Com alguma sorte, estaremos livres de Lula em:

Mostrando postagens com marcador Francisco Bezerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Francisco Bezerra. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Cidadãos sem caráter

Se tem uma coisa que me deixa irritado no trânsito é a buzina. Aquele barulho infernal foi cientificamente produzido para irritar as pessoas. E, na mão de sádicos, ela vira uma arma de destruição de paciência.

Ontem aconteceu a segunda etapa do vestibular da UEMA. Um primo meu, que ia fazer a prova no Campus, me pediu que eu lhe desse uma carona, e eu fui lá dar essa força para ele. Deixei-o no prédio de Engenharia, onde ia fazer a prova, fiquei um tempinho conversando com uns amigos que encontrei lá, desejei-os boa sorte e parti. Na volta, parei num sinal nas proximidades da rodoviária. Fiquei meio distraído com a música. O sinal abriu e eu demorei uns três segundos para acelerar o carro. Três segundos. Tempo necessário paro o cérebro do que do idiota do carro de trás emitir a seguinte mensagem para seus músculos: buzine. O energúmeno buzinou.

Quando fico irritado no trânsito, eu faço exatamente aquilo que se pede para não fazer. Eu corro. Cheguei ao limite de velocidade rapidamente. Cortava os carros um por um, quando vi uma viatura da polícia militar na minha frente, o que me alertou que não podia mais aumentar a velocidade.

Passei um tempo atrás do carro da polícia, até que um dos sinais do caminho fechou. Foi quando parei do lado da viatura. Uma S-10. Tinha dois homens à paisana. Percebi que não estavam trabalhando, mas mesmo assim continuei atrás do carro. Foi quando, já proximo do elevado Alcione Nazaré, o sinal fechou. E antes dos carros parados no retorno começarem a passar, a viatura da Polícia Cidadã fura o sinal e quase bate numa vã, que tinha a preferência.

Quando se fala em corrupção policial, trata-se logo de se referir aos baixos salários, às péssimas condições, os conflitos sociais etc. como causadores. A falta de pudor tem motivos sociais. Furar um sinal irresponsavelmente, colocando em risco a vida de pessoas, é indiscutivelmente algo reprovável, e não é o salário baixo que leva alguém a fazer isso. É uma questão de caráter. E a mesma falta de caráter que faz alguém cometer delitos simples é a que o leva a cometer outros ainda piores.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Head of State

Há seis meses ninguém previa a chegada de um negro a Casa Branca. Errado. Cris Rock já sabia de tudo. Há muito tempo. Em 2003, o comediante escreveu, dirigiu e protagonizou o filme Um Pobretão na Casa Branca (Head of State), que conta uma história muito parecida com a que se sucedeu nesses últimos meses nos EUA.

No filme, um carismático vereador de Washington, Mays Gilliam, sem nenhuma chance evidente de ganhar uma corrida presidencial, é escolhido como candidato à presindência, como estratégia do partido para atrair o voto das minorias, e dar, nas próximas eleições de 2008, a vitória para um figurão do partido, o senador Bill Arnot. Porém, ao contrário das expectativas do senador, o pobre vereador ganha uma popularidade nunca antes vista e é eleito presidente dos Estados Unidos da América.

Tudo muito parecido. De um lado, um fenômeno eleitoral. De outro, velhos figurões do partido democrata, no caso, os Clinton, numa torcida mesquinha para seu fracasso, na esperança de uma vitória futura, em 2012.

Contudo, há muito mais diferenças do que semelhanças entre o personagem de Cris Rock e o senador Barack Obama. Mays Gilliam era pobre e sem educação. Nunca teve oportunidade nenhuma na vida e sempre falava com sinceridade o que realmente pensava sobre os temas nos debates. Obama nasceu em uma boa família, teve sempre a melhor educação, é formado em Direito em Havard e nunca fala o que pensa, muda de discurso de acordo com a platéia.

Mays Gilliam tinha orgulho de ser um negro americano e defendia sua raça caricaturalmente. Obama, por sua vez, não pertence a essa ela. Não é um autêntico afro-americano. Sempre fugiu do assunto da raça, mas teve, durante toda a campanha, ela como salvaguarda para todas as acusações. Seus detratores eram automaticamente acusados de racismo, no exato momento em que levantassem o dedo contra ele.

Mas isso não interessa mais, a maior e mais importante diferença entre eles é: Mays Gilliam era engraçado, Obama não tem graça nenhuma.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Horário eleitoral gratuito... no Orkut

Com a mundança do comportamento e das formas de relacionamento, mudou-se também a forma de se fazer política. Não é difícil encontrar na caixa de e-mails correntes defendendo um ou outro político, e tópicos em comunidades de discussões postados por militantes de um ou outro grupo.

Hoje mesmo recebi em minha página de recados no Orkut duas mensagens. Uma acusando João Castelo de homofobia e outra "acusando" o candidato Flávio Dino de ter firmado aliança com José Sarney.

Vamos lá! Vamos lá! Quem mandar mais scraps ganha a eleição!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quem sai pior na foto

O segundo turno em São Luís mal começou e os jornais da cidade já começam a demonstrar discretamente suas preferências. Um caso que exemplifica bem isso são as fotos dos candidatos publicadas nas edições diárias dos jornais. A edição de ontem de O Estado do Maranhão é uma boa mostra da tentativa burlesca dos jornais de queimarem o filme de quem eles não apóiam.

Na capa, temos uma bela foto de Flávio Dino abraçando eleitores e uma foto de Castelo mal encarado, apontando para cima.


Na segunda página, temos a mesma bela foto (colorida) de Flávio Dino, mostrando seu lado mais meigo e fraterno, e na terceira página temos uma foto (preto e branco) de Castelo, ao lado de um de seus novos apoios, Cléber Verde, novamente com cara de mal. E como se não bastasse, Cléber Verde também aparece com cara de quem não dormiu direito.

Assim fica fácil saber quem está apoiando quem.

sábado, 26 de julho de 2008

Ponto final

Parece-me que ganhou grande repercusão a declaração do prefeito Tadeu Palácio de que a bancada parlamentar maranhense na Câmara dos Deputados não trabalhou pela capital. Com a falta de um debate político embasado em nossas eleições, é comum que acusações soltas ao vento ganhem mais importância do que deveriam. Para acabar de vez com a discussão, veja com seus os próprios olhos os dados dos deputados federais maranhenses que concorrem à prefeitura de São Luís e confira quem está com a razão e quem trabalhou mais.


Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Flávio Dino.






Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Waldir Maranhão.






Clique aqui e analise a atuação parlamentar de Gastão Vieira.

O presidente da guerra

Em reportagem especial para a Newsweek da semana passada, Fareed Zakaria, editor da publicação, desmitifica a imagem que Bush criou de si mesmo desde a invasão ao Afeganistão, a de presidente da guerra: "Desde 1945, apenas um presidente não envolveu tropas americanas em combates".

Segundo ele, envolvimentos em conflitos estrangeiros, onde há interesses em jogo, sempre foram comuns em países considerados superpotências de sua época. Assim foi com a Inglaterra, no século XIX e início o século XX, e assim está sendo com os EUA, desde o fim da Segunda Guerra.

Zakaria ainda ironiza a guerra contra o terrorismo. Diz que, agora, está mais parecida com uma cold war, em referência à Guerra Fria, do que com uma hot war. Isso se deve ao esforço conjunto que vários países fizeram contra o terrorismo desde o 11 de setembro e ao constante declinío dos grupos extremistas islâmicos desde a época, que hoje, por não terem apelo às massas, sofrem repúdio da maior parte do mundo mulçumano.

Argumentos como esses reforçam a tese de que manifestações "fora Bush" no mundo todo, como as que aconteceram no Brasil com a sua vinda, são mais reflexo da imagem que o próprio Bush criou de si mesmo e da intensa exploração da mídia sobre os conflitos em que se envolveu em seu mandato, do que propriamente de seus procedimentos na presidência dos EUA.

domingo, 13 de julho de 2008

As campanhas começaram

As campanhas municipais começaram. E com elas, a poluição visual e sonora em São Luis. Carros de som percorrem toda a cidade e fotos dos candidatos são espalhados em cartazes. Você não sabe o quanto foi desagradável realizar minha caminhada dominical pela Avenida Litorânea ao som das músicas de campanha de Clodomir Paz. Eram dezenas de carros de som. Dezenas, não. Centenas. Milhares. Vinham um atrás do outro. A música não parava nunca. Confesso que em meio aquela lavagem cerebral quase cogitei em votar nele.

Bebendo uma água-de-côco para descansar, já de saco cheio daquilo, subo a ladeira a caminho de casa, quando, de repente, vejo quatro ônibus "Clodomir 12", cheios de vermelhinhos.

Multidão descia em direção à praia. Uns reclamavam do sol que teriam que pegar. Outros discutiam o que fariam após o "expediente". Alguns dos uniformizados vestiam uma camisa vermelha, com gola amarela, estampando o número 12 e portando bandeiras vermelhas com o número do partido. Outros vestiam uma camisa vermelha onde tinha escrito: "Todo poder aos núcleos de base".

Os ônibus estavam estacionados no alto da ladeira e a multidão descia a pé. Umas cem pessoas. Nenhum dos ônibus vinha lotado. Enquanto eles desciam, passavam, ao mesmo tempo, três carros-de-som de João Castelo tocando as músicas de campanha, que são ainda piores que as de Clodomir Paz. Os vermelhinhos vaiaram. E com razão. O motorista do carro-de-som, demonstrando todo o seu fair play, desligou a música.

Não sei até onde ações como essa refletem positivamente na candidatura de alguém. Com certeza fixam a imagem do candidato, mas não decidem votos. Votos são decididos por uma série de fatores, que incluem: simpatia pelo candidato, avaliação das propostas, clima político, apoios e vantagens pessoais. Pelo menos os eleitores ficam por horas com a música na cabeça. Mas se eu fosse votar pelas canções, não votaria.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Brain-Dead Liberals

Cinturão Vermelho. Quero assistir esse filme. Não porque fala sobre jiu jitsu ou porque tem brasileiros no elenco. Estou me lixando para Rodrigo Santoro. O que me fez querer vê-lo foi simplesmente um artigo escrito por David Mamet, diretor do filme, em março para o Village Voice. O título é Why I Am No Longer a 'Brain-Dead Liberal'.

No artigo, ele fala como as idéias da velha esquerda não correspondem mais a realidade e, cintando Keynes, explica, "when the facts change, I change my opinion".

Assistirei o filme não porque acho que lá verei uma exaltação ao capital privado ou o triunfo do individualismo. O filme, com certeza, não tem nada a ver com o artigo ou com o pensamento político dele. Quem gosta de politizar a vida são justamente os Brain-Dead Liberals.

----------------------------------------------------------------------------------

Clique aqui para ler o artigo de David Mamet.

P.S.: Liberal, no inglês dos EUA, equivale a esquerdista, em português brasileiro, não a liberal, como podem alegar alguns conhecedores do ingrês.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Consciências, lutas e diálogos

Ele passou a maior parte do debate de hoje fumando. Não falou muito. Mostrou-se tranquilo o tempo todo. Ria e falava serenamente com os adversários. Sua chapa não foi muito requisitada, mas pôde mostrar bem a que veio. Converso agora com William, estudante de História e membro da chapa 1, Consciência e Luta, sobre sua candidatura para o DCE.

Nhoque Nhoque – William, desculpe-me, mas tem-se falado pouco da Chapa 1 “Consciência e Luta”. Apesar de vocês terem comparecido aos debates, não vemos muitos cartazes, e vocês também não passaram nas salas, como fizeram as outras chapas. Você não acha que isso prejudica a visibilidade de seu grupo, fazendo com que fiquem atrás na campanha?

William - De certa forma, sim. Porque a nossa chapa não tem recursos, adesivos, cartazes, panfletos, camisa e outros utensílios de campanha. Pois a nossa não tem apoio financeiro de partido político, sindicato, C.A., D.A., DCE. Ou até mesmo do governo do estado, do município, da união e até mesmo da reitoria. Nós não temos nenhum desses apoios. E isso dificulta a nossa divulgação. Ao contrário das outras chapas.

Nhoque Nhoque - Como assim "ao contrário das outras chapas"? Quais delas têm apoio financeiro das entidades que você citou: CA, DA, DCE, sindicatos, estado, município e união?

William - Eu não quero fazer calúnias e muito menos difamação...

Nhoque Nhoque - Então fale só a verdade...

William - Eu suponho ou especulo as possibilidades de que as duas chapas devem está recebendo apoio dessas instituições ou entidades. Até mesmo pelos recursos que as duas chapas tem.

