Com alguma sorte, estaremos livres de Lula em:

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domingo, 4 de maio de 2008

Debate Sobre Cotas Racias

Debatedores:
- Demétrio Magnoli
- Marcelo Paixão

Excelente vídeo. Não é todo dia que se vê um embrulhão pró-cotas ser humilhado em cadeia nacional.

Segue ao vídeo o meu comentário.



Uma seríssima imparidade me impede de ter um debate sobre cotas racias: não consigo olhar para face do adversário e aceitar com serenidade que ele crê no que está dizendo, ou que, sendo capaz de crer no que está dizendo, trata-se de uma pessoa normal e passível de ser convencida do contrário. As primeiras três frases proferidas por Nelson Inocêncio nesse vídeo resumem a insanidade que me agonia. É a seguinte: embarcando sujeitos sob um conceito inexistente, cria-se uma discriminação sacramentada pelo estado, com o dito intuito de chegar a uma isonomia "racial" na sociedade. Como esse conceito é inexistente desde que caiu do pedestal da biologia, estando agora sob o julgo mutável de "intelequituais" iluminados pelas ciências sociais, temos aí uma situação completamente instável.

Já era possível parar por aqui, mas o mais interessante está além. É que o que aí se entende por sociedade não é o conjunto de indivíduos em convívio, mas um ente supremo. Um ente que tornou-se consciente através do ajuntamento de entes menores - grupos sociais/racias/de sexo - estes também conscientes através do agrupamento das consciências individuais que os compõem.¹

Marcelo Paixão e a quase totalidade dos sujeitos que defendem esse tipo de política que solapa o estado de direito através da concessão de direitos a grupos de indivíduos, crêem piamente que esses entes existem. Acreditam também que, mesmo não tendo esses entes uma forma física através da qual manifestar suas vontades, sabem exatamente o que esses entes desejam. Mais ainda, crêem, no seu delírio messiânico, que esses entes os incumbiram da missão de espalhar sua palavra.

"Negros do Brasil". Como a maioria das pessoas deixa passar despercebida a incoerência com o fato de que a esse grupo não possa realmente haver qualquer representação válida, ninguém que - com sanidade ou honestidade - possa dizer que suas palavras são as vontades individuais de TODOS os negros concretos, os pilantras que aparecem brandindo seu poder se encontram imediatamente imbuídos de uma força sobrenatural.

Se Marcelo Paixão ou outros pró-cotas fazem isso conscientemente, eu não sei. Mas uma coisa eu posso dizer: cada vez que um Marcelo Paixão, ou qualquer outro pró-cotas, se refere ao plural majestático "Negros", não está falando de indivíduos, mas de uma espécie de entidade superior que apenas recebe o mesmo nome devido a causa difusa que a origina. E, com o perdão da expressão, só se manifesta mesmo na cabecinha desses lunáticos.

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1. E vejam só que coincidência bacana!, tanto os entes menores quanto esse ente supremo pensam igualzinho a esquerda!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Haddad, o Lênin engomadinho da UnB

Do blog de Reinaldo Azevedo

Os invasores da reitoria da Universidade de Brasília começam a desocupar o prédio amanhã. Não era pra menos. Roberto Aguiar, o reitor temporário, assinou um documento se comprometendo a atender a todas as reivindicações da turma. Logo, o nome do documento é rendição, já que o “acordo” foi feito com Paris ocupada, se é que você me entendem.

Fernando Haddad, saudado aqui e ali como um grande ministro da educação, coisa de que discordo de modo absoluto, pode ter dado à luz a forma mais chucra e rasteira de movimento estudantil. A causa original da mobilização era boa? Era, sim. O seu desdobramento pode ser desastroso para as universidades federais — de fato, para as universidades públicas.

Só não está resolvida a questão da paridade dos votos de alunos, funcionários e professores na já indecente eleição direta para reitor. É a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) que estabelece que “os docentes ocuparão 70% dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações (...) da escolha de dirigentes”. A UnB não tem poder legal para mudar a regra

Mas o “socialista” Haddad — assim ele se diz em livro — já apresentou a solução: a universidade faria consulta informal paritária, e os professores acatariam as escolhas. Entenderam o modelo? Os professores seriam bonecos de mamulengo das facções radicalizadas dos estudantes — que são as que se mobilizam para esse tipo de coisa.

