Ele passou a maior parte do debate de hoje fumando. Não falou muito. Mostrou-se tranquilo o tempo todo. Ria e falava serenamente com os adversários. Sua chapa não foi muito requisitada, mas pôde mostrar bem a que veio. Converso agora com William, estudante de História e membro da chapa 1, Consciência e Luta, sobre sua candidatura para o DCE.
Nhoque Nhoque – William, desculpe-me, mas tem-se falado pouco da Chapa 1 “Consciência e Luta”. Apesar de vocês terem comparecido aos debates, não vemos muitos cartazes, e vocês também não passaram nas salas, como fizeram as outras chapas. Você não acha que isso prejudica a visibilidade de seu grupo, fazendo com que fiquem atrás na campanha?
William - De certa forma, sim. Porque a nossa chapa não tem recursos, adesivos, cartazes, panfletos, camisa e outros utensílios de campanha. Pois a nossa não tem apoio financeiro de partido político, sindicato, C.A., D.A., DCE. Ou até mesmo do governo do estado, do município, da união e até mesmo da reitoria. Nós não temos nenhum desses apoios. E isso dificulta a nossa divulgação. Ao contrário das outras chapas.
Nhoque Nhoque - Como assim "ao contrário das outras chapas"? Quais delas têm apoio financeiro das entidades que você citou: CA, DA, DCE, sindicatos, estado, município e união?
William - Eu não quero fazer calúnias e muito menos difamação...
Nhoque Nhoque - Então fale só a verdade...
William - Eu suponho ou especulo as possibilidades de que as duas chapas devem está recebendo apoio dessas instituições ou entidades. Até mesmo pelos recursos que as duas chapas tem.
Nhoque Nhoque - Uma das chapas, a chapa 2, foi na minha sala, interrompendo um trabalho de meus colegas, e lá falaram que a chapa 3 era financiada pela reitoria. Eu achei aquilo muito estranho e perguntei a eles: como pode a chapa 3 estar sendo financiada pela reitoria e estar se utilizando de uma material tão ruim - na época eles só tinham cópias em preto e branco, que distribuíam e pregavam nos murais - e eles, da chapa 2, um material muito superior? Eles alegaram que tinham sido financiados por sindicatos e por professores. Que tipo de interesse você acha que sindicatos e professores teriam em financiar uma chapa? Interesses, digamos, revolucionários? Por que a chapa de vocês, que tem uma linha parecida com a deles, também não recebeu esse tipo de "ajuda"?
William - A UJS e a LIGA apoiaram atual reitor na ultima "eleição", ou seja, na consulta prévia. Existe a possibilidade da reitoria financiar a chapa 3. Até porque o Zé Carlos, que é do PC do B, e é assessor do Reitor Natalino Salgado. Enquanto a chapa 2, há evidência que a APRUMA esteja apoiando, pois a entidade e ligada é filiada a CONLUTAS. E tem fortes ligações com o PSTU. E é o PSTU que está na direção da APRUMA. No caso, o Professores Welbson Madeira e Cláudia Durans, que são do PSTU, e são da APRUMA. A nossa chapa não recebeu recursos deles por não estarmos efetivamente e de fato no grupo deles.
Nhoque Nhoque - Você diz que uma chapa tem ligações partidárias e outra é a favor da reitoria. Depois diz que não recebe recursos porque não está no grupo deles. Você aceitaria receber se estivesse? Você não acha que essa relação promíscua entre estudantes e partidos, sindicatos etc., compromete o foco de suas reivindicações?
William - Eu, particularmente, não aceitaria. Porque eu estou na UFMA desde 2004. E que eu percebo é a fragmentação do movimento estudantil é por causa dos partidos políticos que usam o movimento como trampolim para promover-se politicamente. Eu não sou anti-partidário e muito menos apartidário, desde que seja para somar forças junto com o movimento. Mas na prática isso não vem acontecendo. Por interesses particulares. E todos os partidos que estão inseridos no movimento tem a parcela de culpa. E são os principais responsáveis pelas crises dos movimentos sociais, principalmente estudantil. Pois nós temos a UNE, que está sob a direção do UJS / PC do B há mais de 15 anos. E a CONLUTE, apesar de ter um bom programa político e tem travado grandes lutas neste país, contra a Reforma Universitária e o REUNI, mas está sob a direção do PSTU. E de uma forma burocratizada. E a UNE apóia as reformas do atual governo, principalmente a Reforma Universitária e o REUNI. E impedido as lutas dos estudantes.
Nhoque Nhoque - Mas você não acha que, apesar do peleguismo destas entidades, não podemos fazer algo à parte. Na minha opinião, pode-se fazer mais coisas extraordinárias sem DCE do que com ele. Você acha que estas entidades estudantis têm tanta representatividade hoje em dia?