Nhoque Nhoque - Uma das chapas, a chapa 2, foi na minha sala, interrompendo um trabalho de meus colegas, e lá falaram que a chapa 3 era financiada pela reitoria. Eu achei aquilo muito estranho e perguntei a eles: como pode a chapa 3 estar sendo financiada pela reitoria e estar se utilizando de uma material tão ruim - na época eles só tinham cópias em preto e branco, que distribuíam e pregavam nos murais - e eles, da chapa 2, um material muito superior? Eles alegaram que tinham sido financiados por sindicatos e por professores. Que tipo de interesse você acha que sindicatos e professores teriam em financiar uma chapa? Interesses, digamos, revolucionários? Por que a chapa de vocês, que tem uma linha parecida com a deles, também não recebeu esse tipo de "ajuda"?

William - A UJS e a LIGA apoiaram atual reitor na ultima "eleição", ou seja, na consulta prévia. Existe a possibilidade da reitoria financiar a chapa 3. Até porque o Zé Carlos, que é do PC do B, e é assessor do Reitor Natalino Salgado. Enquanto a chapa 2, há evidência que a APRUMA esteja apoiando, pois a entidade e ligada é filiada a CONLUTAS. E tem fortes ligações com o PSTU. E é o PSTU que está na direção da APRUMA. No caso, o Professores Welbson Madeira e Cláudia Durans, que são do PSTU, e são da APRUMA. A nossa chapa não recebeu recursos deles por não estarmos efetivamente e de fato no grupo deles.

Nhoque Nhoque - Você diz que uma chapa tem ligações partidárias e outra é a favor da reitoria. Depois diz que não recebe recursos porque não está no grupo deles. Você aceitaria receber se estivesse? Você não acha que essa relação promíscua entre estudantes e partidos, sindicatos etc., compromete o foco de suas reivindicações?

William - Eu, particularmente, não aceitaria. Porque eu estou na UFMA desde 2004. E que eu percebo é a fragmentação do movimento estudantil é por causa dos partidos políticos que usam o movimento como trampolim para promover-se politicamente. Eu não sou anti-partidário e muito menos apartidário, desde que seja para somar forças junto com o movimento. Mas na prática isso não vem acontecendo. Por interesses particulares. E todos os partidos que estão inseridos no movimento tem a parcela de culpa. E são os principais responsáveis pelas crises dos movimentos sociais, principalmente estudantil. Pois nós temos a UNE, que está sob a direção do UJS / PC do B há mais de 15 anos. E a CONLUTE, apesar de ter um bom programa político e tem travado grandes lutas neste país, contra a Reforma Universitária e o REUNI, mas está sob a direção do PSTU. E de uma forma burocratizada. E a UNE apóia as reformas do atual governo, principalmente a Reforma Universitária e o REUNI. E impedido as lutas dos estudantes.

Nhoque Nhoque - Mas você não acha que, apesar do peleguismo destas entidades, não podemos fazer algo à parte. Na minha opinião, pode-se fazer mais coisas extraordinárias sem DCE do que com ele. Você acha que estas entidades estudantis têm tanta representatividade hoje em dia?

William - Eu particularmente, sou militante do movimento estudantil desde que comecei o meu curso, e nunca precisei de DCE ou C.A. Mas eu sou membro do C.A, mas eu estou saindo da entidade. Pois o mandato já encerrou, e está no processo eleitoral. A chapa que eu faço parte, foi criada para sair no antagonismo entre UNE e CONLUTE. E construir o novo rumo para o movimento estudantil, para sair da apatia, fragmentação e dessas crise que atravessa atualmente. Com o movimento autônomo, soberano, democrático e de luta. Em defesa da universidade pública, gratuita, laica, autônoma, soberana, democrática, universal e de qualidade.

Nhoque Nhoque - Nossa! Quantos adjetivos! Mas você não acha a UNE e a CONLUTE insignificantes demais para ficar se pautando nelas? A UNE tem história e tal, mas hoje não representa NADA. A não ser as brigas partidárias que você citou. O barato da UNE é saber com qual partido ela ficou. Como a sua chapa pode representar essa alternativa para o antagonismo UNE x CONLUTE?

William - A nossa chapa pode representar sim, mas sem burocracia, e sem fazer no DCE o gabinete com portas fechadas. E defendemos o DCE defenda os princípios dos estudantes, que tenha um programa político em defesa universidade, mas sem atrelamento com outra entidade. E defendemos o rompimento com a UNE e o dialogo com a CONLUTE, mas sem atrelamento.

Nhoque Nhoque - Como assim "diálogo"? Um bate-papo num boteco? Vocês vão fazer festinhas e chamar eles? Por que a UNE não e a CONLUTE sim?

William - Como eu disse anteriormente, eu reconheço a história e a trajetória da UNE. Mas atualmente ela mesma enterrou toda essa história de luta. A CONLUTE tem o bom programa político, e tem participado de diversas lutas nas universidades brasileiras. Mas a CONLUTE já surge burocratizada, pois o PSTU majoritariamente está na direção. E como a CONLUTE nos últimos anos tem participado nas lutas. Aceitamos o diálogo, mas sem submeter a burocracia da direção e queremos uma CONLUTE sem burocracia.

Nhoque Nhoque - Que tipos de lutas? A que burocracia você se refere?

William - A luta em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. E a burocracia é quando refiro aos congressos feitos pela UNE, nos quais a UJS se utiliza de todas as práticas autoritárias e impede qualquer discussão que vai de contra os seus interesses. E o PSTU vem agindo da mesma forma, dentro da CONLUTE, e falo isso porque eu tenho um amigo que mora em Cuiabá-MT. Que eu conheci no Encontro Nacional dos Estudantes de História na UFMT, e ele é da CONLUTE, mas não do PSTU. Muitos outros que conheço que são da CONLUTE em outros Estados, mas não têm vínculo com o PSTU. E este meu amigo de Cuiabá, de vez em quando, ele manda ao meu e-mail, as práticas autoritárias do PSTU, principalmente no Congresso da CONLUTE.

Nhoque Nhoque - Foi boa a conversa. Boa sorte. Alguma outra consideração?