A solução tem a cara de Haddad, um esquerdista de fala mansa, com ar ideologicamente asseado. Embora ela possa escrever numa linguagem herbívora, as suas intenções são carnívoras. Num livro publicado há menos de quatro anos — Trabalho e Linguagem – Para a Renovação do Socialismo — é capaz de afirmar coisas como (os destaques foram publicados na revista Época): “O sistema soviético nada tinha de reacionário. Trata-se de uma manifestação absolutamente moderna frente à expansão do império do capital”. Fazendo um pastiche vagabundo de Marx, sentencia sobre o passado, o presente e o futuro: “Sob o capital, os vermes do passado, por vezes prenhes de falsas promessas, e os germes de um futuro que não vinga concorrem para convalidar o presente, enredado numa eterna reprodução ampliada de si mesmo, e que, ao se tornar finalmente onipresente, pretende arrogantemente anular a própria história. Esse é o desafio que se põe aos socialistas. A tarefa, 150 anos atrás, parecia bem mais fácil”.

É pouco? Sabem o MST, este que está aí, ameaçando a produção com táticas terroristas? Haddad também pensa algo a respeito da turma: “Trata-se de um movimento que mudou completamente a pauta clássica de reivindicações: ele não reclama maior remuneração ou menor jornada, nem tampouco favores do Estado. (...) Revolucionariamente, o MST quer crédito, apoio técnico e autonomia. (...) São iniciativas dessa natureza, progressivas em todas as dimensões da vida social, que devem sempre chamar a atenção dos socialistas e lhes servir de inspiração para sua conduta política”.

Qual e a importância dos revolucionários de gabinete, como Haddad, com seu arzinho estouvado de filho das “classes superiores”? Fora do poder, nenhuma. Imaginem se alguém o levaria a sério como teórico. No poder, ele dá curso a maluquices como esta da UnB. A cobrança, justa, para que o Timothy Mulholland renunciasse degenerou na entrega do comando da UnB à militância mais atrasada, mais bronca, mais delirante.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A síndrome do movimento estudantil

Recebi hoje de manhã um e-mail de uma colega de curso pedindo ajuda na divulgação de uma nota enviada à PUC-SP pela Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura, na qual a entidade se posiciona, com ou sem a devida propriedade, a respeito do processo encaminhado pela direção da PUC-SP aos oito estudantes supostamente responsáveis pela invasão da sede da reitoria da universidade ocorrida em novembro de 2007. Como não sou de recusar pedidos gentis e embora não concorde nada nada com o conteúdo da carta, acatarei solicitamente ao pedido de minha caríssima colega, mas com alguns pareceres, digamos.

Eis a nota:

Contra a repressão e criminalização dos estudantes da PUC-SP

Nós, movimentos sociais e organizações da sociedade civil que integram a Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura, vimos através desta manifestar nosso repúdio à atitude da direção da PUC-SP contra uma pequena parcela dos cerca de 200 estudantes que ocuparam o prédio da reitoria em novembro passado.

A ação dos alunos resultou na instalação de um processo sindicante, concluído em dezembro, e foi base para a abertura de um processo administrativo contra nove estudantes, que pode acarretar inclusive a expulsão dos processados. Além disso, três dos nove incluídos sofrem um processo cível relacionado ao ato de reintegração de posse e receberam intimações para um depoimento à polícia.

Antes mesmo da conclusão do processo administrativo, no entanto, os estudantes citados já sofreram punições por parte da reitoria. Os formandos não poderão colar grau, os inadimplentes tiveram suas negociações vetadas e os bolsistas estão ameaçados de perder o auxílio da faculdade. Além disso, a comissão responsável pelo processo indeferiu o pedido de nova data para a oitiva dos alunos, desconsiderando o depoimento dos acusados.

O motivo da ação dos estudantes no ano passado – o posicionamento contrário ao Redesenho Institucional da universidade – é legítimo e não pode ser tratado de forma criminosa. O direito à participação ampla e democrática de toda a comunidade universitária em um processo que prevê mudanças profundas na instituição é o mínimo que se espera de uma universidade que baseia seu funcionamento em princípios democráticos. Da mesma forma, a liberdade de expressão e de manifestação daqueles que são contrários a determinada proposta é um direito fundamental que não lhes pode ser negado.

Neste sentido, indignamo-nos com a atitude desta direção que, além de ter, no ano passado, requisitado força policial para solucionar um problema político, demonstra agora pressa em punir os estudantes e utiliza mecanismos condenáveis para intimidar e impedir sua manifestação.

Esperamos que a democracia e a garantia dos direitos humanos, que durante tanto tempo foram bandeiras não apenas defendidas mas praticadas por esta universidade, passem a nortear não apenas o discurso mas também as ações da Reitoria da PUC-SP.


São Paulo, 22 de fevereiro de 2008.

Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura
Abraço São Paulo • Aliança Internacional de Jornalistas - Brasil • Artigo 19 • Associação Cantareira • Ativismos Midiático • Centro Acadêmico Benevides Paixão - PUC/SP • Centro Acadêmico Vladmir Herzog - Cásper Líbero • Centro Acadêmico Florestan Fernandes - Escola de Sociologia e Política • Camará Comunicação e Educação Popular • Ciranda da Informação Independente • Cives • Conselho Regional de Psicologia • Departamento de Jornalismo da PUC • Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social - Enecos • GENS Serviços Educacionais • Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social • Instituto Paulo Freire • Instituto Pensarte • Jamac – Jardim Míriam Arte Clube • Jornal Brasil de Fato • Jornal Contraponto • Marcha Mundial das Mulheres • Oficina da Praxis • Projeto Cala-boca Já Morreu • Movimento Palestina para Tod@s • Projeto Revista Viração.


O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor
Che Guevara

Enquanto houver injustiça e miséria, todo homem deve ser um revoltado
Albert Camus


Longe de contestar o direito da "Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura" de se posicionar sobre o que bem entender, mas não entendo muito a relação que uma entidade que luta pela pitoresca democratização da Comunicação tem com assuntos administrativos da PUC. Sendo assim, é com o mesmo direito de fala que tem a entidade e no mesmo espírito democrático de comunicação que a internet nos oferece, que eu evoco ao direito de livre expressão para tecer alguns comentários a cerca do assunto.

Vamos começar, então, falando um pouco sobre legitimidade. Concordo que é legítimo posicionar-se contra qualquer atitude que uma instituição privada de ensino venha tomar, assim como é legítimo se posicionar contra qualquer coisa. Mas o que é tratado de “forma criminosa” não é o posicionamento contrário dos estudantes, como alega a nota, e sim o fato deles ocuparem as instalações da referida instituição, privando sua direção da utilização de seu espaço de trabalho. Portanto, assim como é, para eles, legítimo ocupar as dependências do setor administrativo da PUC, ou de qualquer outra universidade, é totalmente legítimo que a reitoria exija seu direito de reintegração de posse, acionando o aparelho de repressão legítimo do Estado que é legitimamente a polícia.

Um fato que a nota expõe muito obscuramente, inconscientemente ou não, é o motivo das manifestações dos estudantes. Este motivo seria o projeto de “Redesenho Institucional” da PUC, que visa superar os problemas financeiros pelos quais a instituição vem passando nos últimos anos. Ignoro as fontes de financiamento da PUC. Mas se elas são majoritariamente oriundas do pagamento das mensalidades, nada mais racional do que tomar medidas como a de ajustar a situação dos alunos inadimplentes, expulsando-os ou renegociando suas dívidas, fechar os curso deficitários, demitir servidores, cortar o número de bolsas e outras ações que melhorem sua situação financeira, para que ela possa sobreviver. Inclusive lançar mão de ações indiretas como a de processar e expulsar estudantes que desconfiguram a imagem da instituição.

É assim que funciona e que deve funcionar o sistema: ao mesmo tempo que as empresas adequam seus serviços para atender as necessidades e satisfazer o público consumidor, o consumidor tem que se adequar às regras da empresa que contratou. Outra: se você quiser obter os serviços de uma organização privada, você tem que pagar por ele. Empresas privadas não têm como sobreviver em regime deficitário, ao contrário das empresas públicas, que sanam os déficites com recursos remanejados de outras fontes. Nada mais óbvio.

Os professores contrários ao "redesenho institucional" da PUC fazem isso para defender seus postos de trabalho, é claro. E os estudantes, para defender suas bolsas e seu fictício direito de estudar sem pagar.

Vou concluir com uma visão bem grosseira da história, para clarear um pouco mais as coisas: todos aí não passam de um bando de comunistas aproveitadores. Todos, inclusive esse pessoal da "Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura", que repudia a atitude da direção a PUC por afinidade ideológica e por solidariedade aos tais estudantes.

Esses estudantes sofrem da atávica síndrome do movimento estudantil da ditadura, que hoje se tornou paranóia: sua existência só faz sentido, só são movimento estudantil, quando têm em vista o autorismo ditatorial praticado pelos detentores do "poder" que têm que, por obrigação, combater, já que, segundo sua visão pobre e deturpada, os detentores do "poder" visam eliminar a liberdade e a Democracia para se perpetuarem como classe dominante. Isso quando não estão pregando, de quebra, a superação do sistema capitalista.