William - Eu particularmente, sou militante do movimento estudantil desde que comecei o meu curso, e nunca precisei de DCE ou C.A. Mas eu sou membro do C.A, mas eu estou saindo da entidade. Pois o mandato já encerrou, e está no processo eleitoral. A chapa que eu faço parte, foi criada para sair no antagonismo entre UNE e CONLUTE. E construir o novo rumo para o movimento estudantil, para sair da apatia, fragmentação e dessas crise que atravessa atualmente. Com o movimento autônomo, soberano, democrático e de luta. Em defesa da universidade pública, gratuita, laica, autônoma, soberana, democrática, universal e de qualidade.
Nhoque Nhoque - Nossa! Quantos adjetivos! Mas você não acha a UNE e a CONLUTE insignificantes demais para ficar se pautando nelas? A UNE tem história e tal, mas hoje não representa NADA. A não ser as brigas partidárias que você citou. O barato da UNE é saber com qual partido ela ficou. Como a sua chapa pode representar essa alternativa para o antagonismo UNE x CONLUTE?
William - A nossa chapa pode representar sim, mas sem burocracia, e sem fazer no DCE o gabinete com portas fechadas. E defendemos o DCE defenda os princípios dos estudantes, que tenha um programa político em defesa universidade, mas sem atrelamento com outra entidade. E defendemos o rompimento com a UNE e o dialogo com a CONLUTE, mas sem atrelamento.
Nhoque Nhoque - Como assim "diálogo"? Um bate-papo num boteco? Vocês vão fazer festinhas e chamar eles? Por que a UNE não e a CONLUTE sim?
William - Como eu disse anteriormente, eu reconheço a história e a trajetória da UNE. Mas atualmente ela mesma enterrou toda essa história de luta. A CONLUTE tem o bom programa político, e tem participado de diversas lutas nas universidades brasileiras. Mas a CONLUTE já surge burocratizada, pois o PSTU majoritariamente está na direção. E como a CONLUTE nos últimos anos tem participado nas lutas. Aceitamos o diálogo, mas sem submeter a burocracia da direção e queremos uma CONLUTE sem burocracia.
Nhoque Nhoque - Que tipos de lutas? A que burocracia você se refere?
William - A luta em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. E a burocracia é quando refiro aos congressos feitos pela UNE, nos quais a UJS se utiliza de todas as práticas autoritárias e impede qualquer discussão que vai de contra os seus interesses. E o PSTU vem agindo da mesma forma, dentro da CONLUTE, e falo isso porque eu tenho um amigo que mora em Cuiabá-MT. Que eu conheci no Encontro Nacional dos Estudantes de História na UFMT, e ele é da CONLUTE, mas não do PSTU. Muitos outros que conheço que são da CONLUTE em outros Estados, mas não têm vínculo com o PSTU. E este meu amigo de Cuiabá, de vez em quando, ele manda ao meu e-mail, as práticas autoritárias do PSTU, principalmente no Congresso da CONLUTE.
Nhoque Nhoque - Foi boa a conversa. Boa sorte. Alguma outra consideração?
William - Muito obrigado pela entrevista. Espero que os estudantes vejam nesta eleição não apenas uma eleição. Mas o DCE que nós queremos. E que tipo de universidade queremos. E por um movimento estudantil independente, soberano, democrático e de luta. Chapa 1 - Consciência e Luta. Obrigado!!!!!!
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segunda-feira, 16 de junho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Chuck Norris é chapa 3

Foi com muito vinho e rock n’ roll que foi lançada ontem, na área de vivência, a chapa 3 “Somos quem podemos ser”, para a candidatura nas eleições do DCE deste ano. Um projetor instalado no local exibia imagens do material gráfico da chapa, intercaladas por fotos e mensagens como: “Vote Chapa 3”, “Chuck Norris é chapa 3” e “Seu Madruga é chapa 3”. Apoios de peso. O vinho foi muito elogiado. A chapa não poupou despesas, e há muito não se via um ponche com mais vinho do que água na UFMA. A estratégia funcionou. Muitos saíram de lá tropeçando, mas prometendo voto à chapa. Além da presença em todos os outros ponches. Conversei com a estudante de Direito, Thalita Martins, integrante da chapa, que pôde nos falar sobre as propostas do grupo para a UFMA, apresentar seu pensamento sobre universidade e alfinetar um pouco a concorrência.
Nhoque Nhoque – Por que “somos quem podemos ser”? Vou ter que perguntar para o Humberto Gessinger?
Thalita Martins - Então, “Somos quem podemos ser” retrata bem a imagem que a Chapa 3 quer passar, uma chapa realista, que sabe que só pode prometer e se comprometer com aquilo que pode realmente fazer, não deixando também seus sonhos de lado. Por sinal, estes são fundamentais e é o que nos move. “Sonhos que podemos ter”... Como acaba esse refrão da música. Na realidade, a música toda serve de inspiração para a chapa.