William - Muito obrigado pela entrevista. Espero que os estudantes vejam nesta eleição não apenas uma eleição. Mas o DCE que nós queremos. E que tipo de universidade queremos. E por um movimento estudantil independente, soberano, democrático e de luta. Chapa 1 - Consciência e Luta. Obrigado!!!!!!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Chuck Norris é chapa 3


Foi com muito vinho e rock n’ roll que foi lançada ontem, na área de vivência, a chapa 3 “Somos quem podemos ser”, para a candidatura nas eleições do DCE deste ano. Um projetor instalado no local exibia imagens do material gráfico da chapa, intercaladas por fotos e mensagens como: “Vote Chapa 3”, “Chuck Norris é chapa 3” e “Seu Madruga é chapa 3”. Apoios de peso. O vinho foi muito elogiado. A chapa não poupou despesas, e há muito não se via um ponche com mais vinho do que água na UFMA. A estratégia funcionou. Muitos saíram de lá tropeçando, mas prometendo voto à chapa. Além da presença em todos os outros ponches. Conversei com a estudante de Direito, Thalita Martins, integrante da chapa, que pôde nos falar sobre as propostas do grupo para a UFMA, apresentar seu pensamento sobre universidade e alfinetar um pouco a concorrência.

Nhoque Nhoque – Por que “somos quem podemos ser”? Vou ter que perguntar para o Humberto Gessinger?

Thalita Martins - Então, “Somos quem podemos ser” retrata bem a imagem que a Chapa 3 quer passar, uma chapa realista, que sabe que só pode prometer e se comprometer com aquilo que pode realmente fazer, não deixando também seus sonhos de lado. Por sinal, estes são fundamentais e é o que nos move. “Sonhos que podemos ter”... Como acaba esse refrão da música. Na realidade, a música toda serve de inspiração para a chapa.

Nhoque Nhoque – Vocês, em seus cartazes, se dizem de oposição. Oposição a quê?

Thalita Martins – Oposição a um DCE que em um ano e meio de gestão não fez nem 10% daquilo que prometeu, só conseguindo fechar as portas da entidade para o seu grupo de “iluminados”, sem escutar e respeitar a opinião d@s diferentes. Oposição a esse mesmo grupinho que agora quer se reeleger, com discursos baixos e falsos sobre a realidade. Oposição, também, a essa situação na qual nós estudantes da Universidade Federal do Maranhão sentimos na pele, qual seja, ônibus lotado, com professores que faltam muito, estrutura física e educacional precárias, com livros na biblioteca que não atendem toda a demanda, a falta de compromisso de alguns Centros ou Diretórios Acadêmicos que não atendem as necessidades de sua base, à falta de pesquisa, extensão, de um ensino de qualidade, enfim, ao fato da UFMA ser uma das piores universidades do Brasil.

Nhoque Nhoque – Recursos Humanos, esse é o principal desafio do movimento estudantil. As pessoas se comprometem no começo, mas, com o tempo, por motivos pessoais, trabalho, estudos etc., acabam dando mais atenção a seus problemas individuais, claro, e deixando de lado o movimento estudantil. Como vocês pretendem superar esse problema?

Thalita Martins - Isso é um fato que atinge a nossa realidade, sabe? E é notório em muitos CAs e DAs aqui na UFMA. A gestão começa com milhões de pessoas mortas de felizes e no final acaba com duas (para não dizer uma), mortas de triste... E não podemos deixar de comentar que assim ocorreu nessa gestão do DCE. O descompromisso foi total que muitas pessoas abandonaram a gestão, ficando esta na mão de pouquíssim@s. E essa é a nossa outra grande preocupação quando esse mesmo grupo, juntando-se a outro (que não pode não esvaziar gestão, mas sala de aula el@s sabem fazer muito bem) tenta se reeleger para esvaziar novamente nossa entidade, deixando-a sem efetiva representação. Mas muitos e muitas da nossa chapa já possuem um ritmo de atividades exemplar aqui na UFMA. Todos os CAs e DAs que estamos a frente possuem um histórico de lutas junto a sua base, o que é surpreendente. Só para citar, como exemplo, e não desmerecendo os outros, temos o de Química, Computação, Contábeis, etc. A galerinha é de luta e sabe fazer luta, com o dialogo, arma para nós fundamental. E mesmo aquelas pessoas que não possuem tanta experiência assim, têm sede de Mudança, têm sede de uma Universidade melhor, onde todos e todas, desde o filho do pedreiro até @ homossexual, tenham acesso ao ensino superior.

Nhoque Nhoque – Você escreveu mudança com “m” maiúsculo, isso tem a ver com o seu grupo: o Movimento Mudança, do PT? Alguma mensagem subliminar? Aliás, fale da pluralidade da chapa, por vocês propagada.

Thalita Martins – (risos) Não! Em hipótese alguma. Mudança, em maiúsculo não veio para fazer apologia a nenhum grupo político. Ele foi proposital para reforçar e mostrar uma das nossas bandeiras, um dos nossos nortes, um dos motivos pelo qual esse amontoado de pessoas, com ideologias das mais diversas possíveis, se uniu. Queremos modificações na Universidade, urgentemente! Agora sobre a pluralidade ideológica que existe dentro da chapa. Olha, somos uma chapa democrática, que dentro de uma pluralidade consegue formar uma unidade, que nos mantêm firmes nessa caminhada. Pensamos que o DCE não está a serviço de apenas um grupo político. DCE foi feito para e com @s estudantes, seja qual cor, credo, pensamento político el@ tenha. Daí porque conseguimos formar essa unidade. Porque acima dos nossos anseios individuais está uma vontade de lutar por mais verbas, por um banheiro decente na Universidade, por mais ônibus, etc. Somos estudantes e sofremos na pele todas essas problemáticas.

Nhoque Nhoque – Realmente chapa de vocês é bem diversificada: Chuck Norris, Seya de Pégasus, Che Guevara e Seu Madruga. É com esse time de peso que vocês pretendem derrotar a concorrência?

Thalita Martins - Então, tenha certeza que temos um time não só dentro da chapa, mas de apoiadores, que inveja qualquer outra chapa. Empresas Juniores, times de futebol, bandas universitárias, professores e estudantes, que estão ali, na base mesmo, tentando conseguir divulgar nossos pensamentos, idéias e propostas para @s estudantes da Universidade. Isso é o que nos move. Porque temos certeza que não só nós, mas muitos e muitas têm sede de mudança (sem apologia aqui, risos). Agora sobre algumas celebridades, como Chuck Norris, Seya de Pégasus, Seu Madruga, que tu citaste, são apenas brincadeiras, para deixar o clima mais descontraído. Agora sim, colocamos no nosso material pensador@s e pessoas que fizeram história e servem de inspiração não só para nós, como para outr@s estudantes, como Airton Sena, Clarice Lispector, Maria Aragão, o próprio Che Guevara, etc.