Essa visão se alastrou por todas as universidades do país, públicas e privadas, e se manifesta em focos compostos por uma minoria chata e barulhenta, que acaba tendo seu discurso apelativo e sentimentalesco incorporado às representações da maioria, que o assimila como numa lavagem cerebral. É como uma doença, que deve urgentemente ser tratada.

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Esta entrevista com Rodrigo Tufão, um dos estudantes da PUC-SP processados pela reitoria, membro da Gestão Primavera de Praga do CACS (Centro Acadêmico de Ciências Sociais), publicada num site intitulado “Liga Estratégica Revolucionária – Quarta Internacional” mostra bem o caráter dos invasores “reprimidos” pela reitoria da PUC-SP: http://www.ler-qi.org/spip.php?article893.

Outro texto, esse publicado no site “Causa Operária Online”, também pode ser bastante esclarecedor: http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=1462

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O "Omi" e Os Barbudo

“Por acaso você acha que O Movimento Estudantil [doravante O’ME] ainda é composto por barbudos marxistas?”. Assim mesmo “O Movimento Estudantil”, sempre único e soberano. Só faltava escrever com letras maiúsculas. Mas isso eu já estou fazendo por eles, para facilitar as coisas. Mas, voltando à pergunta, sobra-me apenas a opção de dizer sim e aceitar o implícito atestado de paranóia.

A questão foi-me jogada em uma polêmica na qual me envolvi há alguns meses. Apesar da leve concessão de que pelo menos em algum ponto no tempo houve o completo domínio marxista sobre as mentes estudantis, o tom sarcástico da autora não deixava dúvidas de que isto era tudo coisa do passado, que nos dias de hoje a situação é completamente diferente. Dizer o contrário é auto atestar-se, além de paranóia, desinformação.

Um compêndio de quase toda argumentação em defesa do O’ME é algo do tipo: “isso é coisa dessa gente que tem uma visão altamente distorcida do O’ME e não entende a sua luta histórica e a sua importância na luta pela causa estudantil, tá ligado?”. Cada vez que alguém diz algo do tipo ao mesmo tempo em que não se pretende marxista, me dá um abatimento, uma tristeza. Um vazio no peito e uma imensa vontade de voar no pescoço do infeliz e encher-lhe de tapas. Dêem-me uma pausa para respirar, por favor... ufa. Oh céus, quem estuda ao menos um pouco, só um pouquinho mesmo!, entende a minha dor. A defesa é maravilhosa, impecável. O barbudo marxista nega a veia marxista do O’ME a partir de pressupostos puramente marxistas. Um primor!

Se eu ainda ACHO que o O’ME é composto por barbudos marxistas!? NÃAAAO! Eu SEI que é! Olha, se ainda são barbudos não sei. Alguns até são sim. Pior, a maioria nunca nem leu Marx. Mas se são marxistas? Ah são sim, ou pelo menos pensam como um. Todos eles! Barbudos ou não. E se acham que não, então são piores que os tais “antigos”, pois de tão burros já nem sabem mais o que são. Dizem até que o CCH da UFMA foi construído com base na planta de uma antiga fábrica inglesa, reparem bem, só para deixar a galera no clima.

domingo, 20 de janeiro de 2008

MECom(unista)


Foi inaugurado na semana passada o site do curso de Comunicação Social da UFMA. Ele contém informações gerais sobre o curso e traz, entre outras coisas: currículo e e-mail de professores, artigos científicos, informações sobre a estrutura física, projetos de extensão já realizados, notícias, eventos, oportunidades para os alunos, etc.

Ótimo. Perfeito. Era o que faltava. Será um maravilhoso guia para quem quiser conhecer mais sobre nosso curso e se informar sobre o que acontece nele. Só me digam uma coisa. É sobre algo que achei no site. Para quem puder me responder: quem diabos escreveu isso?

O QUE É O DACOM?
O Diretório Acadêmico do Curso de Comunicação Social (DACOM) é uma organização da sociedade civil, como os outros movimentos sociais, sem fins lucrativos, sem filiação político-partidária, livre e independente do Estado e da Universidade. Ele é a entidade máxima de mobilização e representação do conjunto dos estudantes do curso de Comunicação Social da UFMA, nas três habilitações (Jornalismo, Rádio e TV e Relações Públicas e Comunicação Organizacional).


