Artigo publicado no Jornal Pequeno, dia 21 de novembro de 2007
Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX, em uma de suas principais obras, Parerga e Paralipomena, escreveu: “os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la”. E foi nessa simples frase que consegui compreender a verdadeira essência da universidade, na verdade, a verdadeira essência da natureza humana.
Minha certeza na venalidade que regia maior parte de nosso corpo docente só aumentou, quando comecei a conhecê-los de perto. Certa vez, pude presenciar uma reunião de professores onde decidiam os rumos de uma pretendida greve. Uma experiência inusitada, mas muito proveitosa. Os professores falavam do atraso em seus reajustes salariais, que já dura dez anos, falavam da falta de interesse do Governo em proporcionar-lhes aumentos que tornassem digna o sua árdua tarefa de ensino, e diziam que isso já era motivo suficiente para a deflagração de uma greve.
Tudo bem por aí, Schopenhauer estava certo. Porém, tudo mudou de configuração quando um professor, que de todos parecia o mais velho, pediu a palavra. Ele disse que essas motivações salariais não atrairiam o apoio dos outros segmentos da universidade do qual precisavam, o setor estudantil e administrativo. E pediu, encarecidamente, que na pauta de reivindicações fosse incluída a luta pela melhoria da educação na universidade, algo como o velho clichê da universidade pública, gratuita e de qualidade. Foi aí que aprendi que alguns dos nossos professores, além de gananciosos, eram hipócritas.
Eles, sobre a máscara de uma causa nobre, lutam pelos próprios interesses. Dizem que lutam pela melhoria do ensino quando na verdade brigam é pelo o complemento em seus contra-cheques. Dessa forma, usam a boa-fé de ingênuos estudantes para atender a seus próprios interesses.
A greve, que por si só já é uma atitude egoísta, pois prejudica toda a sociedade para benefício de um único grupo, passou a ser, para mim, naquele momento, uma atitude condenável. Não porque professores lutam por melhores salários, todos podem fazer isso de diversas formas, mas porque a hipocrisia com que tentam manipular os fatos é algo moralmente reprovável.
Primeiro porque dizem lutar por uma coisa quando na verdade brigam por outra. Segundo porque aquilo pelo qual dizem lutar é algo que não existe. A universidade “pública, gratuita e de qualidade” é um mito, simplesmente. A universidade é pública, concordo, mas nunca poderá ser gratuita. Alguém paga. E esse “alguém”, através dos impostos, somos nós, alguém são os milhões de brasileiros que nunca chegarão a freqüentá-la, e que ganham um salário muito menor que o de nossos digníssimos professores, mas que tem que abrir mão de parte de sua renda para sustentar nossos docentes. Quanto à qualidade, terceiro elemento da trindade, prefiro não comentar. Quem estuda na UFMA ou conhece alguém que estuda lá deve saber o que eu estou falando. Lá, ou se aprende sozinho ou não se aprende, são poucos os professores que realmente se dedicam a ensinar.
Tudo isso que falei foi para esboçar, de modo singelo, a realidade triste de nossas universidades, onde se formam os profissionais que vão para o mercado de trabalho dar sua contribuição para a sociedade.
A sociedade, com esses centros de formação, está em ruínas. E professor nenhum tem razão em reclamar dela. Pois talvez fosse melhor se eles pensassem um pouco mais nela e menos em seus bolsos.
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Um comentário:
Nossa, Chico.
Uma análise excelente do que acontece! E quem paga o pato, somos nós, os estudantes!
Beijos.
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