Com alguma sorte, estaremos livres de Lula em:

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

O Viajante Magnífico

Há algum tempo tinha a intenção de postar esse trecho aqui. Havia grifado, separado, e por fim esquecido. Mas eis que relendo um artigo de Wolfgang Smith me atinge o fato de que grande parte do enredo de O Viajante Magnifíco (download disponível no link), livro de Yves Simon, gira precisamente sobre a bifurcação descrita por Smith. Hora de reler alguns trechos do livro, e aproveito para finalmente postar este que segue.

Na noite anterior, durante o seu itinerário café-esplanada do hotel, ruas de Nairobi, bar do hotel, ela contara-lhe o que acontecera na região aonde se dirigiam.

“... Alterações geológicas importantes tinham provocado uma mudança ecológica. As montanhas recentemente formadas detiveram as chuvas vindas do oeste, e a floresta começou a desaparecer das regiões baixas para ceder o lugar à savana”.

“Uma parte dos macacos permaneceram nas montanhas e continuaram, de árvore em árvore, a comer frutos, folhas, bagas. Outros, que já nesse momento tinham deixado de ser autênticos macacos, mas ainda não eram homens, desceram até à planície. Foi aí que se deu o disparo... Um disparo que iria prolongar-se por vários milhares de anos. Para lobrigarem de longe não só a caça, mas também os perigos e provavelmente para se orientarem, eles começaram a aprumar-se. Para comerem melhor, os homens-macacos tornavam-se caçadores, e estar de pé tornara-se uma necessidade vital”.

Sucedeu-se uma longa pausa em que Adrien nada disse.

Beberricava uma atroz beberagem açucarada e picante à base de vodca que tinha sido misturada com um xarope de frutas de um verde fosforescente. Sentia-se ali com Maureen, ouvira o que ela acabava de dizer, mas estava ao mesmo tempo cinco milhões de anos atrás. Como se saísse então de um longo devaneio, pronunciou a custo: “Não consigo convencer-me de que foi unicamente... uma necessidade física que fez desencadear tudo... É... irrisório”.

Maureen não ficou impressionada com esta recusa de acreditar. Tratou logo de acrescentar que se tratava de uma explicação, na ocorrência a de Coppens, que ela achava não só plausível, mas também a mais convincente. É claro que já houvera mutações genéticas anteriores susceptíveis de permitir esta aprumação.

Numa voz sempre muito doce, lenta, ele continuou, como se ela o não tivesse interrompido: “Uma necessidade física...”.

- Você contou-me há bocado a tal história dos hipopótamos...
Sabe perfeitamente que os animais não olham para o céu, e quando levantam a cabeça na sua direcção, é fechando os olhos para bramir com toda a força... E se o homem, esse, se tivesse aprumado para olhar a beleza do céu, de olhos muito abertos, fascinado pelo azul, a imensidade e o mistério das estrelas...
Um desejo de imensidade... Como se urgisse, um dia, ligar o céu à terra, unir a força da gravidade ao infinito, a lama dos caminhos ao esplendor do firmamento... Os primeiros homens aprumaram os seus corpos, elevando-se na ponta dos pés, de braços estendidos para partir à conquista do céu... - é uma explicação com mais piada, não acha?

- Uma linda explicação poético-animista! Tudo está em tudo, os homens, a natureza, confundem-se... Sou uma cientista e todo o conhecimento em ciência se baseia no postulado da objectividade. A natureza é objectiva e o homem está sozinho no meio dela. Sozinho.

- Não faça troça. Você é cientista... e eu tenho-a em alta estima; é verdade que, nos últimos três séculos, a ciência é que produziu o nosso poderio de hoje, e nós sentimos, com justa razão, orgulho pelos seus êxitos... Mas tornou-se uma droga. Fora dela não há a mínima salvação. Ora, sabe muito bem que este poder teve de ser extorquido a sacerdotes que, mostrando-se bons diplomatas e lúcidos, depois de haverem resistido durante muito tempo, se puseram finalmente a ver com bons olhos que os cientistas se arrogassem o profano contanto que não tocassem no sagrado, que podia assim quedar-se seu domínio reservado. Mas hoje que Deus e os respectivos sacerdotes estão ausentes, e que vós ocupastes os seus lugares vagos, deixe-me imaginar que a vossa posição é tão precária quanto a deles e talvez um dia venha da mesma forma a desaparecer.

- Não gosta dos cientistas.

- Pois não, quando eles pretendem ser os únicos a ter razão, como se houvesse uma única fonte de verdade, a deles, quando afinal séculos de ciência não lograram extirpar dos nossos corpos o sublime, o sagrado, o desejo de infinito... Eu não me importo de ser um cigano do universo, de errar à superfície de um mundo indiferente, como um estrangeiro, e ninguém me tirará o desejo que tenho de conhecer ou de imaginar o que me liga a tudo, ao universo, aos seres, de sonhar todos os possíveis impossíveis... Fizestes-nos acreditar que estávamos em pleno progresso, ao passo que nos vemos reduzidos a ser pequenas coisas esmagadas pela tecnicidade, tudo se desagrega em nós, em torno de nós, e sobrevivemos dia após dia tendo esquecido a vida...