SUA PROPOSTA É:
- Defender e direcionar as lutas dos estudantes pela garantia dos seus direitos e reivindicações nas questões relativas ao Curso, em particular, e da UFMA em geral.
- Incentivar os estudantes a participarem efetivamente da Entidade, devendo ser respeitadas suas convicções políticas, ideológicas, religiosas e filosóficas, na perspectiva de garantir a mais ampla liberdade de expressão.
- Contribuir para o fortalecimento da consciência crítica dos estudantes através da realização e/ou incentivo à participação em eventos de natureza cultural, política, científica, filosófica e social; organizar e orientar a luta dos estudantes, ao lado do povo, para construção de uma sociedade livre, democrática e sem exploração.
- Contribuir para a unificação da luta dos três segmentos da comunidade universitária (docentes, discentes e técnicos-administrativos), com vistas à defesa e preservação de uma Universidade pública, gratuita, autônoma, de qualidade e democrática, socialmente referenciada e articular as lutas específicas do MECom (Movimento Estudantil de Comunicação) contribuindo para a construção de um projeto de sociedade justa, igualitária e libertária.


ESTOU PRONTO PARA MUDAR O MUNDO!!!!!!!!!!!!!AAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!

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Clique aqui para acessar o site oficial do curso de Comunicação Social da UFMA

E aqui para acessar o site do MECom (Movimento Estudantil Comunista)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A revolução não morreu!

Estávamos eu e meu amigo Caio Ertai na saída do CCSo, quando ele viu ao longe um cartaz que anunciava a palestra de comemoração aos 90 anos da Revolução Russa. Já com um sorriso no rosto comentou:

– E aí, Chico? Esse cartaz aí de noventa anos da Revolução Russa. Tão desde o começo do ano falando disso.

Eu respondi, brincando:

– Rapaz, dá vontade de sair escrevendo em todos esses cartazes que a revolução já morreu. Para ver se alguém se toca.

Nesse momento, uma mulher que passava por nós se virou rapidamente e exclamou num tom de revolta:

– Morreu não, meu filho! Não morrerá jamais!

Ficamos surpresos com a reação. Por um instante, fiquei paralisado, imaginando que diabos era aquilo. Vi que ela esperava uma resposta e disse:

– Morreu sim, minha senhora.

Ela então respondeu prontamente:

– Só na cabeça da burguesia.

Virou-se e foi embora sem sequer se apresentar. Entrou no seu carro e partiu. Num carro de proletário, é claro. Carro de revolucionário.

Tenho certeza de que saiu com um sentimento de satisfação. Com a revolução em pleno curso, ela não poderia perder a oportunidade de reanimar os estudantes, vetores principais dessa transformação. Ri um pouco ao me lembrar dos outros revolucionários com os quais eu ando me deparando ultimamente. Se dependesse deles, a revolução já estaria mortinha da silva.

sábado, 1 de dezembro de 2007

A batalha do Reuni

Josué Modesto dos Passos Subrinho, reitor da UFS

Como em outras universidades federais, a aprovação do Programa de Reestruturação e Expansão das Instituições Federais de Ensino (REUNI) sofreu turbulências, no nosso caso concentradas na quinta-feira, 25 de outubro.Nesse dia, regularmente convocado, reuniu-se o Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da Universidade Federal de Sergipe para analisar a proposta de adesão de nossa universidade a esse programa. A matéria tem como base decreto e diretrizes governamentais divulgadas desde o primeiro semestre do ano em curso, tendo estas, bem como o decreto, sido disponibilizadas em versões preliminares e sofrido alterações para contemplar demandas de segmentos acadêmicos. Finalmente, o primeiro prazo para a adesão foi estabelecido para 29 de Outubro. As instituições que não o cumprissem poderiam fazer novas tentativas mas, evidentemente, os recursos financeiros são sempre distribuídos, prioritariamente, entre as instituições que cumprem o primeiro prazo.

A Universidade Federal de Sergipe encontra-se, em relação ao citado programa, numa situação única. Já fez toda a expansão por ele almejada, visto que partimos de uma oferta anual de 2.010 vagas, nos cursos de graduação, no ano de 2005, para 4.070 vagas, no ano de 2007. Já alcançamos também uma outra meta, expressa na relação de 18 alunos por professor. Já avançáramos na dimensão inclusão social, com a ampliação de vagas noturnas, com a oferta, sempre que academicamente viável, dos cursos de graduação em um único turno, permitindo aos estudantes trabalhadores conciliar trabalho e estudos. Estamos também ampliando os programas de assistência estudantil. Nossas propostas, encaminhadas a todos os segmentos e unidades acadêmicas em 18 de setembro, concentravam-se na criação de condições para o melhor aproveitamento de vagas ociosas existentes e na melhoria do fluxo dos alunos em sua estrutura curricular. Essas propostas são apenas indicações, pois sua implementação, conforme claramente expresso no parecer do relator, Prof. Cláudio Macêdo, dependerá de regulamentação posterior em prazo previsto de, no mínimo, seis meses. Diversas unidades iniciaram um processo de discussão e apresentaram subsídios nos mais diversos ângulos da matéria. Audiências públicas e assembléias foram realizadas visando a um livre e democrático debate.