Nhoque Nhoque – Para você, qual é a principal proposta da chapa?

Thalita Martins - Hummm, perguntinha danada essa... Aqui falo por mim, Thalita Martins, e pelo movimento no qual participo, que é o Movimento Mudança. Aquilo que nós defendemos para a Universidade, está nos moldes de um modelo de Universidade Popular, onde o pensamento individualista é deixado de lado em prol de um pensamento coletivo, deixando de lado também o atual modelo excludente e conservador. Queremos uma Universidade Popular, que produza a humanização do conhecimento e que questione o papel social das profissões universitárias. Portanto, um Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão Popular é fundamental. Agora não é só essa proposta também. O Encontro de Mulheres Estudantes da UFMA, um dia de luta contra as opressões, a luta pela efetiva inclusão das pessoas com deficiências, etc. são propostas mais políticas, que mostram aquele modelo de concepção de universidade que adotamos e nossas bandeiras também.

Nhoque Nhoque – Se você fosse escolher uma palavra para qualificar a UFMA é hoje e outra para qualificar o que você pretende que ela seja, quais escolheria?

Thalita Martins - Uma palavra que qualifica o hoje da UFMA seria “sucateamento”. O amanhã, que eu tanto almejo, seria “popular”.

Nhoque Nhoque - Não sei se você sabe, mas a chapa 2 foi na minha sala hoje. Era aula de Cultura Brasileira. Eles entraram e começaram a falar coisas bem parecidas com o que você falou. O mesmo jeito de falar, os mesmos termos. Até usaram esse @ no material deles também. A esquerda é toda igual. Dizem que nós da direita a esteriotipamos, mas, desculpe dizer, temos razão. Levando isso em consideração, que diferenças há entre vocês e as outras chapas?

Thalita Martins - Desculpe-me, mas não acho que eles são tão de esquerda assim como dizem. Uma esquerda que não defende a entrada de mais estudantes nas Universidades públicas brasileiras (bandeiras historicamente defendidas por el@s) não é uma verdadeira esquerda! E é isso o que vai acontecer com o REUNI, que eles tanto batem, dizendo que é a privatização da Universidade federal brasileira, Reforma de FHC e Lula, etc! E ainda são contra a Reforma Universitária, ou seja, querem deixar tudo como está! Como disse anteriormente, o que norteia a nossa chapa é congregar e respeitar as diversas opiniões diferentes. Eles não! Só quem entra no grupo da Chapa 2 é quem pensa igual, veste igual, come igual a eles! Não há espaço para o diferente! Eu não vou negar que sou militante de esquerda. Mas nem por isso vou deixar de falar com pessoas que não pensam igual a mim. A construção é feita no debate e não na desqualificação de um movimento ou pessoa! No mais, jogamos limpo! Não saímos tirando cartazes de outras chapas, nem falando mentiras pelos corredores, como faz a Chapa 2!Sobre essa 'estereotipação' da esquerda que citastes, acho que não é por aí... Existem pessoas que se vestem, falam de um jeito e outras que se vestem e falam de outra maneira, sendo tod@s de esquerda. É natural e devemos respeitar. Sobre o uso da @ é para desconstruir mesmo esse padrão de linguagem machista que a língua brasileira adota. E não precisa ser de esquerda para usar.

Nhoque Nhoque - Claro que sim. Alguém de direita nunca usaria isso.

Thalita Martins - Mas por que não? (risos)

Nhoque Nhoque - Ora, não falo pelos outros, mas eu, pelo menos, nunca usaria. Afinal, não sou muito simpático a movimentos feministas, odeio esse politicamente correto e prezo por minha língua. Mas a entrevistada aqui é você. Tava fazendo um esforço para não empregar minhas opiniões pessoais na entrevista, mas não consegui. Não consigo ser jornalista imparcial. Espero que a Federação não me puna por isso (risos).

Thalita Martins - (risos) A gente conversa sobre isso pessoalmente...

Nhoque Nhoque - Tá certo. Obrigado pela entrevista. Algumas últimas palavras?

Thalita Martins - A UFMA era um sonho para muit@s que se tornou realidade. O nosso ideal é que essa realidade não se torne um pesadelo. O DCE tem grande importância nessa construção, principalmente se ele for participativo, que construa movimento de base, que dialogue com o corpo acadêmico. Não achamos que somos a solução para os problemas, mas sabemos que juntos podemos fazer muita coisa. Por isso, a Chapa 3 se apresenta a cada estudante, como uma alternativa a esse marasmo, para podermos dialogar o modelo de universidade que queremos, bem como o projeto político pedagógico da nossa universidade. E isso só se faz com o movimento, com uma gestão participativa, integrada e antenada com as verdadeiras demandas. Por isso vote chapa 3 “Somos quem podemos ser” no dia 18 de junho. Queremos agradecer muito ao Nhoque Nhoque pelo espaço. Ele, como todo meio de comunicação desta universidade, é fundamental para podermos estar mais próximos d@s studantes, fazendo-@s nos conhecer melhor!

Nhoque Nhoque - Obrigado e boa sorte.

P.S.: Entramos em contato com membros de todas as chapas que concorrem ao DCE. Em breve, publicaremos as outras entrevistas.

Boas maneiras para estudantes nas filas

Muito se fala das imensas filas dos ônibus do Campus e do terminal. Dos coletivos lotados e das grandes esperas. Porém, raríssimas vezes ouço comentários sobre a falta de educação dos estudantes nas filas.

É insuportável, ultrajante. Beiram a barbárie as péssimas maneiras dos alunos. E a cultura de “vitimização”, comum nos meios estudantis, não nos permite perceber que a falta de delicadeza que praticamos e sofremos todos os dias agrava ainda mais o aborrecimento da espera incômoda.

Chego muitas vezes a duvidar que esteja realmente indo para uma universidade quando presencio os empurrões e atropelos nas entradas dos ônibus. Estudantes de ensino superior, pessoas esclarecidas, presumo, se amontoam na porta, empurram umas as outras e desrespeitam a ordem de forma totalmente grosseira e deselegante. É em momentos como esse que me pergunto se isso é realmente uma civilização e se esses jovens merecem estar numa universidade*.