- A vida...

- Sim, a vida, ter tesão, folgar, acreditar, mentir, fruir, chorar, desejar... Adorar Tennessee Williams... Ser insensato...

Ele fora excessivo e tinham ambos ficado por ali. Fazia-se tarde. Ele receou ter melindrado Maureen e, ao levantar-se, passou-lhe o braço pelos ombros.

- Continue a procurar as suas tíbias, as suas maxilas, a espessura do esmalte nos dentes, é importante. Mas tenha a bondade de me escutar também quando eu digo que o homem se aprumou porque se pôs a olhar e a acreditar no céu.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Coincidência?

Em um post anterior eu já havia alertado sobre o aumento da grana despejada pela Fundação Ford no Instituto Sou da Paz, para os anos de 2008 e 2009. Vinha perturbação pela frente. Parece que começou. Acabo de ler pelo Mídia sem Máscara que a união iniciou mais uma campanha de desarmamento.

Foi o sinal. É questão de tempo agora até as ONGs, obesas de verbas vindas de grupos internacionais, começarem a sua parte no serviço.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Palin Goes On


Como previu Olavo de Carvalho em seu programa de rádio, Sarah Palin será a vice presidente de McCain. Não perdeu, claro, a oportunidade de zombar no último programa: "esses outros comentaristas políticos do Brasil nunca tinham ouvido falar de Sarah Palin". Ele tem razão. Mas o melhor é que, finalmente, desfez-se a amarga impressão que eu tinha quando casualmente assistia algum jornal à noite: a de que, quem quer que acompanhasse as eleições americanas apenas através da mídia tupiniquim, teria a impressão de que Obama fazia campanha presidencial contra ninguém, ou melhor, contra um suposto sentimento personificado. Como se Obama apenas precisasse "vencer o preconceito americano". Mas enfim a mídia brasileira descobriu Sarah Palin, descobriu que será vice de um tal McCain.

Mal descobriram a fotogênica moça, que mesmo aos 44 anos merece o predicado de moça, e já começou a enxurrada de bobagens e meias verdades, repercutidas no Brasil diretamente da grande mídia americana. Um jornal ontem a noite anunciava que a campanha de McCain tentará convencer os eleitores que mesmo Sara Palin tem mais experiência política que Obama. Ora, convencer? Assim, como se a campanha fosse usar meramente a retórica? Custava aos grandes jornalistas que fizeram a matéria, evitando essa abordagem oblíqua de "fulano disse que disse", recorrer aos fatos e mostrar a carreira política de Palin e Obama? Se o problema era o tempo, que tal dizer em uma curta frase: "Palin tem 16 anos de carreira política, Obama tem 3".

Dando sequência a pataquada, a matéria propaga o que a imprensa americana e o partido democrata desejou ingenuamente que fosse um escândalo no sentido puro da palavra, a gravidez da filha de 17 anos de Sarah Palin. Não sei como o público brasileiro recebe essa história da gravidez da filha de Palin, mas isso não importa neste texto, e importa menos ainda para as eleições presidenciais americanas. Passemos para a análise da repercussão da história nos EUA.

Hugh Hewitt (famoso comentarista político americano) afirmou na segunda-feira, em seu programa de rádio diário, que as "denúncias" sobre o caso partiram inicialmente de um site linkado ao site oficial da candidatura do Obama. Tentei confirmar a informação, mas ela já está tão difundida pela internet que me parece impossível saber agora de onde surgiu. Mas o que nos importa aqui é que, sendo ou não a divulgação da gravidez da filha de Palin fruto da campanha de Obama, ela está saindo como um belo de um tiro de canhão no pé democrata. Sim, parece ser ruim para a imagem de um político conservador o fato de sua filha menor de idade estar grávida, mas os resultados estão ao avesso do esperado. Desde que a história vazou só o que ouvi nos programas de rádio americanos são ouvintes conservadores dizendo-se maravilhados com o fato de que filha de Palin vai se casar com o namorado. Sempre comentam o exemplo de educação e responsabilidade que está sendo dado aos jovens dos EUA. Mais importante ainda: comentam como pela segunda vez Palin prova, com exemplo de vida, o quanto é pro-life.

Mas o mais interessante nessa história é como os efeitos da gravidez da filha de Palin foram inversos aos esperados pelos "liberals". Na visão caricatural do esquerdista americano (e brasileiro), a notícia provocou um escândalo contra Palin, um xilique das mães e pais de família americanos, que agora declaram com horror como a vice de McCain é hipócrita por dizer-se conservadora e a favor do sexo apenas após o casamento. Mas nota-se com clareza que este pensamento pertence majoritariamente aos "looney liberals" e seu ódio costumeiro. Quando sairem do frenesi espumante, e cessarem o efeito de seus múltiplos orgasmos sombrios, vão olhar em volta e notar que os conservadores americanos demonstraram-se compreensivos com as circunstâncias da vida, pois compreendem as dificuldade que enfrentam os pais hodiernos.