De um ponto de vista racional, portanto, a sessão de quinta-feira deveria ser tranqüila. A matéria, como dizemos no nosso jargão, teve tramitação especial, o que significa que todos os conselheiros receberam a proposta com antecedência de, no mínimo, quinze dias, quando poderiam apresentar emendas. Apenas o conselheiro Hassan Sherafat, Chefe do Departamento de Matemática, encaminhou proposta de emendas, tendo em vista as discussões ocorridas em seu departamento. O conselheiro relator, contudo, levou em conta as sugestões de trinta unidades acadêmicas que se manifestaram acerca do assunto.

Se a adesão da UFS ao REUNI significava apenas a habilitação à captação de recursos oficiais, se todos os trâmites normativos para a apreciação da matéria tinham sido cumpridos, por que a tensão?

Tínhamos antecedentes preocupantes. Há um grupo, na UFS, atuando com o total desconhecimento de limites éticos e comportamentais, com total escárnio aos valores fundamentais da pessoa humana, insuflados por discretos sócio-financiadores que querem impor sua vontade pela violência. Este grupamento tem caráter nacional e age da mesma forma, com os mesmos refrões, palavras de ordem e táticas de intimidação e coação, aliado, ao menos no nosso caso, quando não alcançam seus intentos através da violência, pelo uso da contra-informação e por uma linguagem jurídica, quando se dirigem aos órgãos de controle externo do Estado e ao Judiciário.

Assim sendo, precisávamos nos preparar para o pior, esperando o melhor. Solicitamos à Secretaria dos Conselhos Superiores o fechamento das portas de acesso ao local de reunião e aos conselheiros que ali chegassem às 13 horas, pois temíamos que, se os mesmos só chegassem ao local, após as 14h e 30 min, não tivessem condições de acesso, visto que o grupo estudantil marcara reunião para as 13 horas, quando certamente combinariam a sua “metodologia” de atuação. Por volta das 14 horas, com acesso permitido aos conselheiros e a alguns observadores, inclusive estudantes sem pintura de guerra, os manifestantes começaram a se concentrar na porta da Sala dos Conselhos Superiores entoando refrões, ameaças de derrubar a porta e protestos quanto ao caráter público das reuniões. Eles foram esclarecidos de que as portas seriam abertas no horário oficial da reunião e de que, até então, se privilegiaria a entrada dos conselheiros, para que estes pudessem ocupar os seus lugares.

Com quase a totalidade dos membros presentes, foram abertas aquelas portas exatamente às 14h e 30min. Declaramos então aberta a sessão, anunciamos a discussão da ata da reunião anterior e a colocamos em votação. Recebemos os manifestantes com a saudação de boas vindas e a lembrança, citando a obra de um colega, Prof. Antonio Carlos Santos, que a tolerância é uma via de mão dupla. Inocência, sutileza inalcançável aos ouvidos vacinados contra o diálogo? Essas palavras ecoaram em vão. Apesar de estar utilizando o microfone, após essa intervenção inicial, acredito que boa parte dos conselheiros não conseguia ouvir minhas palavras, tal a algazarra promovida pela batucada de latas vazias, pelos apitos e pelo entoar de gritos de guerra, acompanhados de faixas imensas que impediam a visão dos conselheiros e da secretária do conselho, postados na mesa diretora. Por um átimo fez-se silêncio e uma conselheira, representante estudantil, portando símbolo de identificação com os manifestantes, pediu a palavra para leitura de manifesto. Concedemos a palavra à conselheira que apelava para maiores discussões, que deveriam culminar com a barrada do REUNI, traindo o objetivo que seria perseguido ali mesmo.

Recusei um pedido de suspensão da reunião, visto ter a mesma sido convocada regimentalmente para deliberar sobre matéria que tinha prazo de votação para atingir a eficácia desejada, mas não pude esclarecer que o pedido de organização de seminários e discussões já estava contemplado no voto do relator, que explicaria os desdobramentos para a implementação das medidas sugeridas. Naquele momento, o comportamento turbulento chegou a um dos seus ápices. Novamente um átimo de silêncio permitiu que fosse encaminhada uma questão de ordem acerca do fórum adequado para a discussão da matéria, se o CONEPE ou o CONSU? Respondi ao conselheiro que, como ele certamente sabia, nossa Instituição tem dois conselhos superiores, um que trata do subsistema acadêmico, o CONEPE, e outro, o CONSU, que trata dos assuntos administrativos. Como o assunto REUNI era predominantemente acadêmico, a precedência de análise era do CONEPE e, em havendo aspectos administrativos, após a análise da face acadêmica, o CONSU poderia ser convocado para discussão. A questão não servia para esclarecimento do autor, membro nato de ambos os Conselhos Superiores, mas servia ao propósito de criar um suposto clima de intransigência por parte do Presidente do Conselho, principalmente se suas argumentações fossem, como de fato foram, tolhidas pela algazarra.