Nhoque Nhoque – Vocês, em seus cartazes, se dizem de oposição. Oposição a quê?
Thalita Martins – Oposição a um DCE que em um ano e meio de gestão não fez nem 10% daquilo que prometeu, só conseguindo fechar as portas da entidade para o seu grupo de “iluminados”, sem escutar e respeitar a opinião d@s diferentes. Oposição a esse mesmo grupinho que agora quer se reeleger, com discursos baixos e falsos sobre a realidade. Oposição, também, a essa situação na qual nós estudantes da Universidade Federal do Maranhão sentimos na pele, qual seja, ônibus lotado, com professores que faltam muito, estrutura física e educacional precárias, com livros na biblioteca que não atendem toda a demanda, a falta de compromisso de alguns Centros ou Diretórios Acadêmicos que não atendem as necessidades de sua base, à falta de pesquisa, extensão, de um ensino de qualidade, enfim, ao fato da UFMA ser uma das piores universidades do Brasil.
Nhoque Nhoque – Recursos Humanos, esse é o principal desafio do movimento estudantil. As pessoas se comprometem no começo, mas, com o tempo, por motivos pessoais, trabalho, estudos etc., acabam dando mais atenção a seus problemas individuais, claro, e deixando de lado o movimento estudantil. Como vocês pretendem superar esse problema?
Thalita Martins - Isso é um fato que atinge a nossa realidade, sabe? E é notório em muitos CAs e DAs aqui na UFMA. A gestão começa com milhões de pessoas mortas de felizes e no final acaba com duas (para não dizer uma), mortas de triste... E não podemos deixar de comentar que assim ocorreu nessa gestão do DCE. O descompromisso foi total que muitas pessoas abandonaram a gestão, ficando esta na mão de pouquíssim@s. E essa é a nossa outra grande preocupação quando esse mesmo grupo, juntando-se a outro (que não pode não esvaziar gestão, mas sala de aula el@s sabem fazer muito bem) tenta se reeleger para esvaziar novamente nossa entidade, deixando-a sem efetiva representação. Mas muitos e muitas da nossa chapa já possuem um ritmo de atividades exemplar aqui na UFMA. Todos os CAs e DAs que estamos a frente possuem um histórico de lutas junto a sua base, o que é surpreendente. Só para citar, como exemplo, e não desmerecendo os outros, temos o de Química, Computação, Contábeis, etc. A galerinha é de luta e sabe fazer luta, com o dialogo, arma para nós fundamental. E mesmo aquelas pessoas que não possuem tanta experiência assim, têm sede de Mudança, têm sede de uma Universidade melhor, onde todos e todas, desde o filho do pedreiro até @ homossexual, tenham acesso ao ensino superior.
Nhoque Nhoque – Você escreveu mudança com “m” maiúsculo, isso tem a ver com o seu grupo: o Movimento Mudança, do PT? Alguma mensagem subliminar? Aliás, fale da pluralidade da chapa, por vocês propagada.
Thalita Martins – (risos) Não! Em hipótese alguma. Mudança, em maiúsculo não veio para fazer apologia a nenhum grupo político. Ele foi proposital para reforçar e mostrar uma das nossas bandeiras, um dos nossos nortes, um dos motivos pelo qual esse amontoado de pessoas, com ideologias das mais diversas possíveis, se uniu. Queremos modificações na Universidade, urgentemente! Agora sobre a pluralidade ideológica que existe dentro da chapa. Olha, somos uma chapa democrática, que dentro de uma pluralidade consegue formar uma unidade, que nos mantêm firmes nessa caminhada. Pensamos que o DCE não está a serviço de apenas um grupo político. DCE foi feito para e com @s estudantes, seja qual cor, credo, pensamento político el@ tenha. Daí porque conseguimos formar essa unidade. Porque acima dos nossos anseios individuais está uma vontade de lutar por mais verbas, por um banheiro decente na Universidade, por mais ônibus, etc. Somos estudantes e sofremos na pele todas essas problemáticas.
Nhoque Nhoque – Realmente chapa de vocês é bem diversificada: Chuck Norris, Seya de Pégasus, Che Guevara e Seu Madruga. É com esse time de peso que vocês pretendem derrotar a concorrência?