O quase uníssono da convenção Republicana em favor de Palin era bonito de se ver. A popularidade da moça cresce vertiginosamente, e deve alcançar seu pico em dezembro, quando a mídia explorar o nascimento de sua netinha.

A filha de Palin engravidou aos 17. Ato irresponsável. Mas tanto ela quanto seu namorado assumiram o erro, maduramente assumiram o filho e o casamento. A lição que fica é que os conservadores podem ser rígidos moralmente, podem condenar vividamente o "vitium", mas acima de tudo admiram aqueles capazes de assumirem a responsabilidade que lhes cabe.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

domingo, 22 de junho de 2008

O Ano Vai Ser Difícil...

A Fundação Ford investiu pesado esse ano no Brasil:

Intervozes: $300 mil dolares
"To develop the concept of a public communications system for Brazil."
O Intervozes, que nos últimos 3 anos, somados, recebeu por volta de $300 mil dolares para o plano de "democratização da comunicação", agora recebe em apenas um ano a mesma quantia. Deus do céu...

Instituto Sou da Paz: $202 mil dolares
"To strengthen the Desarma Brasil network and monitor the implementation of the Hand Gun Control Statute."
Entre os anos de 2004 e 2005 o Sou da Paz recebeu $68 mil dolares para nos importunar com a montagem do referendo sobre o desarmamento. Mesmo depois da vitória do não, o instituto continuou recebendo dinheiro da Fundação Ford. Entre 2006 e 2007 recebeu $150 mil dolares, e agora em 2008 acaba de receber mais incremento na sua mesada para nos monitorar.

A lista completa está disponível:
Lista dos investimentos da Fundação Ford no Brasil esse ano

quarta-feira, 7 de maio de 2008

"Confronto"? Sim, OK. E Invasão?

Quando ainda moleque, na 4ª série, lembro da minha professora comentando em sala uma invasão recente do MST. Dizia algo do tipo: "Gente, não vamos achar que o MST é um bando de baderneiros e bandidos, é gente muito pobre lutando pelo direito de ter uma terra para trabalhar."

Levei mais de 7 anos para tirar completamente essa merda da cabeça.

Hoje em dia, quando acontecem invasões como as da Fazenda Depósito, em Serra do Sol, recebo apenas informações oblíquas. Que, aliás, são mais do que suficientes. O invasor é quem invadiu, e o proprietário, a vítima, é quem tem a posse legal da terra. Pronto. Pode ser ação do MST, indígena, quilombola, ou pode até mesmo ser ação de 200 freirinhas esguias que, após passarem desastradas pelo arame farpado, tenham corrido, serelepes, segurando crucifixos com uma das mãos, e suspendendo os restos esfarrapados de suas vestes negras com a outra. Chama-se de "invasor" quem invadiu a propriedade e ao episódio refere-se por "invasão". Genial, não? Pois é... mas a mídia isenta da Folha Online parece não entender as coisas dessa forma. Para ela é só um inócuo e generalista "confronto".

Pior ainda. Estava eu aqui lendo:

"Os indígenas foram atacados ontem enquanto trabalhavam na construção de barracos."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u399255.shtml

Aí você vê a imagem de índios trabalhando harmoniosa e pacificamente na construção de barracos quando foram surpreendidos pelos arrozeiros malvados que os "atacaram". Alguma palavra, em todo o corpo da matéria, sobre EM QUE LUGAR os índios estavam construindo esses barracos? Não!

P.S.: Outra coisa bacana é que em uma matéria anterior (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u399120.shtml), a própria Folha diz que os índios estavam montando tendas, não construindo barracos.

domingo, 4 de maio de 2008

Debate Sobre Cotas Racias

Debatedores:
- Demétrio Magnoli
- Marcelo Paixão

Excelente vídeo. Não é todo dia que se vê um embrulhão pró-cotas ser humilhado em cadeia nacional.

Segue ao vídeo o meu comentário.



Uma seríssima imparidade me impede de ter um debate sobre cotas racias: não consigo olhar para face do adversário e aceitar com serenidade que ele crê no que está dizendo, ou que, sendo capaz de crer no que está dizendo, trata-se de uma pessoa normal e passível de ser convencida do contrário. As primeiras três frases proferidas por Nelson Inocêncio nesse vídeo resumem a insanidade que me agonia. É a seguinte: embarcando sujeitos sob um conceito inexistente, cria-se uma discriminação sacramentada pelo estado, com o dito intuito de chegar a uma isonomia "racial" na sociedade. Como esse conceito é inexistente desde que caiu do pedestal da biologia, estando agora sob o julgo mutável de "intelequituais" iluminados pelas ciências sociais, temos aí uma situação completamente instável.