Assim como todos, estou sempre com pressa. Estamos com pressa o tempo todo. Mas nada justifica a invariável falta de educação no acesso aos coletivos. Educação é um hábito que deve ser conservado em todos os momentos.

Respeite a fila. Se estamos decepcionados com a falta de coletivos e o penoso percurso casa/trabalho--universidade, deveríamos preservar o mínimo de polidez nos momentos em que esperamos pelo transporte. Com que cara-de-pau podemos reivindicar algo das autoridades se são os próprios estudantes os grandes responsáveis por nossos problemas?

* Espetáculo mais asqueroso só no caos do terminal do São Cristovão, onde, definitivamente, acaba a civilização.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

God save Lula!


Um garoto de voz esperta chega em casa e fala para sua mãe que finalmente poderá cursar uma faculdade. Havia ganho uma bolsa pelo PROUNI e realizaria seu grande sonho de ter um diploma universitário. Sua mãe, então, com uma voz de sofrida, não se segura de emoção e finaliza sua fala com um sonoro: "Deus abençoe Lula!".

Essa é uma das propagandas de rádio do Partido dos Trabalhadores que começaram a ser veiculada recentemente em cadeia nacional. Ela demonstra perfeitamente o personalismo que Governo Federal vem atingindo nestes últimos tempos. Lula vira um mito do povo, ao ponto de as propagandas do governo refletirem isso, com mães de família pedirem, em alto e bom som, que Deus o abençoe.

Métodos parecidos eram usados nos governos autoritários da primeira metade o século XX. Lula imita os fascistas. Em sua propaganda, pede que as pessoas rezem por ele, que o abençoem. E é assim que nossa democracia de banana deixa devez de ser uma democracia. Ao mesmo tempo em que se mitifica a figura do atual presidente, dá a ele mais credibilidade para aqueles que apoirá nas próximas eleições, perpetuando-se indefinidamente no poder.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Putz, que mancada!

Pesquisa revela que 62% dos brasileiros desconhecem TV pública do governo

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília


Depois de quase quatro meses no ar, a TV pública criada pelo governo federal em dezembro do ano passado ainda é pouco conhecida pela maioria dos brasileiros. Segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira, 62% dos entrevistados não ouviram falar na nova emissora do governo federal, enquanto 33,3% conhecem ou ouviram falar na sua criação.

A pesquisa mostra que, entre os que conhecem a emissora, 61,8% não têm como hábito assistir à programação de TVs públicas. Apenas 8,5% responderam que assistem com "freqüência" essas emissoras, enquanto outros 21,9% assistem "às vezes".
(Continue lendo)

Ninguém conhece a TV Brasil. Menos mal. E o pior é que eu ainda fico divulgando ela aqui. Se nunca tivéssemos falado da TV pública brasileira nesse blog, o percentual da pesquisa cairia para 20%.

Crimes sem punição: isso te lembra alguma coisa?


O que aconteceria se surgisse no Brasil um movimento pró-pedofilia? Ou um movimento pró-incesto? Terrível, não? Abominável. Mas o que dizer de um movimento pró-maconha? Ele já existe. E tem até um blog.

É crime fazer apologia da maconha. Eles mesmos admitem isso. Segundo os integrantes do Coletivo da Marcha da Maconha, "sua inteção não é fazer apologia da maconha, mas apenas esclarecer a população". E esclarecem dessa forma:

Neste exato momento milhares de pessoas estão fumando em toda parte e, se a polícia fosse se dedicar a todas elas, não teria tempo para cuidar de nenhum outro crime, dos verdadeiros crimes, daqueles dignos desse termo: assassinatos, roubos, estupros, corrupção, seqüestros, violência. Sabe-se que a polícia perde um tempo enorme desde a detenção de uma pessoa com maconha - às vezes apenas com um simples baseado ou bagana -, até terminar de preencher toda a papelada na delegacia para que o "maconheiro"? compareça mais tarde ao juizado – que por sua vez tem coisas mais urgentes pra julgar.


Segundo a lógica do autor desta belíssima argumentação, que só podia ser mesmo a argumentação de alguém com os sentidos já alterados belo uso de drogas, não devemos julgar alguém por um crime quando se tem coisa melhor para fazer. "O cara tá só queimando um baseado, morô, deixa ele em paz, chefia!". Preencher papelada na delegacia é chato? Ele deve saber...

Fazer apologia à maconha é crime. Cosumi-la também. Pessoas que são autuadas portando a droga, mesmo que seja só para o consumo, devem: receber advertência, ser encaminhadas a um juìzado e prestar serviços comunitários. É crime. E deve ser punido. Ainda acho que nossa legislação é transigente demais com quem financia o tráfico. E se ele só teve que preencher uma "papelada", ela não foi devidamente aplicada. Talvez porque o juiz tinha coisa melhor para fazer.

A liberdade de expressão tem limites. Os limites da ética e da lei. Se atos como esses não forem reprimidos, não vai demorar muito para que apareçam no Brasil movimentos pró-terrorismo. Ou até uma Marcha da Pedofilia.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Jequice Federal


"Nóis é jeca mais é FEDERAL". Esta frase passou a ser o slogan de Edigar Mão Branca desde 2006, quando foi eleito Deputado Federal pela Bahia. Depois da eleição, sua vida, vá lá!, artística passou a se cofundir muito com sua vida política. Em seu site oficial, Mão Branca se define como "Deputado Federal, cantador, poeta e vaqueiro". O carro em que anda foi pintado de verde, provavelmente em alusão a seu partido, o PV, e estampado com uma foto sua de terno, gravata e chapéu de couro, ao lado da frase "o forró federal".

No início do mandato, o deputado causou polêmica ao ter sua entrada na Câmara barrada devido a seu tradicional e inseparável chapéu de couro. Mão Branca alegou que não podia se desfazer do chapéu porque era vaqueiro, isso fazia parte de usa cultura. Propôs logo em seguida o Projeto de Lei 782/2007 que tornará facultativo o uso de chapéu em estabelecimentos públicos e privados. "Pior que usar chapéu é viver dando chapéu nos outros", diz ele.