Solicitei ao relator que fizesse a leitura do seu parecer para dar início à discussão da matéria. O som do microfone foi cortado e os manifestantes se concentraram em torno do relator para impedir qualquer possibilidade de argumentação e vocalização do mesmo. Contudo, o relator, impávido, fez a leitura do seu parecer. Tentei anunciar a abertura das discussões. Os manifestantes, neste momento, mostraram sua total deliberação em evitar discussões. Que contradição! Imensas faixas foram novamente erguidas, vedando completamente a comunicação visual entre a mesa e os conselheiros. Este foi o momento do requinte da violência: latas vazias eram percutidas próximo aos ouvidos dos componentes da mesa, todas as provocações acerca de minha honra eram proferidas em sucessão por rapazes e moças com idade em torno de vinte anos. Havia uma coreografia insinuando avanço sobre as pessoas, num clima de transe coletivo estimulado pelo primarismo da percussão e das palavras de ordem, sem que um observador arguto, não pudesse captar as intervenções precisas dos marcadores do jogo. O objetivo óbvio daquele jogo era provocar reações pessoais ou pedido de intervenção de seguranças ou de companheiros. Para exasperação da turba, eu havia determinado total passividade da segurança e a natureza me dotou de uma razoável dose de fleugma.

Evidentemente, não podíamos admitir o tolhimento da decisão soberana do Conselho pela força. Anunciamos então que a Secretaria providenciara a elaboração de duas listas, uma para os conselheiros que aprovavam o parecer do relator e outra para os conselheiros que rejeitavam esse parecer. Os conselhos superiores da UFS só admitem abstenção no caso em que o conselheiro tenha interesse pessoal envolvido na matéria discutida.

Os manifestantes passaram a declarar que impediriam a manifestação dos conselheiros e assim o fizeram, avançando sobre as pessoas que portavam as listas rasgando-as ostensivamente e desaforadamente, uma das quais, foi retirada das mãos da servidora técnico-administrativa Rose, Secretária dos Conselhos. Neste instante forçaram a porta da secretaria, danificaram o gravador, quebraram vidraças e começaram a subir nas mesas dos conselheiros, desrespeitando, inclusive, uma conselheira em estado avançado de gravidez.

Começamos então a nos retirar discretamente dessa sala de reuniões, nos dirigimos ao Gabinete do Reitor e daí para a Estação UFS, prédio situado na Rua de Lagarto, onde funcionou a Reitoria até a transferência da sede da UFS para o Campus de São Cristóvão.

Ali, com a presença de 21 conselheiros, 2/3, portanto, do total, aprovamos e registramos a continuidade da reunião, sendo então lavrada ata. Lamentamos a ausência de outros conselheiros que poderiam contribuir para o debate e expor com liberdade suas opiniões, tolhidas pelo uso da violência, eleita por um grupo como forma primordial de atuação.

O lobo perde a pele, mas não a manha. Depois de gerar tais cenas, que nossa Universidade não sofreu nem durante a ditadura militar, como invasão, coação e aplicação sistemática de métodos que lembram a tortura praticada contra os divergentes políticos, os turbulentos e seus sócios alegam o não-cumprimento total das solenidades devidas nas reuniões regulares dos Conselhos Superiores e ameaçam com a chicana jurídica.

Para os que não têm limites, a partida tem de ser ganha, na força ou no tapetão.

Certamente, não enganarão ninguém quanto aos seus desejos e motivações.


Fonte: Site da Universidade Federal de Sergipe

Alguma semelhança com o que aconteceu na UFMA ontem?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ensinando hipocrisia

Artigo publicado no Jornal Pequeno, dia 21 de novembro de 2007


Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX, em uma de suas principais obras, Parerga e Paralipomena, escreveu: “os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la”. E foi nessa simples frase que consegui compreender a verdadeira essência da universidade, na verdade, a verdadeira essência da natureza humana.