Já era possível parar por aqui, mas o mais interessante está além. É que o que aí se entende por sociedade não é o conjunto de indivíduos em convívio, mas um ente supremo. Um ente que tornou-se consciente através do ajuntamento de entes menores - grupos sociais/racias/de sexo - estes também conscientes através do agrupamento das consciências individuais que os compõem.¹

Marcelo Paixão e a quase totalidade dos sujeitos que defendem esse tipo de política que solapa o estado de direito através da concessão de direitos a grupos de indivíduos, crêem piamente que esses entes existem. Acreditam também que, mesmo não tendo esses entes uma forma física através da qual manifestar suas vontades, sabem exatamente o que esses entes desejam. Mais ainda, crêem, no seu delírio messiânico, que esses entes os incumbiram da missão de espalhar sua palavra.

"Negros do Brasil". Como a maioria das pessoas deixa passar despercebida a incoerência com o fato de que a esse grupo não possa realmente haver qualquer representação válida, ninguém que - com sanidade ou honestidade - possa dizer que suas palavras são as vontades individuais de TODOS os negros concretos, os pilantras que aparecem brandindo seu poder se encontram imediatamente imbuídos de uma força sobrenatural.

Se Marcelo Paixão ou outros pró-cotas fazem isso conscientemente, eu não sei. Mas uma coisa eu posso dizer: cada vez que um Marcelo Paixão, ou qualquer outro pró-cotas, se refere ao plural majestático "Negros", não está falando de indivíduos, mas de uma espécie de entidade superior que apenas recebe o mesmo nome devido a causa difusa que a origina. E, com o perdão da expressão, só se manifesta mesmo na cabecinha desses lunáticos.

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1. E vejam só que coincidência bacana!, tanto os entes menores quanto esse ente supremo pensam igualzinho a esquerda!

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Édipo do Carrasco Myatt

Nota mental: aprender grego. Se há algo que me incomoda, me deixa num estado de suspensão de toda confiança, é ler livros traduzidos. A cada linha cresce a sensação de que estou sendo tapeado, “esse cara tá me enganando”, “acho que tem um erro de tradução aqui”... “hum... será que é isso aqui mesmo?”. Um exercício atroz de paranóia em níveis múltiplos.

Este desconforto creio ter adquirido no início da adolescência: em minha paixão pelas obras de Lewis Carroll li tudo quanto encontrei do autor em português. Essas poucas obras, Alice no País das Maravilhas e no País dos Espelhos, não foram o suficiente para conter meu frenesi literário, que só cessou mesmo quando encontrei toda a obra do autor no Gutenberg Project. Phantasmagoria, Sylvie and Bruno, Hunting of the Snark, ahhh! Fiquei tão fascinado pelos originais que acabei relendo os livros de Alice, dessa vez em inglês. Não descobri erros de tradução, na verdade, o que descobri foi que nunca havia lido Lewis Carroll afinal. O estilo do autor, que paira limítrofe, sem jamais tocar um lado ou o outro, entre a lógica e o absurdo, quando transposto para o português lega ao tradutor a difícil tarefa de escolher um dos lados, ou reinventar alguns trechos. Bom, mas isto é só um caso especial onde o tradutor é um coitado obrigado a meter, a contragosto, o dedo no sentido do texto. Além do mais, sendo o original em inglês, eu ao menos tinha a possibilidade de consultá-lo.

O capeta eu vi mesmo na semana passada. Durante a leitura de Édipo Rei acabei me deparando com o seguinte trecho da fala de Jocasta, traduzida por D.W. Myatt:

You should not fear being married to your mother:
For many are the mortals who have - in dreams also – [2]
Lain with their mothers, and he to whom such things as these
Are as nothing, provides himself with a much easier life.

Corri para o fim do livro para ler a tal nota [2]. Myatt: dizia que esse trecho era importantíssimo para compreender como Sófocles e os gregos em geral entendiam o incesto cometido por Édipo. Que seria, apesar de uma desgraça e um desrespeito, “nothing to seriously concern oneself with”. Achei interessante essa maneira Myatt de levar a vida. Fiquei pensando no que seria então algo to be seriously concerned with para o nosso querido tradutor. Como será que ele classifica o patricídio? The-great-uber-mother-fucking-disgrace? Aliás… tira o mother-fucking. Continuando, segundo ele, o trecho “in dreams also” é geralmente traduzido inserido diretamente na frase, e não como uma concessão, o que geralmente leva a algo como o seguinte: "many are the mortals who in dreams (and also in prophecies) have lain with their mothers...". Coisa dos malditos tradutores-moralistas-cristãos, diz Myatt.

Eu odeio traduções, isso eu já disse, mas o que me saltou mesmo aos olhos foi esta coisa histriônica de dizer que todo o mundo parido anteriormente está errado, dando como causa do erro o fato dos tradutores serem "moralistas cristãos". Fiz bico, fiz manha, olhei de um lado pro outro, mas enfim aceitei a contragosto a “revelação” e continuei lendo o livro de Myatt. Mas minha paranóia, que já não é pouca, triplicou.