Thalita Martins - Então, tenha certeza que temos um time não só dentro da chapa, mas de apoiadores, que inveja qualquer outra chapa. Empresas Juniores, times de futebol, bandas universitárias, professores e estudantes, que estão ali, na base mesmo, tentando conseguir divulgar nossos pensamentos, idéias e propostas para @s estudantes da Universidade. Isso é o que nos move. Porque temos certeza que não só nós, mas muitos e muitas têm sede de mudança (sem apologia aqui, risos). Agora sobre algumas celebridades, como Chuck Norris, Seya de Pégasus, Seu Madruga, que tu citaste, são apenas brincadeiras, para deixar o clima mais descontraído. Agora sim, colocamos no nosso material pensador@s e pessoas que fizeram história e servem de inspiração não só para nós, como para outr@s estudantes, como Airton Sena, Clarice Lispector, Maria Aragão, o próprio Che Guevara, etc.
Nhoque Nhoque – Para você, qual é a principal proposta da chapa?
Thalita Martins - Hummm, perguntinha danada essa... Aqui falo por mim, Thalita Martins, e pelo movimento no qual participo, que é o Movimento Mudança. Aquilo que nós defendemos para a Universidade, está nos moldes de um modelo de Universidade Popular, onde o pensamento individualista é deixado de lado em prol de um pensamento coletivo, deixando de lado também o atual modelo excludente e conservador. Queremos uma Universidade Popular, que produza a humanização do conhecimento e que questione o papel social das profissões universitárias. Portanto, um Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão Popular é fundamental. Agora não é só essa proposta também. O Encontro de Mulheres Estudantes da UFMA, um dia de luta contra as opressões, a luta pela efetiva inclusão das pessoas com deficiências, etc. são propostas mais políticas, que mostram aquele modelo de concepção de universidade que adotamos e nossas bandeiras também.
Nhoque Nhoque – Se você fosse escolher uma palavra para qualificar a UFMA é hoje e outra para qualificar o que você pretende que ela seja, quais escolheria?
Thalita Martins - Uma palavra que qualifica o hoje da UFMA seria “sucateamento”. O amanhã, que eu tanto almejo, seria “popular”.
Nhoque Nhoque - Não sei se você sabe, mas a chapa 2 foi na minha sala hoje. Era aula de Cultura Brasileira. Eles entraram e começaram a falar coisas bem parecidas com o que você falou. O mesmo jeito de falar, os mesmos termos. Até usaram esse @ no material deles também. A esquerda é toda igual. Dizem que nós da direita a esteriotipamos, mas, desculpe dizer, temos razão. Levando isso em consideração, que diferenças há entre vocês e as outras chapas?
Thalita Martins - Desculpe-me, mas não acho que eles são tão de esquerda assim como dizem. Uma esquerda que não defende a entrada de mais estudantes nas Universidades públicas brasileiras (bandeiras historicamente defendidas por el@s) não é uma verdadeira esquerda! E é isso o que vai acontecer com o REUNI, que eles tanto batem, dizendo que é a privatização da Universidade federal brasileira, Reforma de FHC e Lula, etc! E ainda são contra a Reforma Universitária, ou seja, querem deixar tudo como está! Como disse anteriormente, o que norteia a nossa chapa é congregar e respeitar as diversas opiniões diferentes. Eles não! Só quem entra no grupo da Chapa 2 é quem pensa igual, veste igual, come igual a eles! Não há espaço para o diferente! Eu não vou negar que sou militante de esquerda. Mas nem por isso vou deixar de falar com pessoas que não pensam igual a mim. A construção é feita no debate e não na desqualificação de um movimento ou pessoa! No mais, jogamos limpo! Não saímos tirando cartazes de outras chapas, nem falando mentiras pelos corredores, como faz a Chapa 2!Sobre essa 'estereotipação' da esquerda que citastes, acho que não é por aí... Existem pessoas que se vestem, falam de um jeito e outras que se vestem e falam de outra maneira, sendo tod@s de esquerda. É natural e devemos respeitar. Sobre o uso da @ é para desconstruir mesmo esse padrão de linguagem machista que a língua brasileira adota. E não precisa ser de esquerda para usar.
Nhoque Nhoque - Claro que sim. Alguém de direita nunca usaria isso.
Thalita Martins - Mas por que não? (risos)
Nhoque Nhoque - Ora, não falo pelos outros, mas eu, pelo menos, nunca usaria. Afinal, não sou muito simpático a movimentos feministas, odeio esse politicamente correto e prezo por minha língua. Mas a entrevistada aqui é você. Tava fazendo um esforço para não empregar minhas opiniões pessoais na entrevista, mas não consegui. Não consigo ser jornalista imparcial. Espero que a Federação não me puna por isso (risos).
Thalita Martins - (risos) A gente conversa sobre isso pessoalmente...
Nhoque Nhoque - Tá certo. Obrigado pela entrevista. Algumas últimas palavras?