Minha certeza na venalidade que regia maior parte de nosso corpo docente só aumentou, quando comecei a conhecê-los de perto. Certa vez, pude presenciar uma reunião de professores onde decidiam os rumos de uma pretendida greve. Uma experiência inusitada, mas muito proveitosa. Os professores falavam do atraso em seus reajustes salariais, que já dura dez anos, falavam da falta de interesse do Governo em proporcionar-lhes aumentos que tornassem digna o sua árdua tarefa de ensino, e diziam que isso já era motivo suficiente para a deflagração de uma greve.

Tudo bem por aí, Schopenhauer estava certo. Porém, tudo mudou de configuração quando um professor, que de todos parecia o mais velho, pediu a palavra. Ele disse que essas motivações salariais não atrairiam o apoio dos outros segmentos da universidade do qual precisavam, o setor estudantil e administrativo. E pediu, encarecidamente, que na pauta de reivindicações fosse incluída a luta pela melhoria da educação na universidade, algo como o velho clichê da universidade pública, gratuita e de qualidade. Foi aí que aprendi que alguns dos nossos professores, além de gananciosos, eram hipócritas.

Eles, sobre a máscara de uma causa nobre, lutam pelos próprios interesses. Dizem que lutam pela melhoria do ensino quando na verdade brigam é pelo o complemento em seus contra-cheques. Dessa forma, usam a boa-fé de ingênuos estudantes para atender a seus próprios interesses.

A greve, que por si só já é uma atitude egoísta, pois prejudica toda a sociedade para benefício de um único grupo, passou a ser, para mim, naquele momento, uma atitude condenável. Não porque professores lutam por melhores salários, todos podem fazer isso de diversas formas, mas porque a hipocrisia com que tentam manipular os fatos é algo moralmente reprovável.

Primeiro porque dizem lutar por uma coisa quando na verdade brigam por outra. Segundo porque aquilo pelo qual dizem lutar é algo que não existe. A universidade “pública, gratuita e de qualidade” é um mito, simplesmente. A universidade é pública, concordo, mas nunca poderá ser gratuita. Alguém paga. E esse “alguém”, através dos impostos, somos nós, alguém são os milhões de brasileiros que nunca chegarão a freqüentá-la, e que ganham um salário muito menor que o de nossos digníssimos professores, mas que tem que abrir mão de parte de sua renda para sustentar nossos docentes. Quanto à qualidade, terceiro elemento da trindade, prefiro não comentar. Quem estuda na UFMA ou conhece alguém que estuda lá deve saber o que eu estou falando. Lá, ou se aprende sozinho ou não se aprende, são poucos os professores que realmente se dedicam a ensinar.

Tudo isso que falei foi para esboçar, de modo singelo, a realidade triste de nossas universidades, onde se formam os profissionais que vão para o mercado de trabalho dar sua contribuição para a sociedade.

A sociedade, com esses centros de formação, está em ruínas. E professor nenhum tem razão em reclamar dela. Pois talvez fosse melhor se eles pensassem um pouco mais nela e menos em seus bolsos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Estudantes procurando ocupação


Na coluna Veja essa, da revista Veja dessa semana, saiu a seguinte nota:

Até agora, a União Nacional dos Estudantes (UNE) não mostrou solidariedade a seus colegas venezuelanos, que têm sido agredidos pela polícia e pelos partidários de Hugo Chávez, por defender princípios democráticos. A UNE, ao que parece, cultiva interesses mais patrimoniais.

As preocupações do movimento estudantil – lá e cá:

Na Venezuela:
-defesa da democracia
-manutenção dos direitos civis
-resistência as agressões da polícia

No Brasil:
-boicote as avaliações do MEC
-invasão de câmpus em nome de interesses corporativos
-construção do prédio que Lula dará a UNE no Rio


Toda essa indiferença em relação à luta travada pelos aguerridos estudantes venezuelanos deve-se a simpatia que os estudantes brasileiros petralhas tem por el dictador Hugo Chávez. Tudo que cheira a socialismo, eles adoram. Costumam até a repetir a mesma ladainha sofística de nosso presidente. A de que a Venezuela funciona no mais perfeito regime democrático, pois o que não faltam são plebiscitos, onde o povo participa diretamente das ações do Governo.

Nada tão enganoso. Como se Democracia se baseasse em deixar nas mãos de uma massa empobrecida, incompetente, ignorante e manipulável o futuro de toda uma nação. Como se fosse totalmente cabível um presidente eliminar de diversos setores da sociedade – imprensa, judiciário, educação, etc – todos aqueles que lhe pudessem fazer oposição ou tomar uma decisão contra seus desejos soberanos. Para os estudantes brasileiros tudo isso é normal. Com UNE ou sem UNE, o que eles gostam mesmo é de uma boa ocupação de reitoria. Que geralmente não levam a nada.