A teoria do incesto como “desgraça pouca” já era ridícula por si só, mas eu precisava de provas. Para isso eu precisaria aprender grego (hum... não), ou assumir que o que Myatt diz sobre outras traduções é verdade. Aceitando a segunda opção, fiquei aleijado de procurar outro tradutor para me apoiar. Fui obrigado a me trancar dentro da masmorra escura do texto de Myatt. Toda frase precisava ser relida, todo parágrafo merecia ser esmiuçado em busca de algo que comprovasse a incompetência ou canalhice do tradutor. O que deveria ser uma leitura acabou tornando-se um exercício tenso e doloroso. Sentia-me um ladino trancafiado. Sozinho e largado para apodrecer, eu não podia confiar em nada, em nenhuma palavra, em nenhuma sentença. Eu precisava buscar um sentido superior no que lia, tatear as paredes em busca de uma passagem secreta, ir além do texto e escapar prisão que era ler o Édipo do meu carrasco Myatt.

Então uma pedra rangeu. O esforço valeu a pena.

Myatt diz que os gregos não viam no incesto materno algo assim tão preocupante, era uma desgraça, um desrespeito, então a agonia de Édipo vinha muito mais do parricídio. Mas como explicar o seguinte? (1) Édipo em TODAS as vezes que lamenta o patricídio, lamenta também ter se casado com sua própria mãe. (2) Édipo quando dirigindo-se a Antígona e Ismene (suas filhas com Jocasta) lamenta apenas do incesto.

Assumindo que o Édipo de Sófocles expõe seus sentimentos sem omissão (o que é bem normal já que se trata de uma tragédia grega), a primeira observação já levanta sérias suspeitas sobre a teoria de Myatt. Édipo, nos casos em que lamenta o parricídio e o incesto, segue a ordem dos fatos: diz ter matado seu pai, e segue dizendo ter casado com sua mãe, e ele segue essa ordem em todas essas vezes, já que o casamento com sua mãe imprescinde da situação anormal da ausência de seu pai, que nesse caso é explicada pelo patricídio cometido por ele. Então, pela sequência dos fatos, seria normal para Édipo lamentar o parricídio sem lamentar o incesto, mas não lamentar o incesto sem lamentar o parricídio que criou a situação anormal que lhe permitiu o primeiro. Apesar de tudo, ao longo do texto Édipo lamenta mais o incesto do que o parricídio.

Mas sobre isto ainda paira uma certa dúvida, pois em todas as vezes que Édipo lamenta apenas o incesto (sem seguí-lo do parricídio), o faz direcionando suas lamentações à Antígona e Ismene. Poderia-se então dizer que nesses casos Édipo não está a lamentar a sua tragédia pessoal, mas a tragédia que legou às filhas, que são os seus confusos graus de parentesco. Com isso volta-se à estaca zero.

Então eis que o seguinte trecho lança uma luz:

For, if I had eyes, I would not know where to look
When I went to Hades and saw my father
Or my unfortunate mother, since to both
I have done what is so outstanding that a strangling is excluded.


Édipo nos diz que o que ele fez aos seus pais foi algo tão horroroso que torna o estrangulamento (enforcamento) de Jocasta algo irrelevante. Mas o que é que Édipo considera assim tão terrível, o parricídio ou o incesto? Ele nos diz adiante:

Those deeds that I did there, and then, when here,
What I also achieved? You - those rites of joy
Which gave me my birth and which planted me anew
By the same seed being shot up to manifest fathers,
Brothers, sons - the blood of a kinsman –
Brides, wives, mothers: as much shame
As can arise from deeds among mortals.


Cá está. A vergonha suprema, segundo o próprio Édipo, foi o seu atentado contra o sangue da família, foi ter misturado incestuosamente o sangue de irmãos, pais, filhos, noivas, esposas e mães.

Pronto, senhor salvador, eu posso não saber nada de grego, mas vai arrumar outro trouxa pra enrolar, vai. O pior é que, depois de tudo terminado, depois de sair todo sujo de merda da masmorra do carrasco Myatt, vou ter que reler tanto Édipo Rei quanto Antígona. Dessa vez escolhi a masmorra de um tal Storr. Tomara que seja um moralista cristão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A Indignação Que Não Vejo Cá

De ontem para hoje conversei pelo orkut com dois estonianos e uma ucraniana sobre a situação política do Brasil. Comentei que entre os partidos que aqui as pessoas chamam de direita, um deles é social democrata. Logo em seguida veio a pergunta: “Você pode me explicar isso? Qual é o partido mais a esquerda aí então?”. Nessa hora eu agradeci por não estar conversando com brasileiros. Ahh!... a pura, simples e revigorante sanidade política, como ela faz falta. Enquanto isso, aqui nesse país, sou chamado de doido por dizer o óbvio: no Brasil não há partidos que representem uma verdadeira direita.