Thalita Martins - A UFMA era um sonho para muit@s que se tornou realidade. O nosso ideal é que essa realidade não se torne um pesadelo. O DCE tem grande importância nessa construção, principalmente se ele for participativo, que construa movimento de base, que dialogue com o corpo acadêmico. Não achamos que somos a solução para os problemas, mas sabemos que juntos podemos fazer muita coisa. Por isso, a Chapa 3 se apresenta a cada estudante, como uma alternativa a esse marasmo, para podermos dialogar o modelo de universidade que queremos, bem como o projeto político pedagógico da nossa universidade. E isso só se faz com o movimento, com uma gestão participativa, integrada e antenada com as verdadeiras demandas. Por isso vote chapa 3 “Somos quem podemos ser” no dia 18 de junho. Queremos agradecer muito ao Nhoque Nhoque pelo espaço. Ele, como todo meio de comunicação desta universidade, é fundamental para podermos estar mais próximos d@s studantes, fazendo-@s nos conhecer melhor!
Nhoque Nhoque - Obrigado e boa sorte.
P.S.: Entramos em contato com membros de todas as chapas que concorrem ao DCE. Em breve, publicaremos as outras entrevistas.
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quinta-feira, 3 de abril de 2008
Entrevista - Wellington Lima

Wellington Lima Silva Júnior é formado em Direito pela UFMA e trabalhou como tradutor na visita de Chávez ao Maranhão. Conversamos um pouco com ele - na foto, com a medalha de mérito (?!) dada a Chávez por Jackson Lago - para saber quais foram suas impressões sobre a passagem do ditador venezuelano à ilha e detalhes da visão privilegiada que teve dos acontecimentos.
Nhoque Nhoque - O que mais lhe chamou atenção no tempo em que passou na presença de Chávez e sua comitiva?
Wellington Lima - Foi o tamanho dela, é imensa. Ela é composta de funcionários da presidência, militares, jornalistas e cozinheiros, muita gente mesmo. Fiquei surpreso com a beleza do palácio. Aquilo ali é lindo, nunca tinha entrado nele, recomendo a visita. Também fiquei surpreso com o esquema de segurança montado pelo governo do Estado: foi bem forte. Tinha um fuzil da polícia civil cuja bala era do tamanho do meu dedo, estraçalha qualquer um. São várias equipes. Quem trabalhou em Recife não trabalhou nem aqui nem em Belém. Uma equipe grande para cada cidade, além do pessoal que viaja com ele.
Nhoque Nhoque - Jornalistas? Na comitiva?
Wellington Lima - Não sei se jornalistas vão junto com ele, mas alguns seguranças andam colados com Chávez.
Nhoque Nhoque - Como a comitiva de Chávez recebeu vocês?
Wellington Lima - Da melhor maneira possível, foram super simpáticos. Tirei até foto com alguns deles, conversamos bastante.
Nhoque Nhoque – Sobre o quê? Mulheres? Futebol?
Wellington Lima - Fora os diálogos pertinentes ao trabalho ali desenvolvido, conversamos sobre a Venezuela, sobre viagens, sobre São Luís, questões profissionais, diversos assuntos. Futebol não, mas sobre mulheres sim, mas foi só com um e na hora do almoço.
Nhoque Nhoque – Você teve algum contato direto com Chávez?
Wellington Lima – Sim. Eu iria fazer a tradução simultênea, mas logo fui mudado de função. Ele não gosta de traduções em seus discursos. Depois um venezuelano me disse que ninguém traduz Chávez. Quando ele saiu do balcão, passou perto de mim e tirei uma foto dele, depois, no jardim do palácio, falei um pouco com ele.
Nhoque Nhoque – Mulheres? Futebol?
Wellington Lima – Não, falei algo relacionado com o discurso que ele havia feito no salão de atos do palácio. Ele havia dito que não considera que haja diferença entre brasileiros, peruanos, chilenos, venezuelanos. Todos nós fazemos parte de apenas uma nação: a latino-americana. Eu peguei o embalo e falei para ele o seguinte: "Presidente, Che Guevara dijo una vez que 'somos todos una sóla raza mestiza, desde el México hasta el estrecho de Magallanes', somos todos iguales, presidente". E ele respondeu: "Sí, y fuertes, muy fuertes”. Foi só isso mesmo. Ele estava indo em direção ao salão onde estava sendo servida a refeição e não podia ficar ali batendo papo comigo, além de já estar atrasado para o compromisso dele em Belém.
Nhoque Nhoque – Ele deve ter pensado: “Putz! Como não lembrei dessa frase do Guevara!”.
Wellington Lima – Com certeza, encaixa-se como uma luva no discurso dele.
Nhoque Nhoque – Isso aí. Qual foi a sensação de ter dirigido essas poucas palavras a Chávez? Febre? Indisposição?
Wellington Lima – Não, alegria mesmo, do tipo: "caramba! falei com um presidente!". Foi emocionante. Politicamente falando, discordo dele, mas nunca estive tão perto de um chefe de Estado. Fiquei muito contente.
