ledo equívoco. Continuam recebendo seus salários mesmo estando em greve, normalmente partem em férias durante ela.
Então eles entram em greve para prejudicar quem? Resposta: Eles entram em greve para prejudicar os estudantes e acabar com o ensino. É óbvio. Talvez destruindo a educação de uma geração também destruam nossa sociedade.
O que ninguém percebeu, ou percebeu e preferiu não contar, é que os estudantes, os únicos prejudicados pelas sucessivas paralisações, são a também única coisa que faz com que a universidade pública no Brasil seja um pouco melhor que a universidade particular. E que quando os bons estudantes e a classe média que compõe a universidade pública preferir a particular, o que vai sobrar? Resposta: Nada.
Quando perceberem que a melhor coisa que a universidade pública tem são seus estudantes e nada mais, e esses estudantes preferirem ir para universidade particular, os inimigos a universidade pública vão finalmente celebrar seu fim. Porque nela só vai sobrar prédios imundos, livros depredados, burocracia, lentidão, estudantes desestimulados, professores mal pagos e as greves, as malditas greves, greves, greves e mais greves. Daí dirão os inimigos: “viva o fim da universidade pública brasileira! Viva a nós! Viva os professores!”.
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