Respondi mostrando a seguinte lista com o nome de todos os partidos brasileiros:

Partidos trabalhistas/socialistas/comunistas:
PDT - Partido Democrático Trabalhista
PRTB - Partido Renovador Trabalhista
PSTU - Partido Social Trabalhista Unificado
PT - Partido dos Trabalhadores
PTB - Partido Trabalhista Brasileiro
PTC - Partido Trabalhista Cristão
PTdoB - Partido Trabalhista do Brasil
PTN - Partido Trabalhista Nacional
PCO - Partido da Causa Operária
PCdoB - Partido Comunista do Brasil
PSB - Partido Socialista Brasileiro
P-SOL - Partido Socialismo e Liberdade
PCB - Partido Comunista Brasileiro
PPS - Partido Popular Socialista

Partidos de “direita”:
PSDB - Partido da Social Democracia Brasileiro
DEM - Democratas

O resto:
PHS - Partido Humanista da Solidariedade
PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro
PMN - Partido da Mobilização Nacional
PP - Partido Progressista
PR - Partido da República
PRB - Partido Republicano Brasileiro
PRP - Partido Republicano Progressista
PSC - Partido Social Cristão
PSDC - Partido Social Democrata Cristão
PSL - Partido Social Liberal
PV - Partido Verde

Só de olhar isso, qualquer guri de colégio (que não seja brasileiro, claro) percebe que tem algo de errado com a democracia nesse país. O primeiro fato assustador é que dos 27 partidos ativos brasileiros, mais da metade (14) parece ter bases ideologícas de extrema esquerda. O segundo é que os dois grandes e poderosos partidos de direita do Brasil têm nome de partidos de esquerda. Se esse guri pudesse ir só um pouquinho além e lesse os estatutos desses dois partidos, saberia também que o PSDB tem em sua idéia base pouco do que pode ser chamado de uma ideologia direitista, mas muito do que constitui uma esquerda em qualquer lugar do mundo. Se pudesse saber também que o próprio DEM declarou ser de centro, e inspirado no Democrats americano, ele jamais diria que se trata de um partido de direita. A conclusão do guri seria que no Brasil todos os partidos são de esquerda, variando apenas em grau.

“A noção de que os democrats americanos são de direita é incrivelmente alienígena para mim! Que situação ruim vocês devem ter se algo como eles é a direita!”.

Aí está, a indignação que não vejo no brasileiro. Oh céus! Nesse país há imbecil até para dizer que o PT é de direita. Quando digo por aí que PSDB e DEM não representam verdadeiramente uma direita, as pessoas riem, olham para mim incrédulas. Eu explico com toda a paciência o motivo pelo qual digo isso. Mas sempre a resposta é algo do tipo: “eles são de direita sim, mas você acha que eles próprios vão dizer isso?”.

Como se fosse crime. Puta merda.

Num próximo post farei uma ponte entre este texto e o anterior para explicar melhor essa situação.

PS.: Já que falei em "verdadeira direita", explico. Conservadorismo. Essa é a acepção clássica do conflito iniciado 4 séculos atrás. O conservadorismo e apenas o conservadorismo pode representar uma verdadeira direita. Economia não é fator determinante para classificar qualquer partido entre esquerda ou direita.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O "Omi" e Os Barbudo

“Por acaso você acha que O Movimento Estudantil [doravante O’ME] ainda é composto por barbudos marxistas?”. Assim mesmo “O Movimento Estudantil”, sempre único e soberano. Só faltava escrever com letras maiúsculas. Mas isso eu já estou fazendo por eles, para facilitar as coisas. Mas, voltando à pergunta, sobra-me apenas a opção de dizer sim e aceitar o implícito atestado de paranóia.

A questão foi-me jogada em uma polêmica na qual me envolvi há alguns meses. Apesar da leve concessão de que pelo menos em algum ponto no tempo houve o completo domínio marxista sobre as mentes estudantis, o tom sarcástico da autora não deixava dúvidas de que isto era tudo coisa do passado, que nos dias de hoje a situação é completamente diferente. Dizer o contrário é auto atestar-se, além de paranóia, desinformação.

Um compêndio de quase toda argumentação em defesa do O’ME é algo do tipo: “isso é coisa dessa gente que tem uma visão altamente distorcida do O’ME e não entende a sua luta histórica e a sua importância na luta pela causa estudantil, tá ligado?”. Cada vez que alguém diz algo do tipo ao mesmo tempo em que não se pretende marxista, me dá um abatimento, uma tristeza. Um vazio no peito e uma imensa vontade de voar no pescoço do infeliz e encher-lhe de tapas. Dêem-me uma pausa para respirar, por favor... ufa. Oh céus, quem estuda ao menos um pouco, só um pouquinho mesmo!, entende a minha dor. A defesa é maravilhosa, impecável. O barbudo marxista nega a veia marxista do O’ME a partir de pressupostos puramente marxistas. Um primor!