Nhoque Nhoque – O que você achou do assédio que o ditador, ops!, que o presidente Chávez recebeu na chegada ao Palácio os Leões?
Wellington Lima – Foi um pouco preocupante, ele saltou do carro antes de chegar ao palácio. Vai que um doido qualquer atira nele ou mete uma faca? Ia ficar feio para nós do Maranhão.
Nhoque Nhoque – Com certeza. Ele viraria um mártir. E o pior, um mártir bolivariano. E os maranhenses iriam ser acusados disso, não é? Já estaria até vendo as camisas vermelhas com o rosto de Chávez estampado.
Wellington Lima - Pior que sim. Em todo lugar que ele vai, atrai bastante gente, o pessoal da comitiva me disse isso.
Nhoque Nhoque – Se lhe fosse dado mais algum tempo e você pudesse falar o que quisesse com Chávez, o que você falaria?
Wellington Lima - Sinceramente, não sei. A frase que eu disse para Chávez já estava na minha cabeça, desde a manhã, e ela se encaixou perfeitamente do contexto. Provavelmente, seria bastante democrático, agradeceria pela visita, perguntaria o que ele estava achando da cidade, coisa do tipo.
Nhoque Nhoque – Mas estamos conjeturando. Nada real. Nem assim você falaria algo como: "Volte para seu país!" ou "Ditador!" ou "Volte para seu país, ditador"?
Wellington Lima - De jeito nenhum, estava ali para trabalhar. Como disse para um amigo meu, que achou contraditório um direitista trabalhar na visita de um dos maiores ícones atuais da esquerda: "negócios são negócios, ideologia não enche barriga".
quarta-feira, 12 de março de 2008
Diogo, O Terrível

Em fevereiro deste ano, o português João Pereira Coutinho (não conhece? clique aqui e aqui) entrevistou O Colunista da Veja, Diogo Mainardi. Com o humor que lhes é característico, os dois falaram de Lula, Europa, Literatura e, especialmente, da aversão que os brasileiros, em geral, os brasileiros políticos, têm do jornalismo crítico, aguerrido e vigilante. Para não me estender muito, essa aversão, comum nos centros universitários, é fruto de uma mentalidade provinciana, pouco democrática, não acostumada com a crítica e não acostumada com aquilo que nós mais deveríamos defender: a liberdade de expressão e de escolha. Enfim, sem mais delongas, a entrevista.
É um dos meus desportos favoritos: chegar ao Brasil e falar, em tom blasé, de Diogo Mainardi. "Você leu a coluna dele na Veja? Muito boa", digo eu. O meu interlocutor cai num silêncio sepulcral. As veias do pescoço vão inchando como em certos filmes de vampirismo. O sangue concentra-se todo na cabeça. Os olhos, vermelhos e irados, saem das órbitas. A boca espuma. Os queixos tremem. Alguns levam a mão ao braço esquerdo e pedem uma ambulância. Deus do céu, eu já perdi a conta dos infartos, ou das ameaças de infarto, que a minha perversidade provocou em São Paulo e no Rio. Diogo Mainardi não é um colunista. É uma assombração.
Curioso. Irônico. Paradoxal. As mesmas pessoas que desmaiam na minha frente com o nome de Mainardi não desmaiam com uma elite política corrupta que usa dinheiro público tradução: dinheiro dos brasileiros para suas negociatas. O mal não está em quem rouba. Está naqueles que denunciam o roubo. Em condições normais, um país estaria grato aos jornalistas que vigiam e criticam o poder. Mas o Brasil não é um país normal. Aliás, Portugal também não é e pressinto aqui uma cultura histórica comum: quando um colunista abre a boca para criticar o governo, ele não critica o governo. Ele é um demente, um invejoso, um fracassado. E, em caso de discórdia, os leitores, para não falar dos colegas de ofício, não estão dispostos a contra-argumentar. Mas a censurar. O ideal não é discutir. É silenciar. Na impossibilidade de fuzilar. Curiosas mentalidades.
Às vezes pergunto se vale a pena continuar. Como Diogo Mainardi pergunta em seu último livro, "Lula é Minha Anta" (Record, 240 págs.), relato da sua odisséia anti-lulista. No livro, conta Mainardi que dedicou cerca de 5 mil horas a Lula (antes do mensalão começar). Cinco mil. Uma vida. Uma barbaridade. E quando o colunista acredita que finalmente se libertou do presidente, o mensalão estoura e Lula, como nos filmes de Coppola, volta a arrastá-lo para a velha dança. Mais 5 mil horas. Mais dez. Mais quinze.
Eu não me perdoaria. Sério. Nas milhares de horas que Mainardi perdeu com Lula, teria sido possível ler todo o Balzac, todo o Flaubert. Mas também teria sido possível viajar. Dormir. Namorar. Vadiar. Milhares horas com Lula e o PT não inspiram indignação. Inspiram compaixão.
Compaixão e irrisão. Várias vezes disse a Diogo Mainardi que ele deveria regressar à ficção. Basta ler os quatro livros publicados até ao momento ("Malthus", "Arquipélago", "Polígono das Secas", "Contra o Brasil") para entender o lugar singular do autor na prosa brasileira contemporânea. Ao resgatar a tradição satírica européia para a língua lusa, Mainardi faz o que Millôr Fernandes e Ivan Lessa fizeram antes dele: limpa o pó à gramática e confere uma vitalidade ao texto que é mortal para denunciar o ridículo da condição humana. Mas a resposta dele é sempre a mesma: "E quem paga as minhas contas?" Na conversa que tivemos, e que reproduzo embaixo, a pergunta é repetida. A resposta também.
Erro meu. "Lula é Minha Anta" não é apenas o resumo da batalha hilária de Diogo Mainardi para derrubar Lula. É também o retrato político de um país que ganha contornos grotescos, muito acima de qualquer ficção: na política, no jornalismo, no mundo empresarial; e nas relações promíscuas e até mafiosas que se instalam entre esses vários mundos. E, quando assim é, não existe grande espaço para prosa imaginativa. Seria inútil. Redundante. Em Inglaterra, onde a vida é previsível e civilizada (ou previsível porque civilizada), o "non sense" transferiu-se da vida para a literatura. De Jonathan Swift a Laurence Sterne, de Evelyn Waugh e Kingsley Amis, a sátira é abundante porque funciona como contraste. Mas quando a realidade já é surreal, é a realidade que se transforma em ficção. Quem precisa de livros quando basta olhar pela janela?
Mainardi olhou pela janela. Descreveu a paisagem. Mas falhou no essencial: em 2006, Lula era reeleito, ou seja, "absolvido pelas urnas", como dizem seus acólitos. Num dos melhores textos do livro, Mainardi compara-se ao Coiote do desenho animado, que persegue obsessivamente o Papa-Léguas para ser derrotado no final. Uma pena? Para o Brasil, com certeza. Para os leitores, longe disso. "Lula é Minha Anta" ficará como testemunho de uma época e exercício literário pleno de violência sarcástica. E, além disso, ninguém assiste ao desenho animado para ver o Papa-Léguas.
Quer ler a entrevista? Clique aqui
sábado, 1 de dezembro de 2007
Entrevista – Lourival Souza
Lourival Souza, estudante do 5° período de engenharia elétrica da UFMA, Conselheiro de Ensino Pesquisa e Extensão e membro do grupo L.I.G.A. fala conosco sobre a aprovação do REUNI que aconteceu ontem, a socos e pontapés, no Palácio Cristo Rei. Ele fala sobre esse programa do Governo Federal e sobre o movimento estudantil.
Nhoque Nhoque – Foi aprovada no último dia 30, pelo CONSUN, em votação polêmica, a adesão da UFMA ao REUNI, programa do Governo que promete democratizar o ensino superior nas universidades públicas federais. Muitos membros dos vários setores da universidade alegaram que essa aprovação foi autoritária e antidemocrática. Você reafirma essas acusações?
Lourival Souza - De forma alguma. Todos os setores estavam legitimamente representados. E, aliás, pelo art.30, parágrafo 1, do regimento, o presidente do conselho poderá convocar uma sessão em menos de 72 horas em caso de urgência. Isso foi alegado pelos representantes da palhaçada e derrubado pelo procurador federal ainda no início da sessão.
Nhoque Nhoque – A qual palhaçada você se refere?
Lourival Souza – Da graduação estavam presentes: eu (L.I.G.A.) a favor, Lucas Valadão (L.I.G.A.) a favor, Priscila Barcelos (DCE) a favor, Péricles (DCE) contra e Ramon (DCE) contra. Quando cheguei ao palácio os manifestantes estavam com nariz de palhaço. Não há outro nome para o que palhaço faz.
Nhoque Nhoque – Os estudantes do DCE e da CONLUTE alegaram que a sessão não tinha caráter de urgência, já que o prazo para o parecer da universidade era até o final do mês. O que você diz desses argumentos? São sérios ou são só coisas de palhaço?
Lourival Souza – Bem, como urgência têm caráter subjetivo, eles podem achar o que quiserem. Usaram isso isso para fazer um circo ontem. Claro que é coisa de palhaço. Detalhe: eles tinham uma palhacinha exonerada.
Nhoque Nhoque – Como assim? Quem seria?