Mão Branca é um retrato da "criatividade" da política brasileira. Para reivindicar, por exemplo, melhores estradas, ele se utiliza de seu dotes de poeta para sensibilizar as autoridades competentes:

Governador, faça essa estrada de Lapa a Santa Maria

Tem uma coisas no mundo
Se eu pudesse eu queria
Uma fazenda de gado
E uma mulona ruzia
Sê governo um dia só
Do meu estado, Bahia
Pra findar a palhaçada
E consertar a estrada
De Lapa a Santa Maria


Clicando aqui você pode analisar o desempenho do deputado Mão Branca como deputado. E clicando aqui e aqui você pode conferir seu desempenho como forrozeiro.

domingo, 13 de abril de 2008

A força estudantil - 2


Depois da saída do reitor da UnB, Timothy Mulholland, o vice-reitor, Edgar Mamiya, que tinha assumido semana passada o cargo de Mulholland, pede pra sair. "Ele saiu porque ficou insustentável a permanência dele. Agora ficou mais fácil negociar com o governo, mas a desocupação terá de ser discutida com os alunos", disse Fábio Félix, um dos coordenadores do DCE da UnB. Segundo ele, Mamiya seria ligado ao grupo de Mulholland (leia a reportagem da Folha aqui).

Se você dá a mão, eles querem logo o braço. Agora que parte de suas reivindicações foram atendidas, os invasores pretendem conseguir a tão sonhada paridade na escolha de reitores. “Queremos que os alunos tenham participação paritária em todos os conselhos da universidade. Hoje, a participação dos estudantes vale menos que a dos professores”, disse Karla Gamba (alguns sites escrevem Carla Gamba), coordenadora do DCE e estudante de Teatro da UnB.

Não sei onde eles acharam esse direito de participação “paritária”. Certamente na lata de lixo. Junto com a palavra “paritária”.

Essa é uma velha reivindicação da esquerda universitária. Nas últimas eleições para reitor da UFMA, me lembro de ver um rapazinho do PSTU com um microfone na mão berrando no ouvido dos que passavam sobre a injustiça que é, segundo ele e seu partido, os alunos e servidores administrativos terem apenas 15% de peso cada um, enquanto os professores têm 70% de peso na contagem dos votos.

Muito conveniente. Os alunos são numericamente bem superiores aos professores e servidores administrativos. Se todos tivessem o mesmo peso na escolha do reitor e do vice-reitor, seriam os estudantes que acabariam decidindo as eleições. Dessa forma, sua importância política aumentaria exorbitantemente, seu poder de barganha também. Estudantes ligados a partidos, a frente de CAs e DAs ou de entidades para-estudantis, como era o rapazinho do microfone, certamente teriam uma influência enorme na política universitária. Os efeitos disso seriam certamente desastrosos.

sábado, 12 de abril de 2008

A democracia... deles - parte 2


O quadrinho acima pode ser encontrado no site do Centro de Mídia Independente (clique aqui). Ele foi publicado dia 11 de abril. E até o momento não foi "escondido" da página principal. Isso porque o site acha que mesmo contendo ofensas a um grupo específico o quadrinho merece ser mantido na página principal. Porque ofende a Veja, que, em sua tipologia, se enquadra na detestável "mídia empresarial". Por isso pode e deve ser ofendida sem restrições.

Quando na página da política editorial do CMI eles dizem que não se aceitarão textos que "contenham ofensas ou ameaças a pessoas ou grupos específicos", eles deveriam adicionar a seguinte ressalva: desde que as ofensas e os ataques infudados sejam dirigidos aos porcos capitalistas. Isso seria bem menos desonesto. E bem mais engraçado.

A democracia... deles


O Centro de Mídia Independente se considera um site democrático. Na página “sobre o CMI”, ele diz: “A estrutura do site na internet permite que qualquer pessoa disponibilize textos, vídeos, sons e imagens tornando-se um meio democrático e descentralizado de difusão de informações”. É sempre assim. Eles sempre dão uma de bons moços para depois mostrarem suas garrinhas vermelhas.

Um pressuposto para que sejam realmente “uma alternativa consistente à mídia empresarial que frequentemente distorce fatos e apresenta interpretações de acordo com os interesses das elites econômicas, sociais e culturais” é que eles, ao contrário da “mídia empresarial”, não distorçam os fatos. E, para serem de fato independentes, não devem defender os interesses de nenhum grupo ou permitir que se defendam democraticamente todos os grupos. Porém, o que fazem é justamente o contrário. Na política editorial do site, eles se definem como “anticapitalistas”, que, além de estar grafado incorretamente, revela que seu compromisso não é com a “autonomia” ou com a “independência”, e sim com os movimentos sociais que assim como eles também são “anticapitalistas, no sentido tradicional, todas as correntes do socialismo, do comunismo e do anarquismo”. Deslocando da coluna de publicação aberta artigos não-alinhados a sua bitola ideológica.

Eles podem ser socialistas, comunistas ou anarquistas. Podem até ser só “anticapitalistas” mesmo... mas que não banquem os democráticos, os independentes ou os descentralizados. O Centro de Mídia Independente usa e abusa da desonestidade ao afirmar que são o que não são. Principalmente quando se dizem descentralizados. O site é controlado por editores, que avaliam o conteúdo dos textos publicados e dão o seu aval. Por exemplo, num texto de Reinaldo Azevedo, publicado recentemente no site, os editores colocaram a seguinte legenda:

Esse artigo foi escondido porque estava em desacordo com a política editorial do site. Ele pode ser um artigo repetido (já publicado anteriormente), um artigo preconceituoso ou discriminatório, um ataque pessoal, propaganda comercial ou de partido político ou apenas um artigo que contraria a missão do CMI. Em caso de dúvida, contate o coletivo editorial: contato@midiaindependente.org


Se são centralizados, não digam que são descentralizados. Se não são independentes, que não digam que são. Se censuram, que não se declarem democráticos. Se não querem críticas, não banquem os “críticos”. A honestidade e o bom-senso agradecem.

terça-feira, 8 de abril de 2008

A força estudantil


Em 1923, Hitler segue em marcha com integrantes do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista, com a intenção de tomar o poder da região da Baviera, para, em seguida, dominar Berlim. O episódio, que ficou conhecido como Putsch da Cervejaria, na verdade, não passou de uma tentativa de golpe que fracassou fragorosamente. A marcha foi reprimida pela polícia, e Hitler, condenado a cinco anos de prisão em Landsberg, por alta traição. Dia 3 de abril, a reitoria da Universidade de Brasília foi invadida por estudantes que exigem a renúncia do reitor Timothy Mulholand. Pouca coisa diferencia Hitler desses fascistóides, que coagem a administração da universidade para fazer exigências e invadem reitorias. Pouca coisa diferencia os estudantes de Timothy Mulholand. Ambos se apropriaram indevidamente de bens públicos.