Se eu ainda ACHO que o O’ME é composto por barbudos marxistas!? NÃAAAO! Eu SEI que é! Olha, se ainda são barbudos não sei. Alguns até são sim. Pior, a maioria nunca nem leu Marx. Mas se são marxistas? Ah são sim, ou pelo menos pensam como um. Todos eles! Barbudos ou não. E se acham que não, então são piores que os tais “antigos”, pois de tão burros já nem sabem mais o que são. Dizem até que o CCH da UFMA foi construído com base na planta de uma antiga fábrica inglesa, reparem bem, só para deixar a galera no clima.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Imbecis e Manifestantes, ou Manifestantes Imbecis?

Resumo: Que jamais se atreva um normal a confrontar suas idéias com um imbecil. É inútil. Não há como vencer. Pessoas normais sofrem de uma séria imparidade no que se refere a discussões, elas têm essa mania boba de tentar usar a razão.

O que separa um imbecil de uma pessoa normal não são diferenças na forma como cada um raciocina sobre determinados fatos ou as conclusões a que chegam, não é uma questão lógica ou intelectual. Não é também essa uma questão explicitada por exposições maniqueístas de termos como “errado” ou “certo”. Pois é até possível que ambos tenham as mesmíssimas opiniões sobre diversas questões. Tanto é que imbecis e pessoas normais podem se unir em nome de uma mesma causa e trabalharem de forma tão harmônica que fica difícil dizer quem é imbecil e quem é normal em meio ao bolo.

A verdadeira diferença está no sistema nervoso de cada um, é da ordem do sensível. Sigamos com uma exposição analítica da situação.

Para uma pessoa normal a informação percorre o caminho completo. É captada por seus sensores, passa pela medula e segue para o cérebro, que a processa e a transforma em conhecimento. Mas o mesmo não ocorre com o imbecil. Para esse a informação jamais chega ao cérebro, fica condenada à barreira da medula e retorna com um reflexo involuntário. Encostar um cigarro no braço de um desavisado provoca uma reação semelhante a, por exemplo, dizer a um tipo de imbecil que “não deve haver passe livre”. É tão certo que o primeiro irá instantaneamente afastar o braço para não se queimar quanto é certo que o segundo irá chover-lhe insultos e as acusações mais infundadas sem sequer lhe perguntar antes o motivo de tal afirmação.

Define-se um imbecil da seguinte forma. Um sujeito incapaz de ir além da ordem do sensível e se por honestamente a verificar as suas próprias percepções. Por estar eternamente condenado ao sensível, o imbecil cultua a mera aparência e a pura e isolada estética, sendo por isso capaz de construir uma argumentação inteira puramente sustentada na retórica sem sequer se dar conta disso. Jamais chegou a usar a cérebro na vida, por isso mesmo desconhece as maravilhas do encadeamento lógico de idéias, sendo assim incapaz de se comunicar plenamente com qualquer outra pessoa que não, como ele, também imbecil. É justamente por essa razão que imbecis são sempre vistos em grandes grupos, relacionando-se apenas com outros grupos de imbecis, utilizando termos que não fazem o menor sentido senão dentro de seu próprio círculo, aceitando pessoas normais entre suas hostes apenas caso estas possuam suas mesmíssimas opiniões e lhes sejam úteis a causa.

Neste exato momento, por exemplo, há imbecis lendo este artigo e xingando este humilde autor que não está fazendo nada senão dissecar um fenômeno que ocorre em todos os grupos e “lados” políticos, inclusive no meu próprio. Mas esse tipo de imbecil não pode evitar o que sente. Desde que sugeri com o título que há imbecis em meio a manifestos, e no 4º parágrafo citei o passe-livre como MERO exemplo, não teve jeito, subiu-lhes um frio na espinha, tiveram um tremelique, arfaram forte estupefatos com o que liam e ulularam frases pré-construídas, que de tão usadas já são para eles interjeições tão comuns quanto “ai” ou “ui”.

Que jamais se atreva um normal a confrontar suas idéias com um imbecil. É inútil. Não há como vencer. Pessoas normais sofrem de uma séria imparidade no que se refere a discussões, elas têm essa mania boba de tentar usar a razão. O imbecil só entende a lei do berro, quem se descabela, grita mais alto e faz o maior show está certo, e fim.

Agora responda rápido: imbecis entre manifestantes ou manifestantes imbecis? Não corra o risco de cometer injustiças se arriscando a distinções e juízos de valor complexos. Na dúvida, nivele por baixo.

sábado, 8 de setembro de 2007

Adolescência Moral

Para uma criança pequena ela não pode fazer muitas coisas porque os pais não deixam. Com a maturidade vem a compreensão de que na verdade há razões subjacentes para fazer ou não fazer essas coisas, e que os pais estavam apenas refletindo essas razões externas. O problema é quando a criança aprende o limite do controle dos pais mas não compreende a importância das limitações externas as suas ações.