Lourival Souza – Rielda. Ela era suplente do Consepe. Os titulares foram exonerados, ela e outros deveriam assumir. O que nunca fizeram. A exoneração vem depois de três faltas não justificadas. Do Consepe só restamos eu e Pricilla Barcerlos. Que coisa, não? Se ela tivesse um pouco mais de preocupação e responsabilidade, poderia estar lá dentro do palácio dando o seu voto e não lá fora arranhando sua garganta com um microfone e uma caixa amplificada.
Nhoque Nhoque – Por que você se posicionou favorável ao REUNI?
Lourival Souza - Primeiro, pelas metas que o programa propõe, metas altas. A UFMA precisa trabalhar para isso. Todo suporte físico e acadêmico foram propostos de forma bem plausível, descentralizando muitas funções pedagógicas, aumentando bolsas e, claro, aumentando os investimentos. Todas as universidades que o conseguirem terão um aumento no orçamento. Cria novos cursos, com a ênfase noturna. Por exemplo, o CCH de manhã e de noite fica quase vazio. O CCET a noite também. O projeto democratiza o acesso, já que muitos estudantes são de origem humilde e têm que trabalhar. Prevê construção de creches. Além disso, o projeto pode evoluir ainda mais, já que as medidas críticas se implantarão em 2009. Aumenta o número de docentes. Criação de suporte pedagógico para quem tem baixo rendimento. Basicamente isso me fez ficar a favor do projeto.
Nhoque Nhoque – Alguns representantes do DCE chamaram os estudantes que votaram a favor do REUNI de “traíras” do movimento estudantil. Você se considera um “traíra” do movimento estudantil?
Lourival Souza – Jamais. Se tive voz no conselho, é porque cumpri minha função de conselheiro. Uma pessoa que vota a favor da expansão da universidade não pode ser considerada traidora.
Nhoque Nhoque – Mas você sabe como é. Esses estudantes, envoltos por uma aura de comunhão e coletivismo, sempre chamam aqueles que discordam deles de traidores. Você não acha a atitude deles pouco democrática?
Lourival Souza – Nelson Rodrigues pode responder isso: "Ah, os nossos libertários! Bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade! A dos outros, não. Que se dane a liberdade alheia. Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura". Acho que isso explica.
Nhoque Nhoque – Logo após a aprovação do REUNI, estudantes do DCE saíram em um carro de som pelo campus atacando a reitoria e denunciando a violência com que foram recebidos no Palácio Cristo Rei. Você, que estava lá, presenciou essa violência alegada por eles?
Lourival Souza – Não, eu presenciei a violência gerada por eles. Estava na terceira fila.
Nhoque Nhoque – O que você pôde ver de lá?
Lourival Souza – Bem, logo após a derrota por 42 x 15 votação da questão de ordem, a qual pedia cancelamento da sessão, não conformado, um esquerdista desvairado toma a frente da mesa e começa a vociferar contra o "sistema". Seus solidários camaradas avançam e tomam o microfone de nosso excelentíssimo reitor. Quem não gostou da bagunça instaurada avançou e reprimiu.
Nhoque Nhoque – Quem reagiu à agressão?
Lourival Souza – Refere-se ao primeiro soco?
Nhoque Nhoque – Não sei. É você quem responde. Diga só o que você viu. Narre as agressões, os socos... Fique à vontade.
Lourival Souza – Alunos presentes que não gostaram da bagunça instaurada, foram pra cima dos "camaradas", e eles reagiram como de praxe: violência. Momentos antes a segurança informou que o prédio tem problemas estruturais. Não satisfeitos, os palhaços começaram a pular, e o chão começou a tremer. Foi aí que os conselheiros começaram a sair. Fomos deslocados para uma sala ao lado. Eles foram para lá e acamparam. Daí aguardou-se um pouco para a segurança agir. Fomos para a sala da procuradoria, onde foi terminada a sessão.
Nhoque Nhoque - Essas atitudes irracionais de violência mancham a imagem dos estudantes. Ainda mais com agressões, além de psicológicas, já que isso é um transtorno, físicas. Fale sobre os estudantes que agrediram membros da reitoria e inclusive o próprio reitor.
Lourival Souza – Com Natalino: verbal, seguida de um tapa. Quando os estudantes se aproximaram para pedir que se acabasse com a palhaçada, reagiram com socos. Nada fora do normal para os palhaços
Nhoque Nhoque – Que absurdo! Valeu, Lourival!
Lourival Souza – Não vai ter uma rodada de bate-bola? Um ídolo: Sarkosy. Uma mulher: Thatcher. Um economista de óculos: Friedman (risos). Eu que agradeço. Posso terminar minha entrevista com uma frase?
Nhoque Nhoque – Pode sim.
Lourival Souza - Massa equivocada que não pensa, não produz e não honra esta universidade, seus dias estão contados. Vocês são a escória dessa instituição!
Nhoque Nhoque - Obrigado.
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