Essas “ocupações” sempre seguem a mesma dinâmica, desde o ano passado, quando se tornaram moda. Os estudantes por algum motivo qualquer se revoltam. Invadem a reitoria. Vem um mandato judicial de reintegração de posse. Os estudantes, obviamente, desobedecem ao mandato. Permanecem na reitoria até conseguirem promessas. E logo depois vem a parte em que eles saem alegres e vitoriosos, e a administração, finalmente, volta a trabalhar. Depois, nada. Hitler, após o Putsch da Cervejaria, pagou seus crimes. Os estudantes, não. Invadem e muitas vezes depredam um patrimônio público, impedem trabalhadores de cumprirem suas funções, prejudicam a administração da universidade, descumprem ordens judiciais e nada. Continuam soltos por aí, tramando uma nova “revolução”.

----------------------------------------------------------------------------------

Informações sobre a ocupação da UnB, clique aqui

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Entrevista - Wellington Lima


Wellington Lima Silva Júnior é formado em Direito pela UFMA e trabalhou como tradutor na visita de Chávez ao Maranhão. Conversamos um pouco com ele - na foto, com a medalha de mérito (?!) dada a Chávez por Jackson Lago - para saber quais foram suas impressões sobre a passagem do ditador venezuelano à ilha e detalhes da visão privilegiada que teve dos acontecimentos.

Nhoque Nhoque - O que mais lhe chamou atenção no tempo em que passou na presença de Chávez e sua comitiva?

Wellington Lima - Foi o tamanho dela, é imensa. Ela é composta de funcionários da presidência, militares, jornalistas e cozinheiros, muita gente mesmo. Fiquei surpreso com a beleza do palácio. Aquilo ali é lindo, nunca tinha entrado nele, recomendo a visita. Também fiquei surpreso com o esquema de segurança montado pelo governo do Estado: foi bem forte. Tinha um fuzil da polícia civil cuja bala era do tamanho do meu dedo, estraçalha qualquer um. São várias equipes. Quem trabalhou em Recife não trabalhou nem aqui nem em Belém. Uma equipe grande para cada cidade, além do pessoal que viaja com ele.

Nhoque Nhoque - Jornalistas? Na comitiva?

Wellington Lima - Não sei se jornalistas vão junto com ele, mas alguns seguranças andam colados com Chávez.

Nhoque Nhoque - Como a comitiva de Chávez recebeu vocês?

Wellington Lima - Da melhor maneira possível, foram super simpáticos. Tirei até foto com alguns deles, conversamos bastante.

Nhoque NhoqueSobre o quê? Mulheres? Futebol?

Wellington Lima - Fora os diálogos pertinentes ao trabalho ali desenvolvido, conversamos sobre a Venezuela, sobre viagens, sobre São Luís, questões profissionais, diversos assuntos. Futebol não, mas sobre mulheres sim, mas foi só com um e na hora do almoço.

Nhoque NhoqueVocê teve algum contato direto com Chávez?

Wellington Lima – Sim. Eu iria fazer a tradução simultênea, mas logo fui mudado de função. Ele não gosta de traduções em seus discursos. Depois um venezuelano me disse que ninguém traduz Chávez. Quando ele saiu do balcão, passou perto de mim e tirei uma foto dele, depois, no jardim do palácio, falei um pouco com ele.

Nhoque NhoqueMulheres? Futebol?

Wellington Lima – Não, falei algo relacionado com o discurso que ele havia feito no salão de atos do palácio. Ele havia dito que não considera que haja diferença entre brasileiros, peruanos, chilenos, venezuelanos. Todos nós fazemos parte de apenas uma nação: a latino-americana. Eu peguei o embalo e falei para ele o seguinte: "Presidente, Che Guevara dijo una vez que 'somos todos una sóla raza mestiza, desde el México hasta el estrecho de Magallanes', somos todos iguales, presidente". E ele respondeu: "Sí, y fuertes, muy fuertes”. Foi só isso mesmo. Ele estava indo em direção ao salão onde estava sendo servida a refeição e não podia ficar ali batendo papo comigo, além de já estar atrasado para o compromisso dele em Belém.

Nhoque NhoqueEle deve ter pensado: “Putz! Como não lembrei dessa frase do Guevara!”.

Wellington Lima – Com certeza, encaixa-se como uma luva no discurso dele.

Nhoque NhoqueIsso aí. Qual foi a sensação de ter dirigido essas poucas palavras a Chávez? Febre? Indisposição?

Wellington Lima – Não, alegria mesmo, do tipo: "caramba! falei com um presidente!". Foi emocionante. Politicamente falando, discordo dele, mas nunca estive tão perto de um chefe de Estado. Fiquei muito contente.

Nhoque NhoqueO que você achou do assédio que o ditador, ops!, que o presidente Chávez recebeu na chegada ao Palácio os Leões?

Wellington Lima – Foi um pouco preocupante, ele saltou do carro antes de chegar ao palácio. Vai que um doido qualquer atira nele ou mete uma faca? Ia ficar feio para nós do Maranhão.

Nhoque NhoqueCom certeza. Ele viraria um mártir. E o pior, um mártir bolivariano. E os maranhenses iriam ser acusados disso, não é? Já estaria até vendo as camisas vermelhas com o rosto de Chávez estampado.

Wellington Lima - Pior que sim. Em todo lugar que ele vai, atrai bastante gente, o pessoal da comitiva me disse isso.

Nhoque NhoqueSe lhe fosse dado mais algum tempo e você pudesse falar o que quisesse com Chávez, o que você falaria?

Wellington Lima - Sinceramente, não sei. A frase que eu disse para Chávez já estava na minha cabeça, desde a manhã, e ela se encaixou perfeitamente do contexto. Provavelmente, seria bastante democrático, agradeceria pela visita, perguntaria o que ele estava achando da cidade, coisa do tipo.

Nhoque NhoqueMas estamos conjeturando. Nada real. Nem assim você falaria algo como: "Volte para seu país!" ou "Ditador!" ou "Volte para seu país, ditador"?

Wellington Lima - De jeito nenhum, estava ali para trabalhar. Como disse para um amigo meu, que achou contraditório um direitista trabalhar na visita de um dos maiores ícones atuais da esquerda: "negócios são negócios, ideologia não enche barriga".