Mas o pior mesmo é quando apesar dessa paralisia mental o sujeito ainda consegue passar num vestibular para uma universidade pública. Vira socialista militante.

domingo, 2 de setembro de 2007

Nós, Macacos

Resumo: Mencken costumava dizer que a democracia é a arte e a ciência de administrar um circo a partir da jaula dos macacos. Mencken não viveu pra ver os macacos petistas no poder. Esses macacos safados tomaram a chave do cárcere e agora administram o circo diretamente do picadeiro. No “Circo Brasil” quem habita a jaula dos macacos são os críticos aos imcomPTentes dos administradores.

Vou contar uma história sobre um país onde a sociedade atingiu um nível tão avançado de intelectualidade que a mesma entende que discussões como a corrupção parlamentar, políticas públicas unicamente compensatórias, a implementação de leis que restringem as liberdades individuais e o envolvimentos de membros do mais alto escalão do governo (e até mesmo do presidente) com exércitos revolucionários-narcotraficantes-bolivarianos são identificadas como "perca de tempo". As pessoas nesse país são pessoas muito sabidas mesmo. É "perca de tempo" discutir essas coisas, quem tem o poder de fazer as coisas são os parlamentares, oras, não o povo.

Eu ia continuar expondo o tal país dessa forma. Mas essa piada já não tem mais graça. Até seres estúpidos como universitários maconheiros são capazes de antecipar o "grandioso final" de um texto desse tipo, onde revelaria que o "misteriosíssimo" país é o Brasil. Não faço a menor idéia do por quê, mas por alguns momentos achei que ao utilizar dessa estratégia boba eu estaria sendo engraçado. Mas pensei melhor e resolvi parar com essa porra. Agora eu não sei se o pior é constatar que o meu senso de humor está completamente podre por achar essa bobagem seria engraçada, ou se o pior é eu achar que deveria tentar ser cômico ao tratar desse assunto, que me irrita profundamente.

Mas a verdadeira e assustadora constatação diverge das proposições acima expostas. Cá está ela: o pior mesmo é constatar que ser crítico alinhado a direita nos últimos anos no Brasil é isso aí, fazer graça, divertir, macaquear. Mencken costumava dizer que a democracia é a arte e a ciência de administrar um circo a partir da jaula dos macacos. Mencken não viveu pra ver os macacos petistas no poder. Esses macacos safados tomaram a chave do cárcere e agora administram o circo diretamente do picadeiro. No “Circo Brasil” quem habita a jaula dos macacos são os críticos aos imcomPTentes dos administradores.

Macacos! Macacos!! Macacos!!!

Nós daqui da jaula *hic hic* competimos para ver quem diverte mais o público atirando bosta na oposição. Competimos pra ver quem é o melhor macaquinho. Orgulho-me de dizer que no geral, nós macaquinhos da direita somos *huh-grah* os melhores dentre todos os macaquinhos! Reinaldo de Azevedo e Diogo Mainardi estão aí provando isso, são tão bons em macaquear, que os imcomPTentes dos administradores por mais que tentem mantê-los na jaula, não conseguem. O público *hic hic* clama por suas macacadas! Olavo de Carvalho é outro macaquinho proeminente, fugiu da jaula e do circo, mas continua nas redondezas. Olavo berra alto! Joga bosta tão bem que é capaz de acertar um petista bem no meio dos olhos, e isso tudo de fora para dentro do circo. É impossível *huh-grah* não notá-lo!

Permitam-me então ampliar essa exposição kafkiana.

É como em “Grandes Símios” de Will Self. Um dia acordei e descobri que eu e todos os meus heróis éramos na verdade um bando de *hic* macacos (“SÍMIOS!”). E aos poucos as coisas foram piorando, fui percebendo a extensão dessa impossibilidade. Descobri que o circo inteiro sempre tinha sido gerenciado e financiado por *func func* primatas. Assim como na obra de Self, nessa realidade alternativa os verdadeiros humanos são tidos como seres inferiores e primitivos. Simon Dykes, o protagonista, por estar convencido de que ainda era um ser humano, bradava aos quatro ventos que ainda o era. O *hic hic* resultado? Foi internado em um hospital psiquiátrico. Ora, que coisas interessantes acontecem na ficção. Interessantíssimas! Huh grah!

Voltemos agora à realidade. Mas tenham muito cuidado ao atravessarem a porta deste mundo que assim chamam de real. Vamos ler uma notícia de 4 dias atrás? “China e Rússia voltam a internar ativistas em manicômios”. Que tal uma outra de 1 mês atrás? “Autoridades russas internam jornalista a força”. Creio que houve algum engano, leitores. Parece que ao voltar pegamos a porta errada. Onde fica mesmo a que nos leva de volta para essa tal realidade? Sinto-me em um labirinto kafkiano.

Tenham cuidado ao defenderem suas humanidades. Os macacos estão